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🔯 Símbolos

Tetragrama: as quatro letras do nome de Deus

O Tetragrama יהוה explicado: as quatro letras do nome de Deus, porque não se pronuncia, a origem de «Jeová» e o seu uso em pentáculos, amuletos e arte cristã.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Um nome que não se pronuncia
  3. «Javé» e «Jeová»
  4. No cristianismo e na arte
  5. Na Cabala
  6. Nos pentáculos e amuletos
  7. Mitos a desfazer
  8. Continue a ler
  9. Fontes

O Tetragrama (do grego tetragrámmaton, «de quatro letras») é o nome próprio de Deus na Bíblia hebraica, escrito com quatro consoantes: יהוה, que se transcrevem YHWH (ou YHVH, JHVH).

É talvez o nome mais carregado de respeito — e de mistério — de toda a tradição ocidental. Por isso passou da Bíblia para a liturgia, a arte cristã, a Cabala e, finalmente, para os amuletos e os livros de magia.

Ficha

Campo Informação
Nome Tetragrama, Tetragrámaton
Forma יהוה — iod, he, vav, he (lê-se da direita para a esquerda)
Origem Bíblia hebraica; primeira ocorrência em Génesis 2:4
Frequência Cerca de 6800 vezes na Bíblia hebraica
Culturas Judaísmo, cristianismo, Cabala, magia cerimonial
Significados O nome revelado de Deus; no esoterismo, também os quatro elementos e os quatro mundos

Um nome que não se pronuncia

Na época do Segundo Templo, a pronúncia do nome foi-se tornando reservada. Segundo a tradição judaica, só o sumo sacerdote o dizia, no dia do Yom Kippur. Depois da destruição do Templo (70 d.C.), deixou de ser pronunciado.

Ainda hoje, na leitura, os judeus dizem Adonai («Senhor») ou HaShem («o Nome») em vez de o ler.

A tradução grega da Bíblia (a Septuaginta) e depois o Novo Testamento usaram Kyrios, «Senhor». É por isso que as Bíblias portuguesas escrevem geralmente «o Senhor».

Em 2008, uma instrução do Vaticano pediu que o nome, na forma «Javé» ou «Yahweh», não fosse usado nem pronunciado na liturgia católica, seguindo essa tradição antiga.

«Javé» e «Jeová»

  • Javé (Yahweh): é a pronúncia que a maioria dos estudiosos hoje considera a original.
  • Jeová: nasce da leitura das consoantes YHWH com as vogais de Adonai, que os copistas judeus escreviam por cima para lembrar a leitura. Formas deste tipo aparecem no Pugio Fidei de Raimundo Martí (1278), em Pedro Galatino (c. 1516) e na tradução inglesa de William Tyndale (1530).

No cristianismo e na arte

Na arte cristã, sobretudo a partir do Renascimento e do barroco, o Tetragrama aparece em letras hebraicas dentro de um triângulo ou no centro de uma glória de raios, como imagem de Deus. É um uso devocional, não mágico.

➜ Olho da Providência

➜ O triângulo

Na Cabala

Para os cabalistas, as quatro letras têm leituras próprias. Uma das mais divulgadas liga cada letra a uma parte da Árvore das sefirot e a um dos quatro mundos da criação.

Os cabalistas cristãos do Renascimento foram mais longe. Johann Reuchlin, em De verbo mirifico (1494), ligou o nome hebraico de Jesus ao nome divino escondido. Nestes meios circulou a ideia de formar o nome de Jesus inserindo a letra shin (ש) no meio de YHWH*: YHShWH, o chamado Pentagrammaton («de cinco letras»). É uma construção cristã, *não existe na tradição judaica.

➜ Cabala

➜ Árvore da Vida

Nos pentáculos e amuletos

Os grimórios da tradição salomónica acreditavam que os nomes de Deus davam força às palavras e aos desenhos. Por isso o Tetragrama e outros nomes divinos (Adonai, Elohim, Agla, El, Shaddai) surgem por toda a parte:

  • Nos pentáculos: as Clavículas de Salomão descrevem pentáculos feitos de figuras geométricas, letras sagradas e versículos. Um dos manuscritos franceses tem mesmo o título La Clavicule de Salomon… au nom d'Adonay Tetragrammaton.
  • Nos círculos e anéis: na Goetia (séc. XVII), os nomes divinos rodeiam o círculo mágico, e o anel de Salomão leva o Tetragrama gravado.
  • Nos pentagramas ocultistas: a partir de Éliphas Lévi e da Golden Dawn (séc. XIX), é comum ver as letras de YHWH, ou de YHShWH, nas pontas de um pentagrama.
  • Em amuletos: medalhas e papéis com «Tetragrammaton» escrito circularam na Europa como proteção. É uma crença popular.

Aqui descreve-se o uso histórico. A ideia de que o nome, escrito num objeto, protege ou dá poder é crença, não facto.

➜ Pentáculo

➜ A Chave de Salomão

➜ A Goetia

Mitos a desfazer

  • «Tetragrama» e «pentagrama» são a mesma coisa. Não: o Tetragrama é um nome de quatro letras; o pentagrama é uma estrela de cinco pontas. Só se juntam nos desenhos ocultistas.
  • «Jeová é o nome antigo verdadeiro.» É uma leitura medieval e moderna das quatro consoantes.
  • «Pronunciar o nome dá poder.» É uma crença mágica. Para o judaísmo, o que conta é o respeito pelo nome.

Continue a ler

➜ Pentagrama

➜ O rei Salomão na tradição mágica

➜ Magia judaica popular

➜ Todos os símbolos

Fontes

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