O Rei de Copas está sentado num trono de pedra que parece flutuar sobre o mar agitado. Numa mão segura uma grande taça, na outra um cetro curto. De um lado passa um navio; do outro salta um peixe grande, que Waite chama golfinho.
Na tradição de leitura, é a figura do domínio sereno das emoções: alguém que sente, mas não se deixa arrastar; que aconselha, protege e mantém a calma.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor (figura) |
| Número | Rei (14.º do naipe) |
| Naipe e elemento | Copas; água |
| Nome em Marselha / em inglês | Roi de Coupe / King of Cups |
| Palavras-chave (direita) | serenidade, conselho, generosidade, equilíbrio |
| Palavras-chave (invertida) | falsidade, manipulação, injustiça, perdas |
O desenho
Waite descreve a cena em poucas palavras: o trono está assente sobre o mar; de um lado navega um barco, do outro salta um golfinho.
O contraste é o centro da carta: água em movimento à volta, rei imóvel no meio. Leitores modernos veem nisto o controlo das emoções. O navio costuma ser lido como o mundo prático (comércio, viagem) e o golfinho como o mundo emocional e instintivo.
Ao peito, o rei traz um colar com um peixe, de novo o símbolo do naipe da água.
Na história
O Tarot Sola-Busca (Itália, c. 1490) deu nomes às figuras da corte. O seu Rei de Copas chama-se Lucio Cecilio, e o baralho inteiro tem uma forte carga alquímica e hermética. Pamela Colman Smith conheceu este baralho por fotografias, mas o seu rei é uma criação nova.
No Tarot de Marselha, o Roi de Coupe é um rei sentado com a taça, sem mar. Na Golden Dawn, as figuras chamam-se de outra forma (Rei a cavalo, Príncipe num carro), e não há acordo sobre qual corresponde ao rei de Waite; por isso não indicamos aqui um decanato.
O significado na tradição
Direita
Homem loiro, homem de negócios, de leis ou de religião; responsável, disposto a ajudar o consulente; também equidade, arte e ciência, incluindo quem professa a ciência, o direito e a arte; inteligência criativa. — A. E. Waite, 1910
Na leitura moderna mais comum, é a pessoa madura que ouve, aconselha e dá estabilidade emocional, ou a capacidade de manter a calma sob pressão.
Invertida
Homem desonesto e de duas caras; velhacaria, extorsão, injustiça, vício, escândalo, pilhagem, perda considerável. — A. E. Waite, 1910
Leitores modernos leem a carta invertida como manipulação emocional, frieza escondida atrás de simpatia, ou emoções reprimidas que acabam por rebentar.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar um parceiro atento e estável, ou uma fase de maturidade afetiva.
Trabalho. Costuma ser interpretada como liderança calma, uma figura de mentor, ou profissões ligadas ao aconselhamento e ao cuidado. Questões legais ou de dinheiro pedem sempre um profissional, não uma carta.
Conselho. Muitas vezes lida como um convite a sentir sem se afogar: reconhecer as emoções e decidir com cabeça fria.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «O Rei de Copas é sempre um homem mais velho» | Nas leituras antigas sim; hoje lê-se muitas vezes como qualidade de qualquer pessoa |
| «É uma carta sempre positiva» | Invertida, Waite dá-lhe um dos sentidos mais duros do naipe |
Continue a ler
➜ Carta anterior: Rainha de Copas
➜ Carta seguinte: Ás de Espadas
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «King of Cups» — sacred-texts.com
- Wikipedia, «Sola Busca tarot» — en.wikipedia.org
- David Cunliffe, correspondências da Golden Dawn — davidcunliffe.com