A angelologia é o estudo dos anjos: quem são, como se organizam e que papel têm na relação entre Deus e os seres humanos. É um tema da teologia judaica, cristã e islâmica, mas também do ocultismo.
Nesta página separamos três coisas diferentes: o que dizem os textos bíblicos, o que acrescentou a tradição teológica e o que é interpretação esotérica posterior.
A palavra «anjo»
«Anjo» vem do grego ángelos, que significa mensageiro. É a tradução do hebraico mal'akh, com o mesmo sentido. Na Bíblia, o anjo é antes de mais alguém enviado por Deus com uma missão.
Os anjos na Bíblia
A Bíblia fala muitas vezes de anjos, mas dá poucos nomes. Nos livros aceites pela Igreja Católica há três anjos com nome:
| Anjo | Onde aparece |
|---|---|
| Miguel | Livro de Daniel, Epístola de Judas, Apocalipse |
| Gabriel | Livro de Daniel, Evangelho de Lucas (Anunciação) |
| Rafael | Livro de Tobias |
O Livro de Tobias faz parte da Bíblia católica, mas não da Bíblia hebraica nem da maioria das Bíblias protestantes.
A Bíblia refere também querubins e serafins, sem os organizar numa hierarquia completa.
Anjos fora da Bíblia
Outros nomes, como Uriel, vêm de textos judaicos antigos que não entraram na Bíblia, como o Livro de Enoque. Estes textos desenvolveram muito o tema dos anjos e dos anjos caídos.
Em 745, um sínodo em Roma condenou a invocação de anjos com nomes que não constam da Bíblia, entre eles Uriel. Por isso, a Igreja Católica venera oficialmente só Miguel, Gabriel e Rafael. As Igrejas ortodoxas têm uma prática diferente.
Os nove coros dos anjos
A hierarquia mais conhecida vem de um autor cristão do final do século V ou início do VI, conhecido como Pseudo-Dionísio, o Areopagita, na obra A Hierarquia Celeste. Organizou os anjos em três grupos de três:
| Hierarquia | Coros |
|---|---|
| Primeira | Serafins, Querubins, Tronos |
| Segunda | Dominações, Virtudes, Potestades |
| Terceira | Principados, Arcanjos, Anjos |
Esta ordem foi retomada por São Tomás de Aquino e marcou a arte e a devoção católicas. É uma construção teológica, não uma lista que venha da Bíblia.
O anjo da guarda
A crença de que cada pessoa tem um anjo protetor tem raízes bíblicas (por exemplo, Mateus 18,10) e tornou-se muito popular na devoção católica. A festa dos Santos Anjos da Guarda celebra-se a 2 de outubro.
O Anjo de Portugal
Portugal tem uma devoção própria: o Anjo Custódio do Reino, ou Anjo da Guarda de Portugal. A pedido do rei D. Manuel I, o papa Júlio II instituiu a festa em 1504.
A devoção quase desapareceu depois do século XVII e foi restaurada em 1952, com a festa marcada para 10 de junho, Dia de Portugal.
O relato das aparições de Fátima inclui, em 1916, um anjo que se terá apresentado como «Anjo da Paz» e «Anjo de Portugal». É uma narrativa de fé, contada mais tarde pela Irmã Lúcia.
Os anjos no Livro de São Cipriano
O Livro de São Cipriano português inclui orações ao Anjo Custódio e a vários anjos e santos, dentro de um enquadramento católico popular.
➜ Os anjos no Livro de São Cipriano
Os anjos no ocultismo
A partir do Renascimento, a magia cerimonial deu aos anjos um papel central:
- Cornélio Agrippa (século XVI) associou anjos a planetas, dias e números.
- John Dee e Edward Kelley registaram, na década de 1580, sessões em que diziam comunicar com anjos. Daí nasceu o chamado sistema enoquiano.
- A Ordem Hermética da Aurora Dourada (fundada em 1888) usou nomes de anjos e arcanjos nos seus rituais.
Estas práticas são interpretações esotéricas. Não fazem parte da doutrina de nenhuma Igreja, e a Igreja Católica desaconselha a invocação de anjos por nomes não bíblicos.
Anjos e demónios
Na tradição cristã, os demónios são anjos caídos. Por isso, a angelologia e a demonologia desenvolveram-se lado a lado.
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➜ Cabala
Fontes
- Catecismo da Igreja Católica, §§ 328–336 («Os anjos»).
- «Anjo de Portugal», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- «Angel», Encyclopaedia Britannica — britannica.com
- Pseudo-Dionísio, o Areopagita, A Hierarquia Celeste (c. 500).