Os Enamorados (ou os Amantes) são a carta VI. No baralho de 1909, um homem e uma mulher nus estão num jardim, cada um diante de uma árvore. Por cima deles, um grande anjo de asas abertas estende os braços, debaixo de um sol radiante.
Na tradição de leitura, a carta fala de amor, união e escolha. Poucos arcanos mudaram tanto de desenho ao longo dos séculos: começou como um retrato de noivado, passou a ser um jovem hesitante entre duas mulheres e acabou como Adão e Eva no Paraíso.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Maior |
| Número | VI |
| Nome em Marselha / em inglês | L'Amoureux / The Lovers |
| Golden Dawn | Letra hebraica Zain; signo de Gémeos |
| Palavras-chave (direita) | amor, união, atração, escolha, harmonia |
| Palavras-chave (invertida) | desacordo, escolha adiada, desequilíbrio, tentação |
O desenho
Waite construiu esta carta a partir do Génesis. Os elementos principais são:
- O anjo e o sol: «O sol brilha no zénite e, por baixo, está uma grande figura alada de braços estendidos.» Muitos leitores identificam-no com o arcanjo Rafael; Waite não lhe dá nome.
- As duas árvores: «Atrás do homem está a Árvore da Vida, com doze frutos, e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal está atrás da mulher.» Os frutos da árvore de Adão parecem chamas.
- A serpente enrolada na árvore de Eva: a tentação do relato bíblico.
- A montanha ao centro, entre os dois.
- A nudez: segundo Waite, as figuras sugerem «juventude, virgindade, inocência e amor antes de ser contaminado pelo desejo material grosseiro».
O próprio Waite explica a mudança: a sua carta substitui «a velha carta do casamento» e as «loucuras posteriores» que mostravam «o homem entre o vício e a virtude».
No Tarot de Marselha, L'Amoureux (no singular: «o apaixonado») mostra um jovem entre duas mulheres, uma de cada lado, que parecem puxá-lo em sentidos opostos. Por cima, um Cupido aponta-lhe uma flecha.
Na história
No baralho Visconti-Sforza (c. 1450), a carta chama-se simplesmente o Amor. Mostra um casal que dá as mãos, o gesto do noivado na época, sob um dossel, com um Cupido por cima. Os estudiosos ligam-na ao casamento de Bianca Maria Visconti com Francesco Sforza, no início da década de 1440, que uniu as duas famílias. Um cão branco, símbolo de fidelidade, completa a cena.
Nos baralhos franceses do séc. XVII, o casal deu lugar ao jovem entre duas mulheres. A cena foi lida de muitas maneiras: um noivo entre a mãe e a noiva, ou um homem entre duas pretendentes.
Os ocultistas franceses do séc. XIX, entre eles Éliphas Lévi, leram-na como a escolha entre o vício e a virtude. A ideia vem de uma alegoria antiga, a de Hércules na encruzilhada, contada por Xenofonte a partir do sofista Pródico: um caminho fácil e agradável contra um caminho difícil e honroso.
Em 1909, Waite reduziu as figuras a duas e mudou a cena para o Éden. Segundo a Wikipedia, a redução reforça a ligação a Gémeos, o signo que a Golden Dawn atribuiu à carta, com a letra hebraica Zain.
O significado na tradição
Direita
«Atração, amor, beleza, provações superadas.» — A. E. Waite, 1910
A leitura moderna mantém o amor e a atração, mas acrescenta com frequência a ideia de escolha: uma decisão importante, feita com o coração, que obriga a pôr valores em ordem. Esta leitura vem mais da carta de Marselha do que do desenho de Waite.
Invertida
«Fracasso, planos insensatos. Outra versão fala de casamento frustrado e de contrariedades de toda a espécie.» — A. E. Waite, 1910
Na leitura moderna, invertida costuma indicar desarmonia, valores em conflito, escolhas adiadas ou tomadas por impulso.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. É a carta mais associada ao amor em todo o tarot. Na leitura tradicional, costuma indicar atração, entendimento, uma relação importante ou uma decisão sentimental. Invertida, é lida como desencontro ou dúvida. Não é uma previsão de casamento nem de rutura.
Trabalho. É associada a parcerias, acordos e escolhas entre dois caminhos profissionais. Os leitores costumam relacioná-la com decisões que devem estar de acordo com os próprios valores.
Conselho. Como conselho, a carta é lida como um pedido de coerência: escolher de forma consciente e assumir a escolha. Nenhuma carta escolhe por quem pergunta.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «Os Enamorados anunciam um novo amor» | É uma leitura simbólica; Waite fala de atração e amor, não de um acontecimento certo |
| «Sempre foram Adão e Eva» | Adão e Eva são criação de Waite (1909); antes era um casal ou um jovem entre duas mulheres |
| «O anjo é Rafael» | Identificação comum entre leitores; Waite não nomeia o anjo |
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➜ Carta anterior: O Hierofante (O Papa)
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «VI. The Lovers» — sacred-texts.com; significados divinatórios — sacred-texts.com
- Wikipedia, «The Lovers» — en.wikipedia.org
- Sherryl E. Smith, «L'Amore, L'Amoreux, The Lovers», Tarot Heritage — tarot-heritage.com
- Wikipedia, «Tarot of Marseilles» — en.wikipedia.org
- «Qlickable Qabalah» (atribuições da Golden Dawn) — nofaithinthehumanrace.com