A hortelã é das ervas mais fáceis de cultivar e das mais usadas na cozinha portuguesa. Uma folha na canja, um chá depois do jantar, um vaso na varanda.
Na tradição esotérica moderna, é associada à frescura, à prosperidade e à limpeza. Mas atenção: «hortelã» é um nome que cobre várias plantas, e uma delas, o poejo, pode ser perigosa.
Ficha rápida
| Espécie | Nome científico |
|---|---|
| Hortelã, hortelã-comum | Mentha spicata |
| Hortelã-pimenta | Mentha × piperita |
| Poejo | Mentha pulegium |
| Hortelã-brava, mentrasto | Mentha suaveolens |
Todas pertencem ao género Mentha, da família das Lamiáceas, a mesma do alecrim, da salva e do manjericão. Várias crescem espontâneas em Portugal, junto a ribeiras e terrenos húmidos.
A planta
As hortelãs são plantas vivazes, de caules quadrados e folhas opostas, com cheiro fresco. Espalham-se por raízes subterrâneas e podem invadir um canteiro inteiro. Por isso, muitos jardineiros preferem cultivá-las em vaso.
O frescor vem sobretudo do mentol (na hortelã-pimenta) e da carvona (na hortelã-comum). O poejo tem outra substância dominante, a pulegona, que é tóxica em dose elevada.
História e mito
O nome do género vem de Minta (Menthe), uma ninfa da mitologia grega que, segundo o mito, foi transformada numa planta rasteira por ciúmes de Perséfone. É uma lenda, não um facto, mas explica o nome que a planta tem em quase todas as línguas europeias.
Gregos e romanos usavam hortelã na cozinha e para perfumar. Na Idade Média era cultivada nas hortas dos mosteiros.
Na tradição esotérica
Na tradição esotérica moderna, a hortelã é associada a:
- Prosperidade e dinheiro — uma folha na carteira ou um vaso à entrada de uma loja;
- Limpeza e frescura da casa;
- Clareza mental e ânimo.
Estas associações são modernas e simbólicas, provavelmente ligadas ao cheiro fresco e ao crescimento rápido da planta. Nenhuma prática garante dinheiro ou sorte.
Na cozinha portuguesa
- Hortelã-comum: na canja, em ervilhas e favas, saladas e no chá.
- Poejo: na cozinha alentejana, em sopas e açordas, em pequena quantidade. O uso culinário tradicional é pontual; o perigo está nos chás fortes e no óleo.
- Hortelã-pimenta: sobretudo em chás, doces e licores.
Precauções
- Poejo — cuidado sério: o óleo de poejo é muito tóxico. Pequenas quantidades causaram lesões graves no fígado e mortes. Chás fortes de poejo também são desaconselhados. Foi usado no passado como abortivo, com consequências graves. Nunca use poejo para interromper uma gravidez.
- Gravidez e amamentação: como tempero, a hortelã-comum não tem problemas conhecidos. Evite poejo e óleos essenciais de hortelã.
- Bebés e crianças pequenas: nunca aplique óleo de hortelã-pimenta ou mentol no rosto de bebés e crianças pequenas; pode causar dificuldade respiratória grave.
- Azia e refluxo: a hortelã-pimenta pode agravar a azia.
- Animais: segundo a ASPCA, a hortelã é tóxica para cães, gatos e cavalos em quantidade, causando vómitos e diarreia. Os óleos essenciais são perigosos para gatos.
- Pele: o óleo puro irrita. Nunca o ponha sem diluir no banho.
- Medicamentos: quem toma medicação regular deve falar com o médico antes de usar óleo ou cápsulas de hortelã-pimenta.
Em caso de ingestão de óleo de poejo, ligue para o Centro de Informação Antivenenos (CIAV): 800 250 250.
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Fontes
- «Peppermint Oil», NCCIH — nccih.nih.gov
- «Mentha pulegium», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Mint», ASPCA Animal Poison Control — aspca.org
- «Menthae piperitae aetheroleum», European Medicines Agency (HMPC) — ema.europa.eu