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Magia nórdica: seiðr, galdr e runas

A magia dos povos nórdicos segundo as fontes: o seiðr e a völva da Saga de Érico, o Vermelho, o galdr, as runas de Odin no Hávamál e o Ásatrú moderno.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O seiðr
  3. O galdr
  4. O que é antigo e o que é moderno
  5. O Ásatrú moderno
  6. Continue a ler
  7. Fontes

Vikings, runas e videntes aparecem hoje em séries, tatuagens e oráculos à venda. Mas o que se sabe, de facto, sobre a magia dos antigos povos nórdicos?

As fontes são poucas e tardias. A maior parte vem das sagas islandesas e dos poemas éddicos, escritos já em época cristã, nos séculos XIII e XIV. A arqueologia acrescenta alguns indícios.

Nesta página resumimos o que essas fontes dizem sobre as duas grandes formas de magia — o seiðr e o galdr — e sobre o papel das runas, separando-as das reconstruções modernas.

Ficha

Tema Resumo
Período Idade do Ferro escandinava e Era Viking (c. 800–1050)
Fontes escritas Sagas islandesas, Edda poética, Edda de Snorri (séc. XIII)
Seiðr Magia de visão e de «moldar» o destino, ligada a Freia e Odin
Galdr Magia de cânticos e fórmulas, também escritas em runas
Praticantes Völva (vidente), seiðkona, seiðmaðr
Religião moderna Ásatrú / Heathenry (reconstrução do séc. XX)

O seiðr

O seiðr era uma forma de magia ligada a conhecer e influenciar o futuro. A palavra vem, talvez, de uma raiz que significa «atar» ou «corda» — o que a aproxima da imagem das Nornas a fiar o destino.

Freia, Odin e a vergonha

Segundo a Saga dos Ynglingos, de Snorri Sturluson, foi a deusa Freia quem ensinou o seiðr aos deuses Ases. Odin também o praticava.

Mas o seiðr era visto como coisa de mulheres. Um homem que o praticasse arriscava a acusação de ergi — falta de virilidade, uma ofensa grave naquela sociedade.

A vidente da Groenlândia

A descrição mais completa está na Saga de Érico, o Vermelho (Eiríks saga rauða). Conta a visita de uma vidente, Þorbjörg, a uma quinta da Groenlândia num ano de fome:

  • trazia um manto azul, um capuz de pele de cordeiro negra forrado de pele branca e colares de contas de vidro;
  • usava um bordão com um castão decorado;
  • sentava-se num assento elevado para fazer a sua sessão.

Segundo a saga, para o ritual era preciso alguém que cantasse os cânticos próprios. Só Guðríðr, uma jovem cristã, os sabia, e cantou-os com relutância. Depois, a vidente anunciou o fim da fome.

É um texto literário, escrito cerca de dois séculos depois dos acontecimentos. Não é um relato de testemunha, mas é a melhor imagem que temos.

A arqueologia

Em várias sepulturas femininas da Era Viking foram encontrados bordões de metal. Em Fyrkat (Dinamarca), a sepultura de uma mulher de estatuto elevado tinha um bordão e uma bolsa com sementes de meimendro, planta tóxica. Muitos arqueólogos veem nestas mulheres possíveis völur (videntes).

A palavra völva é geralmente entendida como «a que leva o bordão».

O galdr

O galdr era a magia da palavra cantada: fórmulas e encantamentos para ajudar num parto, proteger na batalha, acalmar ou levantar tempestades.

Tinha até uma métrica poética própria, o galdralag.

Odin e as runas

No poema Hávamál (conservado no Codex Regius, séc. XIII), Odin conta que esteve pendurado numa árvore varrida pelo vento durante nove noites, ferido por uma lança, até tomar as runas (estrofes 139–146).

Logo a seguir, o poema enumera dezoito cânticos mágicos que Odin conhece: contra o fogo, as armas, as doenças (estrofes 147–165).

Runas: escrita e magia

As runas eram, antes de tudo, um alfabeto. Mas algumas inscrições e as sagas mostram que também podiam ter uso mágico. Na Saga de Egil, por exemplo, o herói descobre runas mal gravadas que teriam deixado uma jovem doente e grava outras para a curar.

Na Idade Média e depois, na Islândia, surgiram os «bastões mágicos» (galdrastafir), símbolos desenhados em manuscritos de magia, alguns muito posteriores à Era Viking.

➜ Runas: do alfabeto antigo ao oráculo moderno

➜ Vegvísir: o símbolo islandês que não é «viking»

O que é antigo e o que é moderno

Afirmação O que se sabe
Os vikings praticavam seiðr Provável, segundo sagas e arqueologia, mas com poucos pormenores
Oráculo de runas tiradas de um saco Moderno (século XX)
O Vegvísir é um símbolo viking Falso: vem de manuscritos islandeses do séc. XIX
Ritos de seiðr atuais Reconstruções modernas, como as de Diana Paxson (EUA)

O Ásatrú moderno

No século XX surgiram grupos que procuram recuperar a religião nórdica pré-cristã, com o nome de Ásatrú ou Heathenry.

Na Islândia, a associação Ásatrúarfélagið foi fundada em 1972 pelo poeta e agricultor Sveinbjörn Beinteinsson. Foi reconhecida oficialmente em 1973 e tinha em 2025 cerca de 6000 membros.

O seu rito central é o blót, uma festa com leituras da Edda e brindes aos deuses e aos antepassados.

Um aviso importante

Alguns grupos extremistas usam símbolos nórdicos para fins racistas. A própria Ásatrúarfélagið rejeita publicamente o uso da sua religião para justificar ideias de supremacia. Convém conhecer esta história antes de adotar símbolos nórdicos.

Continue a ler

➜ Magia celta e o ogham

➜ Paganismo

➜ Xamanismo

Fontes

  • Wikipedia, «Seiðr» — en.wikipedia.org
  • Wikipedia, «Völva» e «Hávamál» — en.wikipedia.org
  • Wikipedia, «Ásatrúarfélagið» — en.wikipedia.org
  • Price, Neil, The Viking Way: Magic and Mind in Late Iron Age Scandinavia, Oxbow Books (2.ª ed., 2019)
  • Eiríks saga rauða (Saga de Érico, o Vermelho), séc. XIII

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