Santo António é, talvez, o santo mais querido dos portugueses. Nasceu em Lisboa, morreu em Pádua e é invocado há quase oito séculos para encontrar coisas perdidas, para arranjar casamento e para ajudar os pobres.
Nesta página encontra a sua vida, o responso tradicional, uma oração para o amor e as tradições do 13 de junho.
Quem foi Santo António
- Nasceu em Lisboa, por volta de 1195, com o nome de Fernando. O apelido «de Bulhões», muito repetido, não é seguro.
- Entrou nos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, em São Vicente de Fora, e estudou em Santa Cruz de Coimbra.
- Em 1220 tornou-se franciscano e mudou o nome para António.
- Foi pregador em Itália e em França e professor de teologia.
- Morreu em Pádua a 13 de junho de 1231. Por isso muitos países lhe chamam «Santo António de Pádua».
- Foi canonizado em 1232 pelo papa Gregório IX, menos de um ano depois de morrer.
- Em 1946, Pio XII declarou-o Doutor da Igreja, com o título de Doctor Evangelicus.
Curiosidade: o padroeiro oficial de Lisboa é São Vicente, não Santo António. Mas é António que a cidade festeja.
O responso de Santo António
O responso (ou responsório) vem de um hino latino do século XIII, Si quaeris miracula («Se procuras milagres»), ligado ao ofício litúrgico do santo composto por Juliano de Espira. A tradução portuguesa é tradicional e anónima. Começa assim:
Se milagres desejais,
recorrei a Santo António:
vereis fugir o demónio
e as tentações infernais.
Recupera-se o perdido,
rompe-se a dura prisão,
e no auge do furacão
cede o mar embravecido.
É a oração que a tradição reza para encontrar objetos perdidos. Há pequenas variações de terra para terra.
Porque se reza pelas coisas perdidas
Conta uma lenda antiga que um noviço fugiu do convento levando o saltério (livro de salmos) de António, cheio de anotações. O santo rezou e o noviço voltou para devolver o livro. É uma lenda, sem confirmação histórica, mas explica a devoção.
Santo António casamenteiro
A fama de santo casamenteiro é antiga em Portugal e no Brasil. As lendas contam, por exemplo, que ajudou raparigas pobres a conseguir o dote para casar.
Desde 1958 Lisboa celebra os Casamentos de Santo António. Começaram por iniciativa do jornal Diário Popular, pararam em 1974 e foram retomados em 1997 pela Câmara Municipal de Lisboa.
Oração a Santo António para o amor
Uma oração de amor respeitosa pede um amor verdadeiro e livre, não que uma pessoa concreta seja obrigada a gostar de nós. Texto redigido pelo Grimório.pt a partir das fórmulas populares:
Glorioso Santo António,
vós que conheceis os corações,
ajudai-me a encontrar um amor sincero,
que me respeite e que eu saiba respeitar.
Se o amor já está no meu caminho,
dai-me olhos para o ver.
Ámen.
Na tradição cristã, não se pede a Santo António que «traga de volta» alguém contra a sua vontade. O santo é invocado para o bem, não para forçar ninguém.
O 13 de junho e as tradições populares
A noite de 12 para 13 de junho é a grande festa de Lisboa: marchas populares, arraiais, sardinhas assadas e manjericos com uma quadra de amor espetada num cravo de papel.
Há também tradições populares de adivinhação do amor nessa noite, como as da Noite de São João. São folclore, contadas por gosto, não previsões.
➜ A noite de Santo António: tradições e simpatias
O pão de Santo António
Em muitas igrejas há uma caixa com o nome «Pão de Santo António»: são esmolas para os pobres. Lembra que António foi, antes de mais, um pregador da caridade.
Quando se reza
- A 13 de junho, dia da festa, e nas trezenas (13 dias de oração antes da festa).
- Às terças-feiras, dia tradicionalmente dedicado a Santo António.
- Sempre que se perde alguma coisa, com o responso.
Se acender uma vela junto da imagem, nunca a deixe sem vigilância.
➜ Como usar velas com segurança
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➜ Os Santos Populares em Portugal
Fontes
- Wikipédia, «António de Pádua» — pt.wikipedia.org
- Observador, «Casamentos de Santo António "não estão em vias de extinção"», 12 de maio de 2025 — observador.pt
- Franciscanos (Brasil), «Oração do Responsório de Santo Antônio» — franciscanos.org.br
- New Liturgical Movement, «The Miraculous Responsory of St. Anthony of Padua» (autoria de Juliano de Espira) — newliturgicalmovement.org