Um jovem está sentado debaixo de uma árvore, de braços cruzados. À frente tem três taças na relva. De uma nuvem sai um braço que lhe oferece uma quarta taça, e ele parece não reparar.
O Quatro de Copas é, na tradição, a carta do tédio e da insatisfação: ter o suficiente e, mesmo assim, não sentir gosto por nada.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor |
| Número | 4 |
| Naipe e elemento | Copas; água |
| Nome em Marselha / em inglês | Quatre de Coupe / Four of Cups |
| Golden Dawn | «Senhor do Prazer Misturado»; Lua em Caranguejo (3.º decanato) |
| Palavras-chave (direita) | tédio, apatia, insatisfação, desinteresse |
| Palavras-chave (invertida) | novidade, pressentimento, novas relações |
O desenho
Os braços cruzados e o olhar baixo dizem quase tudo: o jovem fechou-se. Waite fala do seu descontentamento com o que o rodeia.
As três taças na relva representam, para muitos leitores, o que ele já tem. A mão que sai da nuvem, a mesma do Ás de Copas, traz uma oferta nova. A pergunta da carta é se ele a vai ver.
A árvore costuma ser lida como abrigo e estabilidade, mas também como imobilidade: o jovem não vai a lado nenhum.
Na história
Há aqui uma pista curiosa. A Golden Dawn chamava a esta carta «Senhor do Prazer Misturado». Waite, que foi membro da ordem, termina a sua descrição dizendo que esta é também uma carta de prazer misturado. A expressão passou do sistema da ordem para o livro de 1910.
No Tarot de Marselha, a carta mostra apenas quatro taças e ornamentos, sem figura humana.
O significado na tradição
Direita
Cansaço, desgosto, aversão, aborrecimentos imaginários, como se o vinho deste mundo só tivesse trazido saciedade; outro vinho, como um dom de fada, é agora oferecido ao desperdiçado, mas ele não vê consolo nenhum nisso. — A. E. Waite, 1910
Na leitura moderna mais comum, é a carta da oportunidade que passa despercebida por causa do desânimo, ou de uma fase de introspeção e distância.
Invertida
Novidade, presságio, nova instrução, novas relações. — A. E. Waite, 1910
A leitura moderna segue-o de perto: sair da apatia, voltar a interessar-se, aceitar finalmente o que é oferecido.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar desinteresse ou rotina numa relação, ou alguém que não repara no afeto que lhe dão.
Trabalho. Costuma ser interpretada como desmotivação, uma função que deixou de estimular, ou uma proposta ignorada cedo demais.
Conselho. Muitas vezes lida como um convite a levantar os olhos e ver o que está à frente. Se o desânimo for persistente e pesar no dia a dia, falar com um médico ou psicólogo é o passo certo; nenhuma carta substitui essa ajuda.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «É uma carta de depressão» | O tarot não faz diagnósticos; a tradição fala de tédio e saciedade |
| «A quarta taça é uma grande oportunidade» | É a leitura moderna; Waite chama-lhe um «dom de fada» que o jovem recusa |
Continue a ler
➜ Carta anterior: Três de Copas
➜ Carta seguinte: Cinco de Copas
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Four of Cups» — sacred-texts.com
- David Cunliffe, correspondências da Golden Dawn — davidcunliffe.com
- Wikipedia, «Rider–Waite Tarot» — en.wikipedia.org