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🌿 Ervas

Guiné: a erva de proteção da tradição afro-brasileira

Guiné ou tipi (Petiveria alliacea): a erva de proteção da Umbanda e do Candomblé, a origem do nome «amansa-senhor», a arruda-brava e os cuidados de toxicidade.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. A planta
  3. O nome «amansa-senhor»
  4. Na Umbanda e no Candomblé
  5. E a «arruda-brava»?
  6. Precauções
  7. Continue a ler
  8. Fontes

Quem conhece as religiões afro-brasileiras conhece a guiné. Com a arruda e a espada-de-são-jorge, forma o trio das plantas de proteção mais populares do Brasil. Aparece em banhos, defumações e ramos usados para «limpar» pessoas e casas.

Em Portugal, a guiné chegou sobretudo com as comunidades brasileiras e com a Umbanda. Não faz parte da tradição popular portuguesa antiga.

Esta página explica a planta, o seu lugar nessas tradições religiosas e os riscos que tem. A guiné não deve ser ingerida.

Ficha

Campo Informação
Nome comum Guiné, erva-de-guiné, tipi
Nome científico Petiveria alliacea
Família Petiveriáceas
Outros nomes Amansa-senhor, pipi (Brasil); anamú (Caraíbas)
Origem Américas tropicais (Florida, México, América Central, Caraíbas, América do Sul)
Partes na tradição Folhas, ramos e raiz
Toxicidade Tóxica se ingerida; desaconselhada na gravidez

A planta

É um pequeno arbusto de cerca de um metro, com folhas simples e pequenas flores brancas em espiga. O mais marcante é o cheiro forte a alho, que dá o nome científico alliacea (de Allium, o género do alho).

O cheiro é tão intenso que passa para o leite e a carne dos animais que a comem no pasto. O género foi batizado em honra de James Petiver, boticário e naturalista inglês do final do século XVII.

Apesar do nome, a guiné não é africana: é nativa das Américas. O nome popular terá vindo da associação da planta às populações africanas escravizadas no Brasil, mas a sua origem exata não está documentada.

O nome «amansa-senhor»

No Brasil, a guiné é também chamada amansa-senhor. Segundo a tradição oral e muitos textos populares, o nome vem do tempo da escravatura: pessoas escravizadas usariam a raiz para enfraquecer ou «amansar» os senhores.

Não existem documentos que permitam confirmar casos concretos. O que o nome mostra, com certeza, é que a planta era conhecida como perigosa se ingerida.

Na Umbanda e no Candomblé

Nas religiões afro-brasileiras, a guiné é uma das ervas de proteção mais importantes. Na tradição de muitos terreiros, é usada:

  • Em banhos de descarrego, para «limpar» energias negativas;
  • Em defumações de casas e espaços;
  • Em ramos usados pelos médiuns nos passes;
  • Associada a orixás guerreiros e caçadores, como Ogum e Oxóssi (as associações variam de casa para casa).

É comum ouvir que a guiné «quebra demandas», ou seja, desfaz feitiços enviados por outros. Esta é uma crença religiosa, respeitável como tal, mas não um efeito demonstrável. Cada terreiro tem as suas regras, e estas práticas devem ser vistas no seu contexto religioso.

➜ Umbanda

➜ Candomblé

➜ Espada-de-são-jorge

E a «arruda-brava»?

Nos textos sobre guiné aparece muitas vezes a arruda-brava, como outra erva de proteção. O problema é que «arruda-brava» é um nome popular que designa plantas diferentes conforme a região, em Portugal e no Brasil.

Em Portugal, o nome pode designar arrudas silvestres, do mesmo género da arruda de jardim (Ruta), que crescem espontaneamente no país. Essas plantas partilham os riscos da arruda: queimaduras da pele ao sol, toxicidade e efeito abortivo.

A regra é simples: sem nome científico, não use. Duas plantas com o mesmo nome popular podem ter perigos muito diferentes.

➜ Arruda: tradição e precauções

Precauções

  • Não ingerir. A guiné não deve ser tomada em chá nem usada em alimentos. Há relatos de efeitos tóxicos e o seu uso interno não é seguro.
  • Gravidez: a planta é tradicionalmente conhecida como abortiva. Grávidas e mulheres que tentam engravidar devem evitá-la por completo, incluindo em banhos.
  • Crianças e animais: mantenha fora do alcance. Não deixe animais pastar ou mastigar a planta.
  • Pele: pode irritar peles sensíveis. Evite banhos com a planta se tiver feridas ou dermatite; faça primeiro um teste numa pequena zona.
  • Defumação: o fumo é forte. Nunca defume sem janela aberta e nunca perto de crianças, grávidas, pessoas com asma ou animais. Nunca deixe o carvão sem vigilância.
  • Medicamentos: existem estudos laboratoriais sobre a guiné, mas não é um tratamento. Não a use em vez de medicação, sobretudo em doenças graves.

Em caso de ingestão, ligue para o CIAV — 800 250 250.

➜ Defumação: guia e segurança

Continue a ler

➜ Ervas de proteção

➜ Oração da Umbanda

➜ Todas as ervas

Fontes

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