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🧙 Figuras do Oculto

Hermes Trismegisto, o «três vezes grande»

Hermes Trismegisto: a fusão de Thoth e Hermes no Egito grego, o sábio que o Renascimento julgou mais antigo que Moisés e a descoberta de Casaubon em 1614.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Dois deuses num só
  3. De onde vem «Trismegisto»
  4. A lenda: um sábio mais antigo que Platão
  5. Facto: Casaubon e o fim da lenda (1614)
  6. Hermes e a alquimia
  7. Influência
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Hermes Trismegisto é o nome do sábio a quem se atribuíram os textos herméticos, uma das raízes da magia, da alquimia e do ocultismo ocidentais.

Durante mais de mil anos, muitos acreditaram que tinha sido um homem real, contemporâneo de Moisés. Não foi. É uma figura lendária, nascida da fusão de dois deuses: o egípcio Thoth e o grego Hermes.

Esta ficha conta a história da figura. Os textos que lhe foram atribuídos têm página própria.

➜ Hermetismo: os textos e as ideias

Ficha

Campo Informação
Nome Hermes Trismegisto (grego Hermês Trismegistos; latim Mercurius Trismegistus)
Natureza Figura lendária, não histórica
Origem Egito ptolemaico e romano
Deuses de origem Thoth (Egito) e Hermes (Grécia)
Textos atribuídos Corpus Hermeticum, Asclépio, Tábua de Esmeralda, tratados de astrologia e alquimia
Conhecido por Pai lendário do hermetismo e da alquimia

Dois deuses num só

Quando os gregos se instalaram no Egito, depois de Alexandre Magno, identificaram os deuses locais com os seus. Thoth, deus egípcio da escrita, da sabedoria e da magia, foi associado a Hermes, o mensageiro dos deuses gregos.

Os dois eram venerados juntos no templo de Thoth em Khemenu, a cidade a que os gregos chamaram Hermópolis.

➜ Magia egípcia

De onde vem «Trismegisto»

«Trismegisto» significa «três vezes grande». O título parece vir de uma forma egípcia de louvar Thoth: uma inscrição do templo de Esna chama-lhe «Thoth, o grande, o grande, o grande».

A data do primeiro uso em grego é discutida. O historiador Brian Copenhaver aponta um documento de 172 a.C., perto de Mênfis; outros investigadores só o encontram em autores do séc. I–II d.C.

A lenda: um sábio mais antigo que Platão

Os textos herméticos apresentam Hermes como um mestre antigo a ensinar os discípulos Tat, Asclépio e Ámon. Com o tempo, a personagem ganhou uma biografia imaginária.

Na Antiguidade cristã

Autores cristãos como Lactâncio e Santo Agostinho trataram Hermes como um sábio pagão muito antigo. Lactâncio via nele alguém que tinha pressentido verdades cristãs. Agostinho foi mais crítico, sobretudo em relação aos passos do Asclépio sobre dar vida a estátuas.

No mundo islâmico

Autores muçulmanos identificaram Hermes com o profeta Idris, o Enoque bíblico. O astrólogo persa Abu Ma'shar (787–886) explicou o «três vezes» com a ideia de três Hermes diferentes: um civilizador egípcio, um sábio da Babilónia e um primeiro mestre da alquimia.

É no mundo árabe que surge a Tábua de Esmeralda, o pequeno texto alquímico com a frase «o que está em cima é como o que está em baixo».

No Renascimento

Em 1462, um manuscrito grego dos textos herméticos chegou a Florença. Cosme de Médici pediu a Marsílio Ficino que interrompesse a tradução de Platão para traduzir primeiro Hermes, que julgavam mais antigo.

Hermes passou a ser visto como parte de uma «teologia antiga» (prisca theologia), uma cadeia de sábios que ia de Moisés e Hermes até Platão. No chão da catedral de Siena, um mosaico mostra-o com a inscrição «Hermes Mercúrio Trismegisto, contemporâneo de Moisés».

➜ Magia renascentista

Facto: Casaubon e o fim da lenda (1614)

Em 1614, o filólogo Isaac Casaubon analisou a língua e as ideias dos textos herméticos. Concluiu que eram escritos em grego tardio e que refletiam ideias do início da era cristã. Não podiam ser anteriores a Platão, e muito menos contemporâneos de Moisés.

Hoje os historiadores datam o Corpus Hermeticum entre cerca de 100 e 300 d.C. Foi escrito por vários autores desconhecidos, provavelmente gregos do Egito romano, que misturaram platonismo, estoicismo e tradições religiosas egípcias e judaicas.

Hermes e a alquimia

Os alquimistas fizeram de Hermes o seu patrono. A expressão «fechado hermeticamente» vem daí: era o vaso bem selado das operações alquímicas.

➜ Alquimia

Influência

Mesmo depois de Casaubon, Hermes continuou vivo. As sociedades ocultistas do séc. XIX, como a Golden Dawn (a «Ordem Hermética» da Aurora Dourada), usaram o seu nome. Em 1908, O Kybalion apresentou-se como «filosofia hermética», embora seja uma obra moderna americana.

➜ O Kybalion

Continue a ler

➜ Figuras do Oculto

➜ Hermetismo

➜ Apolónio de Tiana

➜ A Golden Dawn

Fontes

  • «Hermes Trismegistus», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Corpus Hermeticum», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Brian P. Copenhaver, Hermetica, Cambridge University Press, 1992.
  • Garth Fowden, The Egyptian Hermes, Cambridge University Press, 1986.
  • Frances A. Yates, Giordano Bruno and the Hermetic Tradition, Routledge, 1964.

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