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🌿 Ervas

Losna: a erva amarga do absinto

Ficha da losna ou absinto: a planta mais amarga, a estrela Absinto do Apocalipse, a «fada verde», a proibição e o mito da tujona. Com precauções fortes.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. A planta
  3. Nomes e amargor
  4. A estrela Absinto
  5. A «fada verde»
  6. O mito da tujona
  7. Na tradição esotérica
  8. Precauções — aviso importante
  9. Continue a ler
  10. Fontes

A losna é famosa por uma coisa: o amargor. Deu nome a uma estrela do Apocalipse, a um licor proibido em meia Europa e a uma das lendas mais persistentes do século XIX, a da «fada verde» que enlouquecia os artistas de Paris.

Nesta ficha separamos a planta, a história documentada, os mitos e as crenças. A secção de precauções é para ler com atenção: a losna não é uma erva para usar de ânimo leve.

Ficha

Campo Informação
Nome comum Losna, absinto
Nome científico Artemisia absinthium
Família Asteráceas
Outros nomes em Portugal Alosna, erva-dos-vermes
Partes usadas na tradição Folhas e sumidades floridas
Toxicidade Contém tujona; tóxica em doses elevadas ou uso prolongado

A planta

É uma planta perene e aromática, de folhas recortadas e cinzento-prateadas, cobertas de pelos finos. As flores são pequenas e amarelas. É nativa da Europa temperada, da Ásia e do norte de África.

É parente da artemísia (Artemisia vulgaris), com quem partilha a tujona e parte do folclore.

➜ Artemísia

Nomes e amargor

O nome popular «erva-dos-vermes» lembra o uso antigo da planta contra os parasitas intestinais. Também serviu para afastar pulgas e piolhos: ainda hoje há quem ponha ramos nos ninhos das galinhas.

O amargor era proverbial. O poeta romano Lucrécio (século I a.C.) descreve os médicos que, para dar losna às crianças, untavam a borda do copo com mel.

A palavra alemã para losna, Wermut, deu origem ao nome do vermute, o vinho aromatizado com ervas amargas.

A estrela Absinto

No Apocalipse (8, 10–11), cai do céu uma estrela chamada Absinto, que torna amargas um terço das águas, e muitos morrem por causa delas. Na Bíblia, a losna é símbolo de amargura e castigo.

Há um mito moderno a desfazer: a ideia de que «Chernobyl» quer dizer «absinto». A palavra ucraniana designa a artemísia-comum, não a losna — e o nome da cidade pode até vir de um nome de pessoa antigo.

A «fada verde»

O absinto, a bebida, nasceu no final do século XVIII no cantão suíço de Neuchâtel. A lenda atribui a receita a um médico francês, Pierre Ordinaire. A primeira destilaria comercial surgiu pouco depois e deu origem à célebre casa Pernod Fils, em Pontarlier (França).

No século XIX, a bebida verde tornou-se moda em Paris entre artistas e boémios, que lhe chamavam la fée verte, a fada verde.

Seguiram-se as proibições: Suíça (1910), Estados Unidos (1912) e França (1914–1915). Na Suíça, o caso de um agricultor que matou a família depois de beber absinto — mas também vinho e aguardente — pesou na decisão.

O mito da tujona

Durante décadas acreditou-se que a tujona tornava o absinto alucinogénio. Estudos modernos desmentiram essa ideia: o absinto bem destilado tem pouca tujona. Os danos atribuídos ao «absintismo» explicam-se sobretudo pelo álcool, muito forte nestas bebidas.

A União Europeia permite hoje o absinto, com um limite máximo de tujona. A Suíça levantou a proibição em 2005 e a França em 2011.

Na tradição esotérica

Na tradição esotérica moderna, a losna é associada a:

  • Proteção e afastamento, pelo amargor;
  • Adivinhação e visões, por herança do mito da fada verde.

Estas associações são crença moderna, muitas vezes inspirada no romantismo do absinto. Não há base para dizer que a planta dê visões. Recomendamos apenas usos simbólicos e externos, como um raminho seco pendurado.

➜ Ervas de proteção

Precauções — aviso importante

  • Não faça chás, tinturas ou licores caseiros de losna. A quantidade de tujona varia de planta para planta e não é controlável em casa.
  • Nunca ingira o óleo essencial. É tóxico para o sistema nervoso e pode provocar convulsões.
  • Uso prolongado: pode causar danos no sistema nervoso, no aparelho digestivo e nos rins.
  • Gravidez e amamentação: não use.
  • Crianças: a Agência Europeia do Medicamento só admite o uso medicinal tradicional em adultos.
  • Doenças: evite se tem úlcera, acidez de estômago, doença do fígado ou da vesícula, ou epilepsia.
  • Alergias: pessoas alérgicas a plantas da família das Asteráceas devem evitá-la.
  • Animais: mantenha a planta fora do alcance de animais de estimação.
  • Álcool: o absinto comercial é uma bebida alcoólica muito forte. Se tem problemas com o álcool, peça ajuda ao seu médico.

Continue a ler

➜ Artemísia

➜ As «ervas das bruxas»

➜ Mandrágora

➜ Todas as ervas

Fontes

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