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🔯 Símbolos

Yin-yang: os opostos complementares

O yin-yang ☯ explicado: a ideia chinesa de opostos complementares, o I Ching, o taijitu de Zhou Dunyi, a forma atual da dinastia Ming e os usos de hoje.

5 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O que são yin e yang
  3. Origem da ideia
  4. Origem do desenho
  5. Usos atuais
  6. Afirmação comum | O que se sabe
  7. Interpretações no Ocidente
  8. Continue a ler
  9. Fontes

O símbolo yin-yang ☯ é um círculo dividido por uma linha em «S» em duas metades, uma escura e uma clara. Em cada metade há um pequeno ponto da cor oposta.

O seu nome chinês é taijitu, «diagrama do princípio supremo» (taiji). Representa uma ideia central do pensamento chinês: tudo resulta do jogo de duas forças opostas e complementares, o yin e o yang.

Um ponto importante logo à partida: a ideia é muito antiga, mas o desenho que conhecemos é recente — tem poucos séculos.

Ficha

Símbolo Yin-yang ☯
Nome chinês Taijitu (diagrama do princípio supremo)
Sentido original das palavras Encosta sombria / encosta soalheira
Uso filosófico A partir do séc. IV a.C.
Primeiro «diagrama» Zhou Dunyi (séc. XI)
Forma atual Lai Zhide (séc. XVI, dinastia Ming)
Nome «símbolo yin-yang» Popular no Ocidente desde os anos 1960
Unicode U+262F ☯

O que são yin e yang

Originalmente, as palavras referiam-se à geografia. Yin era o lado sombrio, virado a norte, de uma colina; yang era o lado soalheiro, virado a sul.

Este sentido ainda se vê em nomes de lugares chineses. Luoyang significa «margem norte do rio Luo» (a que recebe mais sol); Huayin, «lado norte do monte Hua» (o que recebe menos).

Daí nasceram pares de ideias:

Yin Yang
Sombra Luz
Frio Calor
Repouso Movimento
Contração Expansão
Terra Céu
Noite Dia

Não são bem e mal. Nenhum é melhor do que o outro. Cada um contém o germe do outro (os pontos) e transforma-se no outro, como a noite no dia.

Origem da ideia

O par yin-yang atravessa todo o pensamento chinês:

  • no I Ching (Livro das Mutações), as linhas inteiras (yang) e partidas (yin) combinam-se em 64 hexagramas. O núcleo do livro data da dinastia Zhou do Oeste; um estudioso situa a sua compilação no fim do séc. IX a.C.;
  • segundo o historiador de ciência Joseph Needham, o uso filosófico das palavras começa por volta do séc. IV a.C., associado a Zou Yan e à Escola dos Naturalistas, que ligou o yin-yang às Cinco Fases (madeira, fogo, terra, metal, água);
  • o conceito passou para o taoismo, o confucionismo e a medicina tradicional chinesa.

➜ Astrologia chinesa

Uma curiosidade europeia

O filósofo e matemático alemão Gottfried Leibniz escreveu em 1703 o primeiro comentário europeu ao I Ching. Viu nas linhas inteiras e partidas uma confirmação do seu sistema binário (0 e 1), a base da informática atual.

Origem do desenho

O desenho que hoje conhecemos é muito mais recente do que a ideia:

  • Séc. XI: o filósofo neoconfucionista Zhou Dunyi (1017–1073) escreve a Explicação do Diagrama do Princípio Supremo (Taijitu shuo). O texto abre com a fórmula «sem polo e, contudo, polo supremo». O seu diagrama é feito de círculos, ainda diferente do atual.
  • Séc. XIV: Zhao Huiqian (1351–1395) publica, nos anos 1370, diagramas com formas em remoinho.
  • Séc. XVI: Lai Zhide (1525–1604), já na dinastia Ming, simplifica-o nas duas formas entrelaçadas com os dois pontos — a base do símbolo atual.

Os «yin-yang» romanos

No Notitia Dignitatum, uma lista de cargos e unidades do Império Romano (c. 400 d.C.), alguns escudos de infantaria têm desenhos muito parecidos. É o caso das unidades armigeri defensores seniores e Mauri Osismiaci, com pontos vermelhos em vez de pontos da cor oposta.

Quem chamou a atenção para isto foi o investigador Giovanni Monastra. Os escudos são cerca de 700 anos mais antigos do que os primeiros diagramas chineses, mas não há qualquer ligação conhecida: é uma coincidência de forma.

Usos atuais

  • Na bandeira da Coreia do Sul (Taegeukgi), adotada em 1882–1883 e fixada em 1949, o círculo central (taegeuk) é uma variante em vermelho (yang) e azul (yin), rodeada de quatro trigramas do I Ching.
  • Nas artes marciais e no tai chi (taiji quan), cujo nome vem do mesmo conceito de taiji.
  • No Ocidente, desde os anos 1960, tornou-se um símbolo popular de equilíbrio, em joias e tatuagens.

Afirmação comum | O que se sabe

Afirmação comum O que se sabe
«O símbolo tem milhares de anos» A ideia sim; o desenho atual é do séc. XVI.
«Yin é o mal e yang o bem» Não. São complementares; nenhum é melhor.
«Yin é a mulher e yang o homem» Associação existente, mas redutora: são processos e relações.
«Os romanos copiaram o símbolo chinês» Não há ligação conhecida; é coincidência de forma.
«Usar o símbolo equilibra a energia» Crença moderna, sem prova.

Interpretações no Ocidente

No esoterismo ocidental e na Nova Era, o yin-yang é muitas vezes identificado com feminino e masculino, ou com «energias» a equilibrar em rituais. Estas leituras simplificam a filosofia chinesa, onde yin e yang descrevem sobretudo processos e relações, não entidades fixas.

A ideia de equilíbrio pode ser uma boa imagem para refletir. Mas o yin-yang não é um remédio: na medicina tradicional chinesa é um conceito teórico, e não substitui o médico.

➜ New Age

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➜ Os 4 elementos na magia

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Fontes

  • «Taijitu», Wikipedia (Zhou Dunyi, Zhao Huiqian, Lai Zhide) — en.wikipedia.org
  • «Yin and yang», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «I Ching», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Notitia Dignitatum», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Flag of South Korea», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Robin R. Wang, Yinyang: The Way of Heaven and Earth in Chinese Thought and Culture, Cambridge University Press, 2012

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