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🎴 As 78 Cartas do Tarot

A Sacerdotisa

A Sacerdotisa no tarot: significado direita e invertida, os pilares B e J e o rolo «Tora», e como a Papisa de Marselha passou a Sacerdotisa.

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Neste artigo
  1. Ficha
  2. O desenho
  3. Na história
  4. O significado na tradição
  5. Na leitura: amor, trabalho e conselho
  6. O que se diz e o que se sabe
  7. Continue a ler
  8. Fontes

A Sacerdotisa é a carta II. Uma mulher de azul está sentada entre duas colunas, uma negra e uma branca, com um rolo parcialmente escondido no colo e uma lua crescente aos pés. Atrás dela, um véu esconde o que está do outro lado.

Na tradição de leitura, é a carta do segredo, da intuição e do saber que não se mostra. Em Portugal muitos ainda lhe chamam a Papisa, o nome que tinha no Tarot de Marselha.

A Sacerdotisa no baralho Rider-Waite de 1909: mulher de azul sentada entre um pilar negro com B e um branco com J, segurando um rolo com a palavra Tora
A Sacerdotisa no baralho Rider-Waite (1909), desenho de Pamela Colman Smith. Domínio público.

Ficha

Campo Informação
Arcano Maior
Número II
Nome em Marselha / em inglês La Papesse / The High Priestess
Outros nomes Papisa, Grande Sacerdotisa
Golden Dawn Letra hebraica Gimel; a Lua
Palavras-chave (direita) segredo, intuição, silêncio, estudo, mistério
Palavras-chave (invertida) superficialidade, segredos revelados, desligamento da intuição

O desenho

Waite descreveu a carta com cuidado. Estes são os símbolos principais:

  • Os dois pilares, «o branco e o negro — J. e B. — do Templo místico». As letras remetem para Jaquim e Boaz, as colunas do Templo de Salomão (1 Reis 7,21), um símbolo muito usado na maçonaria.
  • O rolo onde se lê «Tora», que Waite interpreta como «a Lei Maior». Está meio tapado pelo manto: o conhecimento não se entrega todo.
  • O véu do Templo, «bordado com palmas e romãs», que esconde o que está para lá das colunas.
  • A lua crescente aos pés e o diadema com cornos: imagens lunares. Waite chama-lhe «a Rainha da luz emprestada», porque a Lua brilha com a luz do Sol.
  • A cruz de braços iguais no peito.

No Tarot de Marselha, La Papesse é uma mulher com a tiara papal de três coroas, sentada, de livro aberto no colo, com uma cortina atrás. Não há pilares, nem lua, nem letras hebraicas.

➜ A Lua como símbolo

➜ A Árvore da Vida da Cabala

Na história

Uma «papisa» numa carta de jogar do séc. XV parece estranho, e por isso a carta deu origem a várias teorias.

A teoria de Maifreda. A investigadora Gertrude Moakley, seguida por Michael Dummett, propôs que a Papisa do baralho Visconti-Sforza representasse Maifreda da Pirovano, freira e parente dos Visconti. A seita dos guglielmitas, em Milão, tê-la-ia escolhido como «papisa». Maifreda foi queimada pela Inquisição em 1300. A teoria é engenhosa, mas é discutida: há quem note que a figura veste um hábito franciscano, não o da ordem de Maifreda.

A lenda da Papisa Joana. Outros ligaram a carta à lenda medieval de uma mulher que teria sido papa disfarçada de homem. É uma lenda, sem base histórica, e a ligação à carta também não está provada.

Uma alegoria da Igreja. A leitura mais simples é que a figura represente a Igreja ou a Fé, como outras cartas representam virtudes. Figuras femininas com tiara e chaves aparecem noutras obras de arte religiosa.

Nos países protestantes, a carta incomodava. Nos baralhos de Besançon foi substituída por Juno, e noutros lugares por figuras sem ligação à Igreja.

Em 1781, Antoine Court de Gébelin chamou-lhe Grande Prêtresse (Grande Sacerdotisa) e ligou-a ao Egito e a Ísis. A ideia não tinha base, mas pegou. A Golden Dawn manteve o nome e Waite (1909) deu-lhe a forma que hoje se conhece.

➜ História do tarot

O significado na tradição

Direita

«Segredos, mistério, o futuro ainda não revelado; […] silêncio, tenacidade; mistério, sabedoria, ciência.» — A. E. Waite, 1910

A lista de Waite inclui ainda «a mulher que interessa ao consulente», se este for homem, ou a própria consulente, se for mulher. É um resto da cartomancia do séc. XIX, em que certas cartas representavam pessoas.

A leitura moderna acentua a intuição: a Sacerdotisa pede silêncio, estudo, paciência e atenção ao que não é dito. É a carta do saber interior, em contraste com o Mago, que age para fora.

Invertida

«Paixão, ardor moral ou físico, presunção, conhecimento superficial.» — A. E. Waite, 1910

Na leitura moderna, invertida costuma indicar segredos que vêm à luz, desconfiança da própria intuição ou conhecimento apenas de fachada.

Na leitura: amor, trabalho e conselho

Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar algo que ainda não foi dito: sentimentos guardados, uma pessoa reservada, ou uma situação que precisa de tempo para se esclarecer. Invertida, é lida como segredos ou pouca clareza.

Trabalho. Costuma ser associada a estudo, investigação, discrição e informação que ainda não está completa. Na tradição, sugere esperar antes de decidir.

Conselho. Como conselho, a carta é lida como um convite a ouvir mais e falar menos, e a não forçar respostas que ainda não existem. A intuição é um ponto de partida para refletir, não uma prova.

O que se diz e o que se sabe

Afirmação comum O que se sabe
«A carta representa a Papisa Joana» Hipótese antiga; a Papisa Joana é lenda e a ligação à carta não está provada
«A Sacerdotisa vem do antigo Egito» Ideia de Court de Gébelin (1781); o tarot nasceu no Norte de Itália no séc. XV
«B e J são letras mágicas secretas» Remetem às colunas Boaz e Jaquim do Templo de Salomão, descritas na Bíblia

Continue a ler

➜ Carta anterior: O Mago

➜ Carta seguinte: A Imperatriz

➜ As 78 cartas do tarot

➜ Arcanos maiores

➜ Como fazer uma tiragem

➜ A Lua na astrologia

Fontes

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