O Dois de Espadas mostra uma mulher sentada, de olhos vendados, com os braços cruzados sobre o peito e duas espadas apoiadas nos ombros. Atrás dela há mar e, no céu, uma lua em quarto.
É uma carta de equilíbrio tenso. Na leitura moderna, representa sobretudo o impasse: uma decisão adiada, uma trégua em que ninguém baixa as armas.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor |
| Número | 2 |
| Naipe e elemento | Espadas; Ar |
| Nome em Marselha / em inglês | Deux d'Épée / Two of Swords |
| Golden Dawn | «Senhor da Paz Restaurada» — Lua em Libra |
| Palavras-chave (direita) | Trégua, equilíbrio, decisão adiada |
| Palavras-chave (invertida) | Falsidade, deslealdade, impasse que se desfaz |
O desenho
- A venda nos olhos: a mulher não vê o que está à sua volta. Na leitura moderna, é recusar olhar para um problema, ou decidir sem toda a informação.
- Os braços cruzados seguram duas espadas em perfeito equilíbrio. Basta um movimento para o equilíbrio cair.
- O mar e as rochas atrás dela: muitos leitores veem aqui as emoções (a água) que a mulher mantém à distância.
- A lua crescente, no canto superior, combina com a atribuição da Golden Dawn: Lua em Libra.
Na história
No Tarot de Marselha, o Dois de Espadas não tem cena: é só um desenho abstrato de espadas em linhas curvas. A mulher vendada é uma criação de Pamela Colman Smith para o baralho publicado em Londres em 1909.
A Golden Dawn tinha-lhe dado o título de «Senhor da Paz Restaurada». Os significados que Waite publicou um ano depois também falam de concórdia, mas «num estado de armas».
O significado na tradição
Direita
Waite: «Conformidade e o equilíbrio que ela sugere, coragem, amizade, concórdia num estado de armas.» Outra leitura, diz ele, dá «ternura, afeto, intimidade». — A. E. Waite, 1910
Mas Waite deixa um aviso: estes sentidos favoráveis devem ser lidos com cautela, porque o naipe de Espadas, em geral, não representa forças benéficas nos assuntos humanos.
Na leitura moderna mais comum, a carta é o impasse: indecisão, bloqueio, uma trégua frágil, alguém que evita escolher.
Invertida
Waite: «Impostura, falsidade, duplicidade, deslealdade.» — A. E. Waite, 1910
Hoje, muitos leitores leem a invertida de outra forma: a venda cai, a informação escondida aparece e a decisão já não pode ser adiada.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar uma relação parada, ou alguém que não quer ver aquilo que já sabe. Também pode ser lida como uma trégua depois de uma zanga.
Trabalho. É associada a escolhas difíceis entre duas opções equivalentes, ou a colegas em «paz armada».
Conselho. Como conselho, a carta é lida como um convite a tirar a venda: reunir a informação que falta antes de decidir.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «É uma carta de paz» | A Golden Dawn fala de paz restaurada, mas Waite sublinha que é concórdia «num estado de armas» |
| «A venda sempre significou cegueira» | O desenho é de 1909; em Marselha a carta não tem figura |
Continue a ler
➜ Ás de Espadas (carta anterior)
➜ Três de Espadas (carta seguinte)
➜ A Justiça, outra carta de equilíbrio
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Two of Swords» — sacred-texts.com
- Book T – The Tarot (Golden Dawn, c. 1888) — PDF
- Wikipedia, «Tarot of Marseilles» — en.wikipedia.org