O candomblé é uma religião afro-brasileira. Formou-se no século XIX, sobretudo na Bahia, entre africanos escravizados e os seus descendentes, que preservaram no Brasil o culto das divindades da África Ocidental e Central.
É uma religião viva, com sacerdotes, comunidades, língua ritual e regras próprias. Não é «magia» nem um conjunto de «trabalhos», como por vezes se anuncia. Esta página apresenta-a com o respeito que merece.
Origem
Durante mais de três séculos, milhões de africanos foram levados à força para o Brasil. Muitos vinham das regiões dos atuais Nigéria e Benim (povos iorubá e jeje) e da África Central (povos bantos).
Na Bahia, sobretudo em Salvador, estas comunidades organizaram casas de culto. A tradição oral conta que o terreiro da Casa Branca do Engenho Velho (Ilê Axé Iyá Nassô Oká) nasceu na primeira metade do século XIX, pela liderança de mulheres africanas, entre elas Iyá Nassô. Em 1984, foi o primeiro monumento da cultura negra protegido como património histórico do Brasil.
O culto foi durante muito tempo perseguido pela polícia e alvo de preconceito. Muitos fiéis ligavam os orixás aos santos católicos, o que ajudou o candomblé a sobreviver.
As «nações»
O candomblé não é uniforme. Divide-se em nações, conforme a origem africana:
| Nação | Origem e língua ritual |
|---|---|
| Ketu (ou nagô) | Iorubá |
| Jeje | Línguas ewe-fon |
| Angola | Línguas bantas |
Crenças
- Olodumare (ou Olorum), o Deus supremo e criador, considerado distante e sem culto direto.
- Os orixás, divindades ligadas a forças da natureza e a aspetos da vida (nas nações jeje e angola usam-se outros nomes, como voduns e inquices).
- O axé, a força vital que circula entre as pessoas, os orixás e a natureza, e que o culto procura manter.
- Os antepassados, também honrados.
Cada pessoa teria um orixá «dono da cabeça», identificado através da adivinhação com búzios.
Alguns orixás
- Exu — mensageiro entre os humanos e os orixás. Não é o diabo, apesar de essa associação ter sido feita no passado.
- Ogum — o ferro, o trabalho, os caminhos.
- Oxóssi — a caça e a mata.
- Xangô — a justiça e o trovão.
- Oxum — as águas doces, a fertilidade.
- Iemanjá — o mar, a maternidade.
- Oxalá — o mais velho dos orixás, ligado à criação e à paz.
➜ Búzios: a adivinhação africana
Terreiros e iniciação
O culto faz-se no terreiro, uma casa autónoma dirigida por uma mãe de santo (ialorixá) ou um pai de santo (babalorixá). Muitas das casas mais antigas e respeitadas foram sempre dirigidas por mulheres.
A iniciação chama-se «fazer o santo» ou «fazer a cabeça». O iniciado passa um período de recolhimento no terreiro, aprende os fundamentos do seu orixá e recebe um novo nome.
Nas festas públicas, com cânticos e atabaques, os orixás manifestam-se, segundo a crença, através dos iniciados em transe. As oferendas podem incluir alimentos e, em algumas casas, animais.
Candomblé, umbanda e santería
- A umbanda é uma religião brasileira mais recente, muito marcada pelo espiritismo e centrada nos guias espirituais.
- A santería é a «prima» cubana do candomblé, também de origem iorubá.
➜ Santería, a religião afro-cubana
Respeito e cuidado
Há hoje casas de candomblé fora do Brasil, incluindo em Portugal. Quem se interessa deve aproximar-se com respeito, através de uma comunidade séria. Desconfie de anúncios que vendem «trabalhos de candomblé» para o amor ou o dinheiro: isso não representa a religião.
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Fontes
- «Candomblé», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Candomblé», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- «Casa Branca do Engenho Velho», Wikipédia — pt.wikipedia.org