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🔯 Símbolos

Vegvísir: a «bússola» islandesa que não é viking

O Vegvísir, a «bússola» islandesa: o manuscrito Huld de 1860, o que diz o texto original, as galdrastafir e porque não é um símbolo viking.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O nome
  3. A fonte: o manuscrito Huld
  4. As galdrastafir: os sinais mágicos islandeses
  5. Porque se diz que é «viking»
  6. Mitos a desfazer
  7. Um paralelo com Portugal
  8. Continue a ler
  9. Fontes

O Vegvísir é um símbolo de oito braços que irradiam de um centro, cada um terminado em pequenos sinais diferentes. Tornou-se muito popular em tatuagens e é vendido quase sempre como «bússola viking».

O problema é que não há qualquer prova de que os vikings o conhecessem. O Vegvísir aparece pela primeira vez num manuscrito islandês de 1860 — cerca de oito séculos depois do fim da Era Viking.

Não é por isso menos interessante. É um bom exemplo de magia popular islandesa e de como a internet cria «tradições antigas».

Ficha

Campo Informação
Nome Vegvísir
Outros nomes «Bússola viking» (nome moderno e errado); «guia do caminho»
Origem mais antiga conhecida Manuscrito Huld, Islândia, 1860 (ÍB 383 4to)
Culturas Magia popular islandesa (séc. XVII–XIX); neopaganismo e cultura pop atuais
Significados Sinal para não se perder no caminho, sobretudo com mau tempo

O nome

Vegvísir junta duas palavras islandesas: vegur, «caminho», e vísir, «o que mostra», «indicador». Quer dizer algo como «o que mostra o caminho».

A fonte: o manuscrito Huld

O Vegvísir está na página 60 do manuscrito Huld, compilado por Geir Vigfússon em Akureyri, no norte da Islândia, em 1860. Hoje está na Biblioteca Nacional da Islândia, em Reiquiavique, com a cota ÍB 383 4to.

O texto que o acompanha diz, em resumo, que quem levar este sinal consigo não se perderá em tempestades nem com mau tempo, mesmo sem conhecer o caminho.

É esta a função original: um amuleto de viagem, numa ilha onde o nevoeiro, a neve e os caminhos de montanha eram perigos reais.

Não se conhecem representações do Vegvísir anteriores a 1860. Aparece também em pelo menos outro livro de magia islandês (Galdrakver), também tardio.

As galdrastafir: os sinais mágicos islandeses

O Vegvísir pertence a uma família de símbolos chamados galdrastafir («sinais de encantamento»). Estão preservados em livros de magia islandeses do século XVII em diante.

O mais conhecido é a Galdrabók, de cerca de 1600, com 47 fórmulas e sinais. Aí aparecem, lado a lado, invocações cristãs, nomes de demónios e deuses nórdicos. Os fins eram muito práticos: proteger no parto e no mar, curar dores de cabeça, descobrir ladrões.

Outro sinal famoso é o Ægishjálmur («elmo do terror»). O nome aparece em textos medievais nórdicos, como o poema Fáfnismál, mas o desenho conhecido hoje também vem destes livros tardios.

➜ Magia nórdica: seiðr, galdr e runas

Porque se diz que é «viking»

A confusão tem várias causas:

  • os livros de magia islandeses usam por vezes runas e nomes de deuses nórdicos, o que dá um ar antigo;
  • a Islândia está ligada, na imaginação popular, às sagas e aos vikings;
  • nos anos 1980, o investigador Stephen Flowers incluiu o Vegvísir na sua edição inglesa da Galdrabók (1989), dando-lhe grande divulgação;
  • a cantora islandesa Björk tem-no tatuado no braço;
  • séries, jogos e lojas online fizeram o resto.

Resultado: um sinal do século XIX passou a ser vendido como «bússola dos vikings».

Mitos a desfazer

  • «Os vikings usavam-no para navegar.» Não há nenhuma prova. Não aparece em pedras rúnicas, sagas ou achados arqueológicos.
  • «É feito de runas.» Os pequenos sinais nas pontas não formam palavras em runas; são traços próprios das galdrastafir.
  • «Protege de verdade quem o usa.» É uma crença da tradição popular islandesa. Hoje é, sobretudo, um símbolo de orientação e de ligação às raízes nórdicas.

Um paralelo com Portugal

A lógica do Vegvísir não é estranha à nossa tradição: também em Portugal se levavam orações escritas junto ao corpo — como as bolsas de mandinga que aparecem nos processos da Inquisição —, para proteção nas viagens e no mar. São expressões diferentes de uma mesma necessidade humana de segurança.

➜ Amuletos e símbolos de proteção

Continue a ler

➜ Runas: o oráculo nórdico

➜ Magia nórdica

➜ Triskele

➜ Todos os símbolos

Fontes

  • «Vegvísir», Wikipedia (manuscrito Huld, ÍB 383 4to, texto original, Galdrakver) — en.wikipedia.org
  • «Icelandic magical staves» e «Galdrabók», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Stephen E. Flowers, The Galdrabók: An Icelandic Grimoire, Samuel Weiser, 1989
  • «Helm of Awe», Wikipedia (Ægishjálmur em Fáfnismál) — en.wikipedia.org

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