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🙏 Orações

Responso de Santo António (Si quaeris miracula)

O responso de Santo António para coisas perdidas: texto português completo, o original latino «Si quaeris miracula» de Juliano de Espira (séc. XIII) e como se reza.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O texto português
  3. O original latino
  4. Quem o escreveu
  5. Porque é o «santo das coisas perdidas»
  6. Como se reza na tradição portuguesa
  7. Continue a ler
  8. Fontes

Em Portugal, quando se perde alguma coisa, há sempre alguém que diz: «Reza o responso a Santo António.» As chaves, a aliança, um documento, às vezes um animal que fugiu.

O responso é um pequeno poema de louvor ao santo, com um refrão que se repete: «Recupera-se o perdido.» Não é uma invenção popular: vem de um hino latino do século XIII.

Nesta página encontra o texto português completo, o original latino e a história. A vida do santo e as outras orações (amor, casamento) estão noutra página:

➜ Oração a Santo António: vida, amor e 13 de junho

Ficha

Campo Informação
Nome Responso (ou responsório) de Santo António
Original latino Si quaeris miracula («Se procuras milagres»)
Autor do original Frei Juliano de Espira, franciscano (m. c. 1250)
Data Composto depois de 1241, poucos anos após a canonização
Uso litúrgico Responsório do ofício de Matinas de Santo António
Versão portuguesa Tradicional, anónima, com variantes
Uso popular Encontrar objetos perdidos

O texto português

Esta é a versão tradicional mais divulgada em Portugal. É anónima e há pequenas diferenças de terra para terra. O refrão repete-se depois de cada estrofe.

Se milagres desejais,
recorrei a Santo António:
vereis fugir o demónio
e as tentações infernais.

Recupera-se o perdido,
rompe-se a dura prisão,
e no auge do furacão
cede o mar embravecido.

Pela sua intercessão
foge a peste, o erro, a morte,
o fraco torna-se forte
e torna-se o enfermo são.

Recupera-se o perdido…

Todos os males humanos
se moderam, se retiram;
digam-no aqueles que o viram
e digam-no os paduanos.

Recupera-se o perdido…

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo,
como era no princípio, agora e sempre. Ámen.

Recupera-se o perdido…

V. Rogai por nós, bem-aventurado Santo António.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

No Brasil circula outra tradução, que começa igual mas continua com «contra os males e o demónio». Ambas traduzem o mesmo hino latino.

O original latino

O texto latino é medieval e de domínio público. Começa assim:

Si quaeris miracula,
mors, error, calamitas,
daemon, lepra fugiunt,
aegri surgunt sani.

Cedunt mare, vincula;
membra resque perditas
petunt et accipiunt
iuvenes et cani.

Tradução literal: «Se procuras milagres: a morte, o erro, a calamidade, o demónio e a lepra fogem, os doentes levantam-se sãos. Cedem o mar e as correntes; membros e coisas perdidas pedem e recebem jovens e velhos.»

Repare que a expressão «coisas perdidas» (res perditas) já está no original do século XIII. A fama de Santo António como «achador» de objetos é muito antiga.

Quem o escreveu

Juliano de Espira era alemão, de Speyer. Foi mestre de música na capela real de França e depois entrou nos franciscanos, em Paris, onde foi mestre de coro. Compôs dois ofícios rimados, isto é, textos para a oração litúrgica em verso com rima: um para São Francisco e outro para Santo António.

O Si quaeris miracula é um dos responsórios do ofício de Matinas da festa do santo, a 13 de junho. Os franciscanos ainda o cantam.

Porque é o «santo das coisas perdidas»

A explicação mais conhecida é uma lenda: um noviço terá fugido com o saltério (livro de salmos) anotado por António, e devolveu-o depois de o santo rezar. Não há confirmação histórica.

O que é facto é que o hino latino, escrito poucos anos depois da morte do santo, já fala de coisas perdidas.

Como se reza na tradição portuguesa

  • Reza-se quando se perde alguma coisa, uma vez ou até aparecer.
  • Há quem o reze três vezes seguidas, ou durante treze dias (lembrando o dia 13).
  • Há famílias em que é sempre a mesma pessoa (a avó, uma vizinha) que «reza o responso» pelos outros.
  • Às vezes junta-se uma promessa: uma esmola para o Pão de Santo António, a caixa das esmolas para os pobres.

São costumes de devoção. Ninguém pode garantir que o objeto aparece. Rezar ajuda muitas pessoas a acalmar e, com calma, a procurar melhor.

Rezar o responso é diferente de benzer: não é uma fórmula para curar, e não é preciso ninguém com «dom».

➜ Benzeduras portuguesas

Continue a ler

➜ A noite de Santo António

➜ Os Santos Populares em Portugal

➜ Velas dos santos

➜ Oração a São Judas Tadeu

Fontes

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