Uma rainha está sentada num trono de pedra à beira da água. Nas mãos segura uma taça ornamentada, com asas e tampa, e olha para ela com toda a atenção.
A Rainha de Copas é, na tradição, a figura da empatia e da intuição: alguém que sente fundo, que cuida e que compreende sem precisar de muitas palavras.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor (figura) |
| Número | Rainha (13.º do naipe) |
| Naipe e elemento | Copas; água |
| Nome em Marselha / em inglês | Reine de Coupe / Queen of Cups |
| Golden Dawn | «Rainha dos Tronos das Águas» |
| Palavras-chave (direita) | empatia, intuição, cuidado, sensibilidade |
| Palavras-chave (invertida) | instabilidade emocional, desconfiança, excesso de sensibilidade |
O desenho
A taça fechada é o traço mais comentado: costuma ser apontada como a única taça com tampa em todo o naipe. Leitores modernos veem nela os sentimentos guardados e o mundo interior que a rainha protege. Waite não a explica.
O trono está na orla, com os pés da rainha quase na água. No trono há pequenas figuras de crianças-sereia e uma concha; à volta, seixos coloridos.
Waite dá-lhe um retrato cuidadoso:
Bela, loira, sonhadora, como quem vê visões numa taça. Este é, porém, só um dos seus aspetos; ela vê, mas também age, e a sua atividade alimenta o seu sonho. — A. E. Waite, 1910
É uma correção importante: esta rainha não é passiva.
Na história
Nas cartas de jogar mais antigas, a corte tinha muitas vezes só três figuras: valete, cavaleiro e rei. A rainha foi acrescentada em alguns baralhos, e o tarot fixou-a como uma das quatro figuras de cada naipe.
No Tarot de Marselha, a Reine de Coupe é uma rainha sentada com a sua taça, sem cenário. A cena à beira-mar é de Pamela Colman Smith.
A Golden Dawn chamou-lhe «Rainha dos Tronos das Águas» e também «Rainha das Ninfas e das Ondinas», os espíritos da água na tradição ocultista.
O significado na tradição
Direita
Mulher boa e bela; mulher honesta e dedicada, que prestará serviço ao consulente; inteligência amorosa, e daí o dom da visão; sucesso, felicidade, prazer; também sabedoria, virtude. — A. E. Waite, 1910
Na leitura moderna mais comum, representa uma pessoa (de qualquer género) compassiva e intuitiva, ou a própria capacidade de acolher emoções, as suas e as dos outros.
Invertida
Waite admite que os relatos variam: tanto pode ser boa mulher como mulher distinta mas em quem não se pode confiar.
Leitores modernos costumam ler a carta invertida como emoções à flor da pele, dependência afetiva ou dificuldade em pôr limites.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar carinho, dedicação e compreensão mútua. Invertida, aponta para ciúmes ou sensibilidade excessiva.
Trabalho. Costuma ser interpretada como funções de cuidado, de escuta ou criativas, e a importância da inteligência emocional numa equipa.
Conselho. Muitas vezes lida como um convite a confiar na intuição, sem deixar de agir, tal como Waite a descreve.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «A Rainha de Copas é médium ou vidente» | Waite fala do «dom da visão» como fruto da «inteligência amorosa», não de poderes |
| «Representa sempre uma mulher» | Nas leituras antigas sim; hoje muitos leitores leem-na como qualidade, em qualquer pessoa |
Continue a ler
➜ Carta anterior: Cavaleiro de Copas
➜ Carta seguinte: Rei de Copas
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Queen of Cups» — sacred-texts.com
- David Cunliffe, correspondências da Golden Dawn — davidcunliffe.com
- Wikipedia, «Minor Arcana» — en.wikipedia.org