A palavra mandala vem do sânscrito e quer dizer simplesmente «círculo». Nas religiões da Índia, designa um desenho organizado à volta de um centro, que representa o cosmos, um lugar sagrado ou a morada de uma divindade.
No Ocidente, a palavra ganhou outros sentidos: com o psiquiatra Carl Gustav Jung, a mandala passou a ser vista como imagem da totalidade da pessoa. Hoje aparece em livros de colorir, ioga e decoração.
Esta página separa estes três planos: a tradição religiosa, a leitura psicológica e o uso moderno.
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome | Mandala (sânscrito maṇḍala, «círculo») |
| Outros nomes | Kyil-khor (tibetano); yantra (forma geométrica hindu, próxima) |
| Origem mais antiga conhecida | Religiões da Índia antiga (hinduísmo, budismo) |
| Culturas | Índia, Tibete, Nepal, Japão, Sudeste Asiático; psicologia ocidental |
| Significados | Cosmos; palácio de uma divindade; apoio à meditação; na psicologia de Jung, o «si-mesmo» |
A estrutura clássica
Uma mandala tradicional tem, quase sempre:
- um centro, onde está a divindade principal ou um símbolo dela;
- um quadrado com quatro portas, uma em cada ponto cardeal;
- círculos exteriores que envolvem tudo.
O quadrado com portas representa um palácio ou templo visto de cima. Os círculos marcam a fronteira entre o espaço sagrado e o mundo exterior.
No hinduísmo
No Rigveda, um dos textos mais antigos da Índia, maṇḍala é o nome dado aos livros em que a obra está dividida. Mais tarde, a palavra passou a designar também diagramas rituais.
Nos rituais hindus usam-se mandalas como a Navagraha mandala, dedicada aos nove «planetas» da astrologia indiana. Muito próximo está o yantra: um diagrama geométrico, com triângulos, círculos e pétalas de lótus, usado como apoio à meditação e ao culto.
No budismo
É no budismo vajrayana (tibetano) que a mandala atinge a sua forma mais elaborada. Aí representa o universo purificado e o palácio de uma divindade de meditação. O praticante visualiza-se a entrar nesse palácio, como exercício espiritual.
Algumas mandalas importantes:
- a mandala de Kalachakra («Roda do Tempo»), ligada a grandes cerimónias de iniciação;
- no Japão, as Mandalas dos Dois Reinos (Reino do Ventre e Reino do Diamante), trazidas pelo monge Kūkai, fundador do budismo Shingon (séc. IX).
As mandalas de areia tibetanas
As mandalas de areia são talvez a imagem mais conhecida. A técnica tem origem na Índia (entre os séculos VIII e XII) e hoje é praticada sobretudo por monges tibetanos.
- São feitas grão a grão, com areia colorida, ao longo de vários dias.
- Os monges treinam anos para as saber executar.
- No fim, a mandala é desfeita: a areia é varrida e deitada em água corrente.
A destruição é intencional. Ensina a impermanência, uma das ideias centrais do budismo: nada do que existe dura para sempre.
Jung e a mandala como imagem do «si-mesmo»
O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875–1961) desenhou a sua primeira mandala em 1916, a que chamou Systema Munditotius («sistema de todos os mundos»). Segundo as suas memórias, nos anos seguintes desenhava-as com frequência, quase como um diário.
Jung notou que formas circulares com centro apareciam em muitas religiões e nos desenhos espontâneos dos seus pacientes. Concluiu que eram uma expressão do Self (o «si-mesmo»): a totalidade da personalidade, que tende para o equilíbrio.
Esta é uma teoria psicológica, e não uma doutrina hindu ou budista. Mas foi graças a Jung que a palavra «mandala» se espalhou no Ocidente.
➜ O ouroboros, outro símbolo estudado por Jung
A mandala hoje
No Ocidente, «mandala» passou a designar quase qualquer desenho circular e simétrico. Os livros de mandalas para colorir tornaram-se muito populares como atividade relaxante.
Colorir ou desenhar pode ajudar a descontrair. Mas convém distinguir: é uma atividade, não um tratamento. Em caso de ansiedade ou sofrimento persistente, o caminho é falar com um médico ou psicólogo.
Também é bom lembrar que, para budistas e hindus, a mandala tradicional é um objeto religioso, com regras e significado próprios.
Continue a ler
➜ Yin-yang
➜ Chakras
Fontes
- «Mandala», Wikipedia (etimologia, Rigveda, yantra, Kalachakra, Dois Reinos, mandalas de areia, Jung) — en.wikipedia.org
- «C. G. Jung's First Mandala», The Gnosis Archive — gnosis.org
- C. G. Jung, Memórias, Sonhos, Reflexões (org. Aniela Jaffé), 1962
- Giuseppe Tucci, Teoria e pratica del mandala, Astrolabio, 1949