O triskele (ou trísceles, em português) é um símbolo formado por três braços curvos ou três espirais que saem de um centro comum e rodam no mesmo sentido. Dá a sensação de movimento, como uma roda a girar.
Costuma ser chamado «símbolo celta», mas é muito mais antigo e muito mais espalhado. E tem uma presença forte em Portugal, nas pedras dos castros do Noroeste.
A forma e as variações
- Tripla espiral: três espirais unidas (a forma dos megálitos).
- Trísceles de braços curvos: três «vírgulas» a rodar (a forma castreja e celta).
- Três pernas: três pernas dobradas a correr, como na Sicília e na ilha de Man.
- Formas aparentadas: o tetrásceles (quatro braços, próximo da suástica curva) e o pentásceles (cinco braços).
Não existe um caractere Unicode próprio para o triskele.
Primeiras ocorrências
- Neolítico: triplas espirais em Malta (4.º milénio a.C.) e no túmulo de Newgrange, na Irlanda (c. 3200 a.C.) — mais de dois mil anos antes dos celtas.
- Grécia antiga: em cerâmica, escudos de hoplitas e moedas da Lícia.
- Sicília: as três pernas tornam-se emblema da ilha desde o séc. IV a.C. (a Trinacria).
- Idade do Ferro europeia: motivo frequente na arte celta de La Tène.
- Ilha de Man: as três pernas surgem na heráldica medieval; a bandeira atual foi oficializada em 1932.
Em Portugal: os trísceles castrejos
Na cultura castreja (Idade do Ferro e época romana), no Norte de Portugal e na Galiza, o trísceles e as suas variantes são dos motivos mais comuns na pedra decorada.
A Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, expõe elementos arquitetónicos com trísceles, tetrásceles e pentásceles vindos da Citânia de Briteiros, do Castro de Sabroso e de outros castros minhotos. Aparecem em ombreiras, lintéis e peças decoradas das casas.
Estes motivos convivem com suásticas curvas, rosetas e entrançados. Hoje o trísceles é usado como símbolo de identidade regional, sobretudo na Galiza e nas Astúrias.
O que significava?
Não sabemos com certeza. Os povos castrejos e celtas não deixaram textos a explicar os seus símbolos.
Os arqueólogos propõem leituras como um sinal solar ou de movimento cíclico, ou uma função protetora da casa. São hipóteses, mais ou menos prováveis, mas não factos.
Interpretações modernas
As leituras mais repetidas na internet são modernas:
- terra, mar e céu;
- passado, presente e futuro;
- corpo, mente e espírito;
- vida, morte e renascimento;
- no neopaganismo, a deusa tríplice (donzela, mãe, anciã).
Algumas vêm do renascimento celta dos séculos XIX e XX, outras do neopaganismo. Podem ter valor para quem as pratica, mas não devem ser apresentadas como o significado original.
Os cristãos irlandeses usaram também figuras triplas (como o triquetra) para evocar a Santíssima Trindade, mas isso é posterior e não explica o triskele pré-histórico.
Continue a ler
Fontes
- Sociedade Martins Sarmento, Elemento arquitetónico decorado com trísceles — csarmento.uminho.pt
- Sociedade Martins Sarmento, Citânia de Briteiros — csarmento.uminho.pt
- «Triskelion», Wikipedia — en.wikipedia.org
- National Geographic Portugal, «Citânia de Briteiros: ícone da cultura castreja» — nationalgeographic.pt