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🙏 Orações

Pai-Nosso

O Pai-Nosso na versão oficial usada em Portugal, o texto latino, a origem em Mateus 6 e Lucas 11, o sentido de cada pedido e o debate sobre a «tentação».

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. O Pai-Nosso (versão oficial portuguesa)
  2. O texto em latim
  3. De onde vem
  4. E o «Vosso é o reino»?
  5. O significado de cada pedido
  6. O debate sobre a «tentação»
  7. O Pai-Nosso na tradição popular portuguesa
  8. Quando se reza
  9. Continue a ler
  10. Fontes

O Pai-Nosso é a oração que, segundo os Evangelhos, o próprio Jesus ensinou aos discípulos. É rezada por católicos, ortodoxos e protestantes, e é a oração mais conhecida do mundo cristão.

Nesta página encontra o texto oficial usado em Portugal, a versão latina, a origem bíblica e a explicação de cada frase.

O Pai-Nosso (versão oficial portuguesa)

É esta a versão que se reza na missa em Portugal e que aparece no Catecismo da Igreja Católica em português:

Pai nosso, que estais nos céus,
santificado seja o vosso nome;
venha a nós o vosso reino;
seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido;
e não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Ámen.

O texto em latim

Pater noster, qui es in caelis,
sanctificetur nomen tuum.
Adveniat regnum tuum.
Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra.
Panem nostrum quotidianum da nobis hodie,
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris.
Et ne nos inducas in tentationem,
sed libera nos a malo.
Amen.

De onde vem

O Pai-Nosso aparece em dois Evangelhos:

  • Mateus 6, 9–13, no Sermão da Montanha. É a versão mais longa, que a liturgia adotou.
  • Lucas 11, 2–4, numa versão mais curta, quando os discípulos pedem: «Senhor, ensina-nos a orar.»

Os Evangelhos foram escritos em grego. O Pai-Nosso que rezamos é uma tradução, através do latim.

E o «Vosso é o reino»?

Muitos protestantes terminam o Pai-Nosso com: «Pois vosso é o reino, o poder e a glória para sempre.» Esta frase, chamada doxologia, não está nos manuscritos mais antigos dos Evangelhos, mas é muito antiga: aparece na Didaqué, um texto cristão do século I ou II.

Na missa católica, também se diz, mas separada do Pai-Nosso, depois de uma oração do padre.

O significado de cada pedido

A tradição cristã divide o Pai-Nosso numa invocação e sete pedidos.

«Pai nosso, que estais nos céus» — Deus é tratado como pai, e pai «nosso», de todos. Ninguém reza o Pai-Nosso sozinho.

«Santificado seja o vosso nome» — pede-se que Deus seja reconhecido e respeitado.

«Venha a nós o vosso reino» — pede-se um mundo de justiça e de paz.

«Seja feita a vossa vontade» — é o pedido mais difícil: aceitar que nem tudo depende de nós.

«O pão nosso de cada dia» — o necessário para viver, hoje. Não a riqueza, mas o suficiente.

«Perdoai-nos as nossas ofensas…» — o único pedido com uma condição: sermos perdoados como perdoamos.

➜ Oração para o perdão

«Não nos deixeis cair em tentação» — pede-se força para não ceder ao mal.

«Mas livrai-nos do mal» — em grego, a palavra pode querer dizer «do mal» ou «do Maligno».

O debate sobre a «tentação»

A frase latina diz, à letra, «não nos induzas em tentação». Isto levanta uma dúvida: Deus leva alguém a pecar? A doutrina cristã diz que não.

Por isso, várias línguas mudaram a tradução nos últimos anos. A França mudou em 2017 e a Itália em 2020, com a aprovação do papa Francisco.

Em Portugal a questão já estava resolvida: a fórmula «não nos deixeis cair em tentação» não diz que Deus induz ao mal. Em maio de 2026, o tradutor da Bíblia Frederico Lourenço propôs outra leitura («provação» em vez de «tentação»), mas foi uma sugestão académica, não uma mudança oficial.

O Pai-Nosso está presente em quase toda a religiosidade popular portuguesa. As benzedeiras costumam terminar as suas rezas com um Pai-Nosso e uma Ave-Maria. Nas alminhas, quem passava rezava um Pai-Nosso pelas almas.

Em livros de magia popular, como as edições do Livro de São Cipriano, o Pai-Nosso também aparece misturado com outras orações. Isso é uso popular, não doutrina da Igreja. Nenhuma forma de rezar (três, sete ou nove vezes, a certa hora) torna a oração «mais forte».

Quando se reza

  • De manhã e à noite.
  • Na missa, antes da comunhão.
  • No terço, no início de cada mistério.
  • Pelos mortos, seguido do «Dai-lhe, Senhor, o eterno descanso».

Continue a ler

➜ Ave-Maria

➜ Credo

➜ Terço completo: como rezar passo a passo

➜ Feitiçaria portuguesa e religiosidade popular

Fontes

  • Catecismo da Igreja Católica, n.º 2759–2865 (texto oficial português e explicação) — vatican.va
  • Agência Ecclesia, «Frederico Lourenço sugere uma "nova tradução" da oração do Pai Nosso», maio de 2026 — agencia.ecclesia.pt
  • CNBB, «Dom Edmar Peron fala sobre mudança na versão italiana da oração do Pai Nosso» — cnbb.org.br
  • Conferência Episcopal Portuguesa, Bíblia Sagrada, Mateus 6 e Lucas 11 — conferenciaepiscopal.pt/biblia

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