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🌿 Ervas

Hera e azevinho: as plantas verdes do inverno

Hera e azevinho: de Baco e das Saturnais ao Natal, o folclore de proteção, a toxicidade das bagas e a lei que protege o azevinho em Portugal desde 1989.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. A hera
  3. O azevinho
  4. Na tradição esotérica
  5. O azevinho é protegido em Portugal
  6. Precauções
  7. Continue a ler
  8. Fontes

Quando quase tudo perde a folha, há plantas que continuam verdes. A hera e o azevinho são duas delas, e por isso ganharam, ao longo dos séculos, um lugar especial nas festas de inverno e no Natal.

Nesta página contamos a história das duas, separamos folclore e crença do que é facto, e deixamos dois avisos importantes: ambas são tóxicas e, em Portugal, o azevinho é uma espécie protegida por lei.

Ficha

Campo Informação
Hera Hedera helix, família Araliáceas
Azevinho Ilex aquifolium, família Aquifoliáceas
Outros nomes do azevinho Azevim, azevinheiro, pau-azevim
Origem Ambas nativas da Europa, incluindo Portugal
Partes usadas na tradição Ramos e folhas, para decoração
Toxicidade Bagas tóxicas nas duas; a hera pode irritar a pele
Estatuto legal Azevinho espontâneo protegido em Portugal (Decreto-Lei n.º 423/89)

A hera

Baco e as coroas de hera

Na Antiguidade, a hera estava ligada a Dioniso, o Baco dos romanos, deus do vinho. Baco era representado com uma coroa de hera, e acreditava-se que uma coroa destas evitava a embriaguez.

Fidelidade e vida eterna

Por se agarrar com força ao que a sustenta, a hera tornou-se símbolo de amor, amizade e fidelidade. Na Idade Média cristã, por continuar verde mesmo agarrada a árvores mortas, foi vista como símbolo da vida eterna.

Em Inglaterra, um ramo de hera à porta anunciava durante séculos uma taberna.

O azevinho

Das Saturnais ao Natal

Os romanos usavam o azevinho nas Saturnais, as festas de dezembro em honra de Saturno. O costume de decorar as casas com plantas verdes no inverno é, portanto, anterior ao cristianismo.

Mais tarde, o azevinho foi integrado no Natal. As folhas com picos e as bagas vermelhas prestaram-se a leituras cristãs: na canção inglesa referida abaixo, o pico lembra um espinho e a baga lembra o sangue, numa alusão à Paixão de Cristo.

Folclore de proteção

No folclore das Ilhas Britânicas acreditava-se que ramos de azevinho em casa ou nos currais protegiam do infortúnio e da bruxaria. Ao mesmo tempo, cortar uma árvore inteira de azevinho dava azar — cortar ramos, não.

O azevinho tem plantas macho e plantas fêmea: só as fêmeas dão bagas, e só se houver um macho por perto.

Juntos no Natal

As duas plantas aparecem lado a lado na antiga canção de Natal inglesa The Holly and the Ivy («O azevinho e a hera»), onde a hera é associada à Virgem Maria.

➜ Natal e espiritualidade

➜ Solstício de inverno

Na tradição esotérica

Na tradição esotérica moderna, e sobretudo no neopaganismo, as duas plantas são associadas ao solstício de inverno:

  • azevinho — proteção da casa, resistência;
  • hera — ligação, fidelidade, persistência.

São interpretações modernas, inspiradas no folclore europeu. Não são tradições portuguesas antigas documentadas, e nenhuma garante proteção.

➜ Ervas de proteção

➜ Wicca

O azevinho é protegido em Portugal

Em Portugal continental, o azevinho espontâneo é raro e está ameaçado. Por isso, o Decreto-Lei n.º 423/89, de 4 de dezembro, protege a espécie.

É proibido colher, cortar total ou parcialmente, arrancar, transportar e vender azevinho espontâneo.

A exceção: desde 1990 existe um sistema de produtores acreditados pelo ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas). O azevinho cultivado por esses produtores pode ser vendido legalmente na época do Natal.

Na prática: não apanhe azevinho no campo. Se quiser azevinho natural, compre-o a vendedores que comprovem a origem acreditada — ou prefira decorações artificiais.

Precauções

  • Bagas de azevinho: são tóxicas, e perigosas sobretudo para crianças, que se sentem atraídas pela cor vermelha. As folhas também são tóxicas.
  • Bagas de hera: são venenosas para as pessoas.
  • Pele: a hera pode causar dermatite de contacto em pessoas sensíveis. Use luvas ao podar.
  • Animais: mantenha cães, gatos e coelhos longe das duas plantas.
  • Crianças: decorações naturais fora do seu alcance.
  • Nunca ingerir folhas nem bagas. Em caso de ingestão, ligue para o Centro de Informação Antivenenos (CIAV): 800 250 250.
  • Velas com decorações: ramos secos ardem com facilidade. Nunca junte velas acesas a coroas e arranjos de Natal sem vigilância.

➜ Como usar velas com segurança

Continue a ler

➜ Sabugueiro

➜ A oliveira e o ramo bento

➜ Plantas para ter em casa

➜ Todas as ervas

Fontes

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