A santería é uma religião nascida em Cuba, entre os africanos escravizados de origem iorubá e os seus descendentes. Hoje é praticada em Cuba, nos Estados Unidos, na América Latina e também na Europa.
É uma religião viva, com sacerdotes, comunidades e regras próprias. Não é um conjunto de «feitiços», como por vezes se ouve. Esta página apresenta-a com o respeito que merece.
O nome
«Santería» quer dizer, literalmente, «o caminho dos santos». O nome foi dado de fora, a partir da ligação aparente aos santos católicos.
Muitos praticantes preferem outros nomes:
- Regla de Ocha («regra dos orixás»), ou Regla de Ocha-Ifá;
- Lucumí (ou Lukumí), o nome dado em Cuba aos iorubás e à sua língua ritual.
Origem
Entre os séculos XVI e XIX, centenas de milhares de africanos foram levados à força para Cuba, sobretudo no século XIX, para trabalhar nas plantações de açúcar. Muitos vinham da região iorubá, nos atuais Nigéria e Benim.
Organizados em cabildos — associações de pessoas da mesma origem africana, autorizadas pelas autoridades coloniais —, conseguiram preservar a sua língua, os seus cânticos e o culto dos orixás.
Crenças principais
- Olodumare (ou Olofi, Olorun) — o Deus supremo e criador, distante do dia a dia.
- Orixás (orishas) — divindades que governam forças da natureza e aspetos da vida.
- Aché (ashé) — a energia divina que tudo move.
- Egún — os antepassados, também honrados.
Cada pessoa teria um orixá «dono da cabeça», que a acompanha e protege, identificado pelos sacerdotes através da adivinhação.
O sincretismo com os santos católicos
Como o culto africano era perseguido, os orixás foram associados a santos católicos. Alguns exemplos conhecidos:
| Orixá | Santo associado em Cuba |
|---|---|
| Changó | Santa Bárbara |
| Ochún | Virgem da Caridade do Cobre |
| Yemayá | Virgem de Regla |
| Obatalá | Nossa Senhora das Mercês |
| Babalú Ayé | São Lázaro |
| Ogún | São Pedro ou São Jorge (varia) |
Os historiadores debatem se era um «disfarce» ou uma verdadeira fusão de crenças. Provavelmente foi as duas coisas, conforme as pessoas e as épocas.
Sacerdotes e iniciação
- Santeros e santeras (babalochas e iyalochas) — iniciados que dirigem uma casa religiosa, o ilé.
- Babalawos — sacerdotes de Orula (Orunmila), especialistas na adivinhação de Ifá.
A iniciação principal chama-se kariocha («fazer o santo»). Depois dela, o novo iniciado, o iyawó, passa geralmente um ano vestido de branco e segue várias regras de comportamento.
Adivinhação
A adivinhação é central. Usam-se búzios (o diloggún), cocos partidos e, entre os babalawos, instrumentos próprios de Ifá. Serve para aconselhar e orientar, não para «fazer trabalhos».
➜ Búzios
Um tema delicado: os sacrifícios
Alguns rituais incluem o sacrifício de animais (geralmente aves), que depois são muitas vezes consumidos. Isto gerou conflitos legais nos EUA.
Em 1993, o Supremo Tribunal norte-americano decidiu, no caso Church of the Lukumi Babalu Aye v. City of Hialeah, que uma cidade não podia proibir estes rituais apenas por serem de uma religião específica.
O Grimório.pt descreve esta prática como facto histórico e religioso. Não a ensina nem a recomenda.
Parentes próximos
A santería tem muito em comum com o candomblé brasileiro: ambos vêm da tradição iorubá. Mas as línguas, os rituais e os nomes dos orixás variam.
➜ Umbanda
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Fontes
- The Pluralism Project (Harvard University), «"Santería": La Regla de Ocha-Ifá and Lukumí» — pluralism.org
- Brown, David H., Santería Enthroned, University of Chicago Press, 2003
- Supremo Tribunal dos EUA, Church of the Lukumi Babalu Aye v. City of Hialeah, 508 U.S. 520 (1993) — justia.com
- Wikipedia, «Santería» — en.wikipedia.org