O louro está em quase todas as cozinhas portuguesas. Uma folha no cozido, no arroz de pato ou no polvo. Mas poucas plantas carregam tanto simbolismo: foi a coroa dos vencedores na Grécia e em Roma.
Na tradição esotérica, o louro é a erva da vitória, do sucesso e da proteção. Nesta ficha explicamos a planta, o mito, a crença e os cuidados — sobretudo para não o confundir com plantas tóxicas.
Ficha rápida
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nomes populares | Louro, loureiro, louro-de-cheiro |
| Nome científico | Laurus nobilis |
| Família | Lauráceas (a mesma da canela e do abacate) |
| Origem | Região mediterrânica; espontâneo em Portugal |
A planta
O loureiro é uma árvore ou arbusto de folha perene, que pode chegar aos 10 metros. As folhas são duras, lanceoladas, verde-escuras e brilhantes, com cheiro aromático quando se partem.
Dá pequenas flores amarelas na primavera e bagas escuras no outono. Há plantas masculinas e femininas.
Mito e história
Apolo e Dafne
Segundo o mito grego, contado pelo poeta romano Ovídio nas Metamorfoses, o deus Apolo apaixonou-se pela ninfa Dafne, que fugiu dele. Para escapar, Dafne pediu ajuda ao pai e foi transformada num loureiro. Apolo fez então do louro a sua árvore sagrada.
Dáphnē é, aliás, a palavra grega para «louro».
A coroa de louros
Na Grécia antiga, os vencedores dos Jogos Píticos, em honra de Apolo, recebiam uma coroa de louro. Em Roma, os generais vitoriosos desfilavam coroados de louro.
É daqui que vem a palavra «laureado»: quem recebeu os louros, quem foi premiado. A expressão «dormir sobre os louros» — descansar depois de uma vitória — tem a mesma origem.
Na tradição esotérica
Na tradição popular e esotérica, o louro é associado a:
- Vitória e sucesso em exames, concursos, trabalho;
- Prosperidade — folhas guardadas na carteira;
- Proteção da casa — ramos atrás da porta;
- Sonhos — uma folha debaixo da almofada.
Uma prática moderna muito divulgada é escrever um desejo numa folha de louro e queimá-la. Estes usos são crença e simbolismo: nenhum garante resultados.
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Na cozinha
O louro é indispensável na cozinha portuguesa: cozidos, feijoadas, guisados, marinadas, polvo, arroz de pato, escabeche. Usa-se fresco ou seco, uma ou duas folhas, e retira-se antes de servir.
Precauções
Como tempero, o louro é considerado seguro. Os principais riscos são outros:
- Não confundir com plantas tóxicas. O louro-cerejo ou loureiro-cerejo (Prunus laurocerasus), muito usado em sebes, tem folhas parecidas e é venenoso. O loendro (Nerium oleander), comum em jardins e separadores de estrada, é muito tóxico. Na dúvida, compre o louro já seco.
- Não coma as folhas inteiras: são duras e afiadas e podem ferir a garganta ou o intestino. Retire-as do prato.
- Óleo essencial: não ingira; na pele, só diluído.
- Gravidez e amamentação: como tempero, sem problemas conhecidos. Evite chás concentrados e óleo essencial.
- Pele e alergias: o contacto com o óleo pode causar dermatite em pessoas sensíveis.
- Animais: segundo a ASPCA, o louro é tóxico para cães, gatos e cavalos, podendo causar vómitos e diarreia; folhas inteiras podem causar obstruções.
- Queimar folhas: as folhas secas ardem depressa e soltam faúlhas. Queime-as num recipiente de metal ou barro, com a janela aberta, longe de tecidos e nunca sem vigilância.
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Fontes
- «Laurus nobilis», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Bay Laurel», ASPCA Animal Poison Control — aspca.org
- «Prunus laurocerasus», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Ovídio, Metamorfoses, livro I (episódio de Apolo e Dafne)