A Umbanda é uma religião brasileira que junta elementos do catolicismo, do espiritismo, das religiões africanas e das tradições indígenas. Hoje tem também terreiros em Portugal.
Quem procura «oração da Umbanda» encontra muitas vezes textos soltos, sem contexto. Nesta página explicamos primeiro a religião, com factos, e depois as orações e saudações mais usadas.
O que é a Umbanda
A Umbanda é uma religião monoteísta: acredita num Deus criador, muitas vezes chamado Olorum ou Zâmbi. Abaixo de Deus estão os orixás, forças divinas de origem africana, e os guias espirituais, espíritos que se manifestam através dos médiuns.
Os guias organizam-se em «linhas». As mais conhecidas são:
- Caboclos — espíritos de indígenas brasileiros;
- Pretos-velhos — espíritos de africanos escravizados, símbolo de sabedoria e paciência;
- Crianças (erês);
- Exus e pombagiras — guardiães, muitas vezes mal compreendidos fora da religião.
As cerimónias chamam-se giras e fazem-se no terreiro (ou tenda). Um princípio muito repetido na Umbanda é a caridade: segundo a tradição, a religião nasceu para ajudar, sem cobrar.
A origem: 1908 e Zélio de Moraes
Segundo a tradição umbandista, a religião foi anunciada a 15 de novembro de 1908, em Niterói, no Brasil. Numa sessão espírita, o jovem Zélio Fernandino de Moraes (1891–1975), então com 17 anos, terá recebido um espírito que se apresentou como Caboclo das Sete Encruzilhadas. No dia seguinte, em casa de Zélio, nasceu a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.
Desde 2012, a lei brasileira n.º 12.644 fixa o 15 de novembro como Dia Nacional da Umbanda.
Nota histórica: os investigadores lembram que esta narrativa se consolidou sobretudo a partir dos anos 1960 e que a Umbanda se formou com muitos grupos e lugares diferentes, não apenas a partir de uma pessoa. A data de 1908 é o marco simbólico aceite pela maioria dos umbandistas.
As orações usadas nas giras
A Umbanda não tem um livro sagrado único nem uma autoridade central. Cada terreiro tem as suas orações e costumes. Ainda assim, há elementos muito comuns:
- Orações cristãs: muitas giras abrem com o Pai-Nosso e a Ave-Maria.
- A Prece de Cáritas, de origem espírita, de 1873.
- Os pontos cantados: cânticos, acompanhados de atabaque, para chamar e saudar os orixás e os guias. São a forma de oração mais característica da Umbanda.
- A defumação: queima de ervas para limpar o ambiente no início da gira.
As saudações aos orixás
Cada orixá tem uma saudação própria, dita em voz alta nas giras. As mais conhecidas:
| Orixá | Saudação |
|---|---|
| Oxalá | Epa Babá! |
| Iemanjá | Odoyá! |
| Ogum | Ogunhê! |
| Oxóssi | Okê Arô! |
| Xangô | Kaô Kabecilê! |
| Oxum | Ora yê yê ô! |
A saudação geral mais conhecida é «Saravá!». A grafia varia de terreiro para terreiro.
O sincretismo com os santos católicos
No tempo da escravatura, os africanos escravizados ligavam os seus orixás a santos católicos. Na Umbanda, muitos terreiros mantêm estas associações, por exemplo:
- Oxalá com Jesus Cristo (Senhor do Bonfim);
- Iemanjá com Nossa Senhora;
- Ogum com São Jorge, sobretudo no Rio de Janeiro.
Oração a Oxalá
Texto redigido pelo Grimório.pt a partir das fórmulas usadas nos terreiros. Não é uma oração oficial, porque a Umbanda não tem textos oficiais únicos:
Pai Oxalá, luz de paz,
abençoai este dia e esta casa.
Dai-me serenidade nos pensamentos,
verdade nas palavras
e caridade nas ações.
Epa Babá!
Respeito e cuidado
A Umbanda é uma religião, com fiéis, sacerdotes e regras próprias. Não deve ser confundida com «magia para amor» ou «trabalhos» vendidos na internet. Quem se interessa deve visitar um terreiro sério, onde as cerimónias são abertas e não se cobra pela caridade.
Se a defumação for feita em casa, faça-a com janelas abertas, num recipiente resistente ao calor e longe de crianças, animais e pessoas com asma.
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Fontes
- Lei n.º 12.644, de 16 de maio de 2012 (Dia Nacional da Umbanda) — planalto.gov.br
- Wikipedia, «Zélio Fernandino de Moraes» — en.wikipedia.org
- Feriados.com.br, «Dia da Umbanda» (narrativa de 1908 e sua consolidação nos anos 1960) — blog.feriados.com.br
- Folha Espírita, «Prece de Cáritas – 150 anos» — folhaespirita.com.br