De noite, sob uma Lua que parece ao mesmo tempo cheia e minguante, um homem de capa vermelha e bordão na mão afasta-se para as montanhas. Atrás dele ficam oito taças bem empilhadas.
O Oito de Copas é, na tradição, a carta da partida voluntária: deixar algo que já não satisfaz, mesmo que por fora pareça estar tudo bem.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor |
| Número | 8 |
| Naipe e elemento | Copas; água |
| Nome em Marselha / em inglês | Huit de Coupe / Eight of Cups |
| Golden Dawn | «Senhor do Sucesso Abandonado»; Saturno em Peixes (1.º decanato) |
| Palavras-chave (direita) | partida, desapego, procura, afastamento |
| Palavras-chave (invertida) | alegria, festa, regresso, ficar |
O desenho
As taças não estão caídas, como no Cinco de Copas: estão arrumadas. O homem não perdeu nada; é ele quem vai embora. Waite fala de um homem de aspeto abatido que abandona as taças da sua felicidade, do seu empreendimento.
Na pilha falta um lugar, como se faltasse uma nona taça. Leitores modernos leem esse vazio como o motivo da partida: algo essencial não está ali.
A Lua com um rosto, entre a fase cheia e a minguante, e o bordão de peregrino dão à carta um ar de viagem noturna e interior.
Na história
O título da Golden Dawn, «Senhor do Sucesso Abandonado», resume o desenho: o êxito existe, mas é deixado para trás. A ordem ligou-a a Saturno em Peixes, o primeiro dos três decanatos de Peixes que fecham o naipe de copas.
No Tarot de Marselha a carta é só uma composição de oito taças. O peregrino noturno é criação de Pamela Colman Smith.
O significado na tradição
Direita
Waite diz que a carta fala por si à superfície: o abandono de uma situação. Mas regista leituras inteiramente opostas:
Dar alegria, brandura, timidez, honra, modéstia. — A. E. Waite, 1910
E conclui que, na prática, a carta costuma mostrar o declínio de um assunto, ou que algo tido por importante é na verdade de pouca monta.
Na leitura moderna mais comum, é a carta de quem se afasta em busca de sentido: mudar de rumo, largar uma relação ou um trabalho que já não preenche.
Invertida
Grande alegria, felicidade, festa. — A. E. Waite, 1910
Leitores modernos leem-na muitas vezes como hesitação em partir, ou como regresso a algo que se tinha deixado.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar afastamento ou a sensação de que falta algo na relação. Não diz que a relação acaba: descreve um desejo de mudança.
Trabalho. Costuma ser interpretada como deixar um projeto ou uma função, mesmo estável, por falta de sentido. Decisões desse tipo pedem ponderação prática.
Conselho. Muitas vezes lida como um convite a perguntar o que realmente falta, antes de partir ou de ficar.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «O Oito de Copas é sempre um abandono» | Waite regista também leituras opostas: alegria, brandura, modéstia |
| «A Lua mostra um eclipse» | O desenho sugere duas fases sobrepostas; Waite não explica |
Continue a ler
➜ Carta anterior: Sete de Copas
➜ Carta seguinte: Nove de Copas
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Eight of Cups» — sacred-texts.com
- David Cunliffe, correspondências da Golden Dawn — davidcunliffe.com
- Wikipedia, «Suit of cups» — en.wikipedia.org