Num pátio antigo, um rapaz oferece a uma menina uma taça cheia de flores brancas. À volta estão mais taças, todas com flores.
O Seis de Copas é conhecido como a carta da memória e da infância. Na tradição, olha para trás: lembranças felizes, pessoas do passado, a doçura do que já foi.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor |
| Número | 6 |
| Naipe e elemento | Copas; água |
| Nome em Marselha / em inglês | Six de Coupe / Six of Cups |
| Golden Dawn | «Senhor do Prazer»; Sol em Escorpião (2.º decanato) |
| Palavras-chave (direita) | memória, infância, nostalgia, ternura, reencontro |
| Palavras-chave (invertida) | futuro, renovação, deixar o passado |
O desenho
Waite descreve crianças num jardim antigo, com as taças cheias de flores. O cenário parece uma aldeia ou um castelo, com muros de pedra e escadas.
As flores brancas dentro das taças costumam ser lidas como inocência. O gesto de oferecer, de uma criança para outra, dá à carta um tom de gentileza sem interesse.
Ao fundo, uma figura adulta afasta-se. Há leitores modernos que a veem como o tempo que passa ou como um guarda; Waite não a menciona.
Na história
Esta é uma das cartas em que o desenho de Pamela Colman Smith mais influenciou a leitura. No Tarot de Marselha há só seis taças e ornamentos; a ideia de infância vem da cena de 1909.
A própria Golden Dawn tinha dado à carta um sentido diferente: «Senhor do Prazer», ligado ao Sol em Escorpião. A nostalgia que hoje domina a leitura desta carta vem do texto e do desenho de Waite, não do título da ordem.
O significado na tradição
Direita
Uma carta do passado e das memórias, de olhar para trás, como por exemplo para a infância; felicidade, prazer, mas vindos antes do passado; coisas que desapareceram. — A. E. Waite, 1910
Waite regista também uma leitura oposta: novas relações, novo conhecimento, novo ambiente, com as crianças a brincar num lugar desconhecido. Dá assim duas chaves para a mesma carta.
Na leitura moderna mais comum, domina a primeira: saudade, lembranças, o regresso de alguém do passado.
Invertida
O futuro, renovação, aquilo que vai acontecer em breve. — A. E. Waite, 1910
Leitores modernos leem-na também como apego excessivo ao passado, ou como a necessidade de o largar para seguir em frente.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar ternura, um amor antigo que regressa à memória ou uma relação vivida com simplicidade. Não garante o regresso de ninguém.
Trabalho. Costuma ser interpretada como voltar a algo que já se conhece, reencontrar antigos colegas, ou trabalhos ligados a crianças e memória.
Conselho. Muitas vezes lida como um convite a valorizar o que as boas lembranças ensinam, sem ficar preso a elas.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «O Seis de Copas traz de volta um ex» | Leitura moderna; Waite fala de memórias e, noutra chave, de novas relações |
| «Sempre foi a carta da infância» | Em Marselha não há cena; o tema vem do desenho de 1909 |
Continue a ler
➜ Carta anterior: Cinco de Copas
➜ Carta seguinte: Sete de Copas
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Six of Cups» — sacred-texts.com
- David Cunliffe, correspondências da Golden Dawn — davidcunliffe.com
- Wikipedia, «Rider–Waite Tarot» — en.wikipedia.org