Em junho, Portugal enche-se de arraiais, manjericos, sardinhas e fogueiras. São as festas dos Santos Populares: Santo António, São João e São Pedro.
São festas religiosas na origem, mas cheias de costumes populares — alguns muito antigos, outros bem mais recentes do que se pensa. Esta página conta a história de cada santo e explica de onde vêm as tradições, separando o que é documentado do que é hipótese.
Para as datas e simpatias de cada noite, veja também:
➜ Calendário: Santos Populares
As três datas
| Santo | Dia e onde é feriado municipal |
|---|---|
| Santo António | 13 de junho — Lisboa |
| São João | 24 de junho — Porto, Braga e outros concelhos |
| São Pedro | 29 de junho — Évora, Sintra, Póvoa de Varzim e outros |
A grande festa é sempre na véspera: a noite de 12 para 13, de 23 para 24 e de 28 para 29 de junho.
Santo António (13 de junho)
Quem foi: nasceu em Lisboa, por volta de 1195, com o nome de Fernando. Foi cónego regrante em Coimbra, tornou-se frade franciscano e ficou famoso como pregador. Morreu em Pádua, Itália, a 13 de junho de 1231, e foi canonizado logo em 1232.
Por isso, é conhecido em Itália como Sant'Antonio di Padova e em Portugal como Santo António de Lisboa.
Os costumes
- Santo casamenteiro — é a tradição mais conhecida. As raparigas pediam-lhe noivo e há muitas quadras e simpatias sobre isso.
- Manjericos — vasos de manjerico com um cravo de papel e uma bandeira com uma quadra popular, oferecidos como sinal de afeto. Diz o costume que não se deve cheirar diretamente: passa-se a mão pela planta e cheira-se a mão.
- Marchas populares — desfiles dos bairros de Lisboa, realizados pela primeira vez em 1932.
- Casamentos de Santo António — casamentos coletivos organizados em Lisboa desde 1958.
Fernando Pessoa escreveu centenas de quadras «ao gosto popular», muitas pensadas para os manjericos.
São João (24 de junho)
Quem foi: São João Batista, o profeta que batizou Jesus no rio Jordão. A Igreja celebra o seu nascimento a 24 de junho — seis meses antes do Natal, porque o Evangelho de Lucas diz que era seis meses mais velho do que Jesus.
É a grande festa do Porto e de Braga, mas celebra-se em todo o país.
Os costumes
- Fogueiras — acendem-se fogueiras e há quem salte por cima delas. Queimam-se ervas aromáticas, como rosmaninho e alecrim.
- Alho-porro — no Porto, era costume bater levemente na cabeça das pessoas com um alho-porro, como saudação e desejo de sorte.
- Martelinhos — os martelos de plástico que o substituíram em grande parte foram criados em 1963.
- Cascatas sanjoaninas — pequenos presépios populares com figuras de santos e cenas da vida do bairro.
- Balões e fogo de artifício — sobre o Douro, à meia-noite.
- Sortes de São João — adivinhações de amor, como queimar a flor de uma alcachofra e ver se volta a florescer na manhã seguinte.
➜ Simpatia da noite de São João
➜ Alecrim
São Pedro (29 de junho)
Quem foi: São Pedro, pescador da Galileia e apóstolo de Jesus, considerado o primeiro Papa. A Igreja celebra-o no mesmo dia que São Paulo.
É o padroeiro dos pescadores, por isso tem festas fortes em terras ligadas ao mar, como a Póvoa de Varzim, e também no interior, como Évora e Sintra. Também há fogueiras, arraiais e sardinha assada.
E a sardinha?
A sardinha assada é o prato das festas por uma razão prática: junho é a época em que está mais gorda e saborosa, e era um peixe barato e abundante. É um costume de mesa, não um ritual.
Raízes pagãs? Uma hipótese
As festas de junho coincidem com o solstício de verão (por volta de 21 de junho). Muitos autores defendem que as fogueiras, os banhos de orvalho e as ervas colhidas nesta noite podem continuar antigas celebrações do solstício.
É uma hipótese plausível, mas não comprovada para cada costume em particular. O que está documentado é que a Igreja fixou estas datas pelos santos e que o povo lhes juntou práticas de proteção, amor e sorte ao longo dos séculos.
Segurança nas fogueiras e balões
- Faça fogueiras apenas em locais autorizados, longe de casas, carros e vegetação seca.
- Saltar fogueiras causa queimaduras todos os anos: evite-o, sobretudo com crianças.
- Os balões de papel com chama podem provocar incêndios; em muitos períodos e locais o seu lançamento é proibido.
- Tenha sempre água ou um extintor por perto.
➜ Como usar velas com segurança
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Fontes
- Visão, «Dos casamentos de Santo António às marchas populares: a história das tradições das festas de Lisboa», 12 jun. 2024 — visao.pt
- Wikipédia, «Marchas populares de Lisboa» — pt.wikipedia.org
- N-Notícias, «São João no Porto: martelinhos, alho-porro e tradições» — n-noticias.pt
- Bíblia, Evangelho segundo São Lucas 1, 36 (Isabel no sexto mês)