Muitas pessoas que se interessam por espiritualidade chegam a esta pergunta: preciso de ser iniciado? E, se sim, por quem?
Uma iniciação é a entrada formal num caminho espiritual, normalmente através de um rito e de um mestre ou grupo. Existe em quase todas as religiões e tradições esotéricas.
Esta página explica o que a iniciação significa em várias tradições e dá critérios para distinguir um caminho sério de um grupo abusivo. A história e a estrutura dos ritos está na página da enciclopédia.
➜ Ritos iniciáticos: morrer para renascer
O que é uma iniciação
A palavra vem do latim initium, começo. Uma iniciação marca o início de uma nova condição: a pessoa passa a pertencer a um grupo, recebe um ensinamento ou assume um compromisso.
Quase sempre tem três elementos:
- Transmissão: alguém que já está no caminho passa algo a quem entra (um nome, uma palavra, um símbolo, uma bênção).
- Compromisso: o iniciado aceita regras, votos ou um estudo.
- Pertença: passa a fazer parte de uma comunidade ou linhagem.
A iniciação em diferentes tradições
Hinduísmo
A dīkṣā é a iniciação dada por um guru, muitas vezes com a transmissão de um mantra pessoal. Marca o início de uma relação de mestre e discípulo.
Budismo tibetano
No budismo Vajrayāna, certas práticas de meditação exigem uma iniciação ou «empoderamento» (abhiṣeka) dada por um mestre qualificado.
Cristianismo
A Igreja Católica fala de sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Confirmação (Crisma) e Eucaristia. Entra-se na comunidade, não numa ordem secreta.
Ordens esotéricas
A Franc-Maçonaria, as ordens rosacrucianas e a Golden Dawn organizam-se por graus, cada um com a sua cerimónia. O estudo e a prática acompanham cada passo.
Religiões afro-brasileiras
No Candomblé, a iniciação é longa, com período de recolhimento e obrigações para com a casa e os orixás.
Wicca e a autoiniciação
Na Wicca tradicional, a iniciação é dada num coven, em três graus. Mas a partir dos anos 80, com livros para praticantes solitários, tornou-se comum a autodedicação: a pessoa compromete-se sozinha com o caminho.
➜ Wicca
Preciso de ser iniciado?
Depende do caminho. Numa religião ou ordem com linhagem, a iniciação faz parte dela. Para estudar e praticar por conta própria, não é necessária.
Muitas pessoas começam por:
- ler e estudar fontes sérias;
- manter um caderno de estudo ou grimório pessoal;
- praticar meditação e oração com regularidade;
- conhecer grupos com calma, antes de assumir compromissos.
➜ Como fazer o seu grimório pessoal
Sinais de alerta: grupos abusivos e seitas
Alguns grupos usam a promessa de «iniciação» para controlar pessoas. O psiquiatra Robert Jay Lifton descreveu, em 1961, as técnicas de controlo do pensamento que ainda hoje ajudam a reconhecê-los.
Desconfie quando um grupo ou mestre:
- cobra valores crescentes para cada novo grau ou segredo;
- exige obediência total e proíbe dúvidas;
- afasta-o da família e dos amigos;
- diz que só ali está a salvação ou a verdade;
- ameaça com maldições ou castigos se sair;
- pede segredo sobre abusos, contacto sexual ou substâncias;
- aplica jejuns extremos ou privação de sono.
Uma iniciação séria respeita a sua liberdade de perguntar e de sair. Se sentir que está preso num grupo, fale com alguém de confiança fora dele. Em caso de abuso ou crime, contacte as autoridades (em Portugal, o 112).
➜ Como escolher um bruxo sério
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Fontes
- Arnold van Gennep, Les rites de passage, 1909.
- «Initiation», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Catecismo da Igreja Católica, §1212 (sacramentos da iniciação cristã) — vatican.va
- Robert Jay Lifton, Thought Reform and the Psychology of Totalism, 1961.