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Santos Populares em Portugal: história e tradições

Santo António (13 jun), São João (24 jun) e São Pedro (29 jun): quem foram, manjericos, fogueiras, alho-porro, sardinhas e as sortes de São João.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. As três datas
  2. Santo António (13 de junho)
  3. São João (24 de junho)
  4. São Pedro (29 de junho)
  5. E a sardinha?
  6. Raízes pagãs? Uma hipótese
  7. Segurança nas fogueiras e balões
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Em junho, Portugal enche-se de arraiais, manjericos, sardinhas e fogueiras. São as festas dos Santos Populares: Santo António, São João e São Pedro.

São festas religiosas na origem, mas cheias de costumes populares — alguns muito antigos, outros bem mais recentes do que se pensa. Esta página conta a história de cada santo e explica de onde vêm as tradições, separando o que é documentado do que é hipótese.

Para as datas e simpatias de cada noite, veja também:

➜ Calendário: Santos Populares

As três datas

Santo Dia e onde é feriado municipal
Santo António 13 de junho — Lisboa
São João 24 de junho — Porto, Braga e outros concelhos
São Pedro 29 de junho — Évora, Sintra, Póvoa de Varzim e outros

A grande festa é sempre na véspera: a noite de 12 para 13, de 23 para 24 e de 28 para 29 de junho.

Santo António (13 de junho)

Quem foi: nasceu em Lisboa, por volta de 1195, com o nome de Fernando. Foi cónego regrante em Coimbra, tornou-se frade franciscano e ficou famoso como pregador. Morreu em Pádua, Itália, a 13 de junho de 1231, e foi canonizado logo em 1232.

Por isso, é conhecido em Itália como Sant'Antonio di Padova e em Portugal como Santo António de Lisboa.

Os costumes

  • Santo casamenteiro — é a tradição mais conhecida. As raparigas pediam-lhe noivo e há muitas quadras e simpatias sobre isso.
  • Manjericos — vasos de manjerico com um cravo de papel e uma bandeira com uma quadra popular, oferecidos como sinal de afeto. Diz o costume que não se deve cheirar diretamente: passa-se a mão pela planta e cheira-se a mão.
  • Marchas populares — desfiles dos bairros de Lisboa, realizados pela primeira vez em 1932.
  • Casamentos de Santo António — casamentos coletivos organizados em Lisboa desde 1958.

Fernando Pessoa escreveu centenas de quadras «ao gosto popular», muitas pensadas para os manjericos.

➜ Oração a Santo António

➜ A noite de Santo António

➜ Manjericão

São João (24 de junho)

Quem foi: São João Batista, o profeta que batizou Jesus no rio Jordão. A Igreja celebra o seu nascimento a 24 de junho — seis meses antes do Natal, porque o Evangelho de Lucas diz que era seis meses mais velho do que Jesus.

É a grande festa do Porto e de Braga, mas celebra-se em todo o país.

Os costumes

  • Fogueiras — acendem-se fogueiras e há quem salte por cima delas. Queimam-se ervas aromáticas, como rosmaninho e alecrim.
  • Alho-porro — no Porto, era costume bater levemente na cabeça das pessoas com um alho-porro, como saudação e desejo de sorte.
  • Martelinhos — os martelos de plástico que o substituíram em grande parte foram criados em 1963.
  • Cascatas sanjoaninas — pequenos presépios populares com figuras de santos e cenas da vida do bairro.
  • Balões e fogo de artifício — sobre o Douro, à meia-noite.
  • Sortes de São João — adivinhações de amor, como queimar a flor de uma alcachofra e ver se volta a florescer na manhã seguinte.

➜ Simpatia da noite de São João

➜ Alecrim

São Pedro (29 de junho)

Quem foi: São Pedro, pescador da Galileia e apóstolo de Jesus, considerado o primeiro Papa. A Igreja celebra-o no mesmo dia que São Paulo.

É o padroeiro dos pescadores, por isso tem festas fortes em terras ligadas ao mar, como a Póvoa de Varzim, e também no interior, como Évora e Sintra. Também há fogueiras, arraiais e sardinha assada.

E a sardinha?

A sardinha assada é o prato das festas por uma razão prática: junho é a época em que está mais gorda e saborosa, e era um peixe barato e abundante. É um costume de mesa, não um ritual.

Raízes pagãs? Uma hipótese

As festas de junho coincidem com o solstício de verão (por volta de 21 de junho). Muitos autores defendem que as fogueiras, os banhos de orvalho e as ervas colhidas nesta noite podem continuar antigas celebrações do solstício.

É uma hipótese plausível, mas não comprovada para cada costume em particular. O que está documentado é que a Igreja fixou estas datas pelos santos e que o povo lhes juntou práticas de proteção, amor e sorte ao longo dos séculos.

➜ Solstício de verão

➜ Paganismo

Segurança nas fogueiras e balões

  • Faça fogueiras apenas em locais autorizados, longe de casas, carros e vegetação seca.
  • Saltar fogueiras causa queimaduras todos os anos: evite-o, sobretudo com crianças.
  • Os balões de papel com chama podem provocar incêndios; em muitos períodos e locais o seu lançamento é proibido.
  • Tenha sempre água ou um extintor por perto.

➜ Como usar velas com segurança

Continue a ler

➜ Calendário mágico

➜ Feitiçaria portuguesa

➜ Velas dos santos

Fontes

  • Visão, «Dos casamentos de Santo António às marchas populares: a história das tradições das festas de Lisboa», 12 jun. 2024 — visao.pt
  • Wikipédia, «Marchas populares de Lisboa» — pt.wikipedia.org
  • N-Notícias, «São João no Porto: martelinhos, alho-porro e tradições» — n-noticias.pt
  • Bíblia, Evangelho segundo São Lucas 1, 36 (Isabel no sexto mês)

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