Rezar pelos mortos é uma das práticas religiosas mais antigas e mais portuguesas. Faz-se em funerais, missas de sétimo dia, aniversários de morte e, sobretudo, no Dia de Fiéis Defuntos, a 2 de novembro.
Nesta página encontra a oração mais curta e mais usada, o salmo tradicional dos defuntos, a história das alminhas e uma oração pessoal para quem está de luto.
«Dai-lhe, Senhor, o eterno descanso»
É a oração pelos mortos mais rezada em Portugal. Vem da antiga liturgia latina (Requiem aeternam dona eis, Domine). A versão portuguesa corrente é:
Dai-lhe, Senhor, o eterno descanso,
entre os esplendores da luz perpétua.
Descanse em paz.
Ámen.
Quando se reza por várias pessoas, diz-se no plural: «Dai-lhes… Descansem em paz.» Costuma rezar-se depois de um Pai-Nosso e de uma Ave-Maria.
O Salmo 130: «Do fundo do abismo»
O Salmo 130 (129 na numeração grega) é conhecido pelas suas primeiras palavras em latim, De profundis. Durante séculos foi o salmo rezado pelos defuntos. Na Bíblia da Conferência Episcopal Portuguesa começa assim:
Do fundo do abismo clamo a ti, Senhor.
— Salmo 130, 1
Não é um salmo triste. É um cântico de esperança: «Eu espero no Senhor» (v. 5).
A crença: porque se reza pelos mortos
Na doutrina católica, rezar pelos mortos está ligado à crença no purgatório: as almas que ainda não estão prontas para o céu podem ser ajudadas pelas orações e boas obras dos vivos.
Esta é uma crença religiosa, não um facto demonstrável. Outras tradições cristãs, como as igrejas protestantes, não rezam pelos mortos da mesma forma. No espiritismo, a oração pelos desencarnados tem outro enquadramento.
As alminhas: uma tradição portuguesa
As alminhas são pequenos nichos ou painéis de azulejo, à beira dos caminhos, que mostram as almas do purgatório entre chamas, muitas vezes com Cristo, Nossa Senhora ou São Miguel.
Segundo o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, surgiram depois do Concílio de Trento (1545–1563), ligadas às Confrarias das Almas. São muito frequentes a norte do Mondego.
Quem passava fazia o sinal da cruz, rezava um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, deixava flores ou acendia uma lamparina de azeite.
Oração para quem está de luto
Texto redigido pelo Grimório.pt, para rezar por alguém querido:
Senhor, lembro-me hoje de [nome].
Obrigado pelo tempo que vivemos juntos.
Perdoai-lhe o que precisar de perdão
e dai-lhe a vossa paz e a vossa luz.
E a mim, dai-me força para continuar.
Ámen.
Quando se reza
- No funeral e na missa de sétimo dia.
- A 1 e 2 de novembro: Todos os Santos e Fiéis Defuntos, com visita ao cemitério.
- No aniversário da morte.
- Diante de uma fotografia, com uma vela acesa, em casa.
Se acender velas ou lamparinas, use um suporte estável, longe de cortinas e flores secas, e nunca as deixe acesas sem vigilância.
➜ Como usar velas com segurança
Uma nota sobre o luto
A oração pode trazer conforto. Mas o luto pode ser muito pesado. Se a tristeza não abranda com o tempo, se deixar de conseguir dormir, comer ou trabalhar, fale com o seu médico de família ou com um psicólogo. Pedir ajuda também é cuidar da memória de quem partiu.
Continue a ler
➜ A alma nas tradições espirituais
➜ Os espíritos dos mortos no Livro de São Cipriano
Fontes
- Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, «Alminhas: Portugal foi o único país a criar estes monumentos» — snpcultura.org
- Conferência Episcopal Portuguesa, Bíblia Sagrada, Salmo 130 — conferenciaepiscopal.pt/biblia/index.php/Sl_130
- Wikipedia, «Alminhas» — en.wikipedia.org/wiki/Alminhas