O símbolo yin-yang ☯ é um círculo dividido por uma linha em «S» em duas metades, uma escura e uma clara. Em cada metade há um pequeno ponto da cor oposta.
O seu nome chinês é taijitu, «diagrama do princípio supremo» (taiji). Representa uma ideia central do pensamento chinês: tudo resulta do jogo de duas forças opostas e complementares, o yin e o yang.
Um ponto importante logo à partida: a ideia é muito antiga, mas o desenho que conhecemos é recente — tem poucos séculos.
Ficha
| Símbolo | Yin-yang ☯ |
|---|---|
| Nome chinês | Taijitu (diagrama do princípio supremo) |
| Sentido original das palavras | Encosta sombria / encosta soalheira |
| Uso filosófico | A partir do séc. IV a.C. |
| Primeiro «diagrama» | Zhou Dunyi (séc. XI) |
| Forma atual | Lai Zhide (séc. XVI, dinastia Ming) |
| Nome «símbolo yin-yang» | Popular no Ocidente desde os anos 1960 |
| Unicode | U+262F ☯ |
O que são yin e yang
Originalmente, as palavras referiam-se à geografia. Yin era o lado sombrio, virado a norte, de uma colina; yang era o lado soalheiro, virado a sul.
Este sentido ainda se vê em nomes de lugares chineses. Luoyang significa «margem norte do rio Luo» (a que recebe mais sol); Huayin, «lado norte do monte Hua» (o que recebe menos).
Daí nasceram pares de ideias:
| Yin | Yang |
|---|---|
| Sombra | Luz |
| Frio | Calor |
| Repouso | Movimento |
| Contração | Expansão |
| Terra | Céu |
| Noite | Dia |
Não são bem e mal. Nenhum é melhor do que o outro. Cada um contém o germe do outro (os pontos) e transforma-se no outro, como a noite no dia.
Origem da ideia
O par yin-yang atravessa todo o pensamento chinês:
- no I Ching (Livro das Mutações), as linhas inteiras (yang) e partidas (yin) combinam-se em 64 hexagramas. O núcleo do livro data da dinastia Zhou do Oeste; um estudioso situa a sua compilação no fim do séc. IX a.C.;
- segundo o historiador de ciência Joseph Needham, o uso filosófico das palavras começa por volta do séc. IV a.C., associado a Zou Yan e à Escola dos Naturalistas, que ligou o yin-yang às Cinco Fases (madeira, fogo, terra, metal, água);
- o conceito passou para o taoismo, o confucionismo e a medicina tradicional chinesa.
Uma curiosidade europeia
O filósofo e matemático alemão Gottfried Leibniz escreveu em 1703 o primeiro comentário europeu ao I Ching. Viu nas linhas inteiras e partidas uma confirmação do seu sistema binário (0 e 1), a base da informática atual.
Origem do desenho
O desenho que hoje conhecemos é muito mais recente do que a ideia:
- Séc. XI: o filósofo neoconfucionista Zhou Dunyi (1017–1073) escreve a Explicação do Diagrama do Princípio Supremo (Taijitu shuo). O texto abre com a fórmula «sem polo e, contudo, polo supremo». O seu diagrama é feito de círculos, ainda diferente do atual.
- Séc. XIV: Zhao Huiqian (1351–1395) publica, nos anos 1370, diagramas com formas em remoinho.
- Séc. XVI: Lai Zhide (1525–1604), já na dinastia Ming, simplifica-o nas duas formas entrelaçadas com os dois pontos — a base do símbolo atual.
Os «yin-yang» romanos
No Notitia Dignitatum, uma lista de cargos e unidades do Império Romano (c. 400 d.C.), alguns escudos de infantaria têm desenhos muito parecidos. É o caso das unidades armigeri defensores seniores e Mauri Osismiaci, com pontos vermelhos em vez de pontos da cor oposta.
Quem chamou a atenção para isto foi o investigador Giovanni Monastra. Os escudos são cerca de 700 anos mais antigos do que os primeiros diagramas chineses, mas não há qualquer ligação conhecida: é uma coincidência de forma.
Usos atuais
- Na bandeira da Coreia do Sul (Taegeukgi), adotada em 1882–1883 e fixada em 1949, o círculo central (taegeuk) é uma variante em vermelho (yang) e azul (yin), rodeada de quatro trigramas do I Ching.
- Nas artes marciais e no tai chi (taiji quan), cujo nome vem do mesmo conceito de taiji.
- No Ocidente, desde os anos 1960, tornou-se um símbolo popular de equilíbrio, em joias e tatuagens.
Afirmação comum | O que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «O símbolo tem milhares de anos» | A ideia sim; o desenho atual é do séc. XVI. |
| «Yin é o mal e yang o bem» | Não. São complementares; nenhum é melhor. |
| «Yin é a mulher e yang o homem» | Associação existente, mas redutora: são processos e relações. |
| «Os romanos copiaram o símbolo chinês» | Não há ligação conhecida; é coincidência de forma. |
| «Usar o símbolo equilibra a energia» | Crença moderna, sem prova. |
Interpretações no Ocidente
No esoterismo ocidental e na Nova Era, o yin-yang é muitas vezes identificado com feminino e masculino, ou com «energias» a equilibrar em rituais. Estas leituras simplificam a filosofia chinesa, onde yin e yang descrevem sobretudo processos e relações, não entidades fixas.
A ideia de equilíbrio pode ser uma boa imagem para refletir. Mas o yin-yang não é um remédio: na medicina tradicional chinesa é um conceito teórico, e não substitui o médico.
➜ New Age
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Fontes
- «Taijitu», Wikipedia (Zhou Dunyi, Zhao Huiqian, Lai Zhide) — en.wikipedia.org
- «Yin and yang», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «I Ching», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Notitia Dignitatum», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Flag of South Korea», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Robin R. Wang, Yinyang: The Way of Heaven and Earth in Chinese Thought and Culture, Cambridge University Press, 2012