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🔯 Símbolos

Triquetra: o nó de três pontas

A triquetra explicada: moedas antigas da Anatólia, arte anglo-saxónica e irlandesa, o Livro de Kells, a leitura da Trindade (séc. XIX), a Wicca e a série Charmed.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Triquetra e triskele: não confundir
  3. As origens: muito antes dos celtas cristãos
  4. Na arte insular: o Livro de Kells
  5. A leitura da Santíssima Trindade
  6. Na Wicca e no neopaganismo
  7. Na cultura popular
  8. Mitos modernos a desfazer
  9. Continue a ler
  10. Fontes

A triquetra é um desenho formado por três arcos entrelaçados que dão três pontas, como três folhas unidas no centro. Muitas vezes vem rodeada por um círculo.

É hoje conhecida como «nó celta», símbolo da Santíssima Trindade e, para muitos, um símbolo wiccano ou de bruxaria — em parte graças à série de televisão Charmed.

Mas a história é mais longa e menos simples. Nesta página separamos o que se sabe das origens das leituras que lhe foram dadas depois.

Ficha

Campo Informação
Nome Triquetra (latim triquetrus, «de três cantos»)
Outros nomes Nó da Trindade, nó celta de três pontas
Origem mais antiga conhecida Anatólia e Pérsia, c. séc. IV a.C. (cerâmica, moedas)
Culturas Antiga do Mediterrâneo oriental, anglo-saxónica, irlandesa (arte insular), cristã, neopagã
Significados Ornamento; Trindade (leitura cristã tardia); Deusa Tríplice (Wicca moderna)

Triquetra e triskele: não confundir

  • A triquetra é feita de três arcos em forma de lente entrelaçados.
  • O triskele é feito de três espirais ou três pernas que giram a partir do centro.

São parentes visuais, mas têm histórias diferentes.

➜ Triskele

As origens: muito antes dos celtas cristãos

Os exemplos mais antigos conhecidos aparecem em cerâmica decorada da Anatólia e da Pérsia, por volta do séc. IV a.C., e em moedas antigas da Lícia (sul da atual Turquia).

Mais tarde, a triquetra surge na arte germânica: por exemplo, é um tema secundário mas repetido nas pequenas moedas anglo-saxónicas chamadas sceattas, de c. 710–760.

Na arte insular: o Livro de Kells

A triquetra tornou-se famosa na chamada arte insular — a arte cristã da Irlanda e da Grã-Bretanha. A partir do séc. VII, é frequente em:

  • manuscritos iluminados, como o Livro de Kells;
  • trabalho em metal (broches, relicários);
  • cruzes altas de pedra da Irlanda;
  • mobiliário de igreja, como o banco de pedra (frithstool) da Abadia de Hexham, em Inglaterra.

Aqui está o ponto essencial: nestas obras, a triquetra aparece quase sempre como ornamento, entre outros entrelaçados. Não sabemos o que os artistas medievais queriam dizer com ela, e os especialistas avisam que não se deve interpretar demais.

➜ Magia celta e o ogham

A leitura da Santíssima Trindade

A ideia de que a triquetra representa a Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) é hoje muito comum, e a iconografia católica atual usa-a com esse sentido.

Mas é uma leitura documentada sobretudo a partir do séc. XIX, com o renascimento celta. Uma das primeiras referências está na obra do antiquário irlandês George Petrie, The Ecclesiastical Architecture of Ireland (1845). Logo no início do séc. XX, o estudioso da arte celta J. Romilly Allen manifestava dúvidas sobre esse simbolismo.

Ou seja: a triquetra pode ter tido um sentido trinitário para alguns cristãos medievais, mas não está provado.

➜ O triângulo e a Trindade

Na Wicca e no neopaganismo

No neopaganismo moderno, a triquetra ganhou novos sentidos:

  • Na Wicca, é muitas vezes usada como símbolo da Deusa Tríplice (donzela, mãe e anciã) ou como sinal de proteção.
  • No reconstrucionismo celta, pode representar tríades como terra, mar e céu, ou deusas triplas como a Morrígan.

Estas leituras são interpretações modernas (séc. XX), não heranças diretas de uma religião celta antiga.

➜ Wicca

➜ A lua tripla e a deusa tríplice

Muita gente conheceu a triquetra através da série Charmed (1998–2006): estava na capa do Livro das Sombras das irmãs Halliwell e representava o «Poder dos Três». A série ajudou a fixar a ideia de que a triquetra é um «símbolo de bruxas».

Aparece também na série alemã Dark (2017), ligada aos ciclos do tempo, no filme Thor (2011) e em muitos logótipos e jogos. Em joalharia irlandesa, é comum em anéis de noivado e casamento.

Mitos modernos a desfazer

  • «É um antigo símbolo druida.» Não há provas de que os druidas a usassem. Os exemplos famosos são cristãos e medievais.
  • «É um símbolo satânico ou de feitiçaria.» Foi usada em igrejas e manuscritos cristãos durante séculos.
  • «Protege quem a usa.» É uma crença moderna; o símbolo não tem poder próprio comprovado.

Continue a ler

➜ Nó de Salomão

➜ O círculo como símbolo

➜ Todos os símbolos

Fontes

  • «Triquetra», Wikipedia (com bibliografia) — en.wikipedia.org
  • George Petrie, The Ecclesiastical Architecture of Ireland, Dublin, 1845
  • Bernard Meehan, The Book of Kells, Thames & Hudson, 2012

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