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📚 Grimórios

Dogma e Ritual da Alta Magia, de Éliphas Lévi

Dogma e Ritual da Alta Magia, de Éliphas Lévi (Paris, 1854–1856): 22 capítulos ligados ao tarot, a luz astral, o Baphomet e a influência no ocultismo.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha do grimório
  2. O autor
  3. A estrutura: dois livros, 22 capítulos cada
  4. As ideias principais
  5. O Baphomet
  6. Influência
  7. Traduções
  8. Onde ler
  9. Continue a ler
  10. Fontes

Dogma e Ritual da Alta Magia (Dogme et Rituel de la Haute Magie) é o livro que marcou o nascimento do ocultismo moderno. Publicado em Paris entre 1854 e 1856, é obra de Éliphas Lévi, nome adotado pelo antigo seminarista Alphonse-Louis Constant (1810–1875).

É deste livro que vem a imagem mais famosa do Baphomet, a ideia de luz astral e a ligação entre o tarot e as 22 letras do alfabeto hebraico.

Ao contrário dos grimórios antigos, não é um livro de receitas. É uma tentativa de apresentar a magia como uma ciência oculta coerente, situada entre a ciência e a religião.

Ficha do grimório

Campo Informação
Título Dogma e Ritual da Alta Magia
Nome original Dogme et Rituel de la Haute Magie
Período Dogma, 1854; Ritual, 1856
Origem Paris, editor Germer Baillière
Autoria Éliphas Lévi (Alphonse-Louis Constant)
Idioma Francês
Tipo Tratado de filosofia oculta e magia cerimonial

O autor

Constant estudou no seminário de Saint-Sulpice e chegou a diácono. Em 1836 desistiu do sacerdócio, pouco antes da ordenação, por dúvidas de fé.

Foi depois escritor socialista e místico, e só nos anos 1850 se dedicou ao ocultismo, com o nome Éliphas Lévi — uma forma hebraizada dos seus nomes próprios.

➜ Éliphas Lévi: vida e obra

A estrutura: dois livros, 22 capítulos cada

A obra tem duas partes independentes:

Parte Conteúdo
Dogma (1854) A teoria: Cabala, alquimia, astrologia, adivinhação, necromancia, magia negra
Ritual (1856) A prática cerimonial: instrumentos, talismãs, evocações, taumaturgia

Cada parte tem 22 capítulos, e cada capítulo corresponde a uma letra hebraica e a um dos 22 arcanos maiores do tarot. No fim, Lévi acrescentou o Nuctemeron, texto que atribuiu a Apolónio de Tiana.

A primeira edição trazia 23 gravuras de figuras mágicas.

➜ Os arcanos maiores do tarot

As ideias principais

A luz astral

Para Lévi, o universo estaria atravessado por uma força invisível, a luz astral, que a vontade e a imaginação treinadas poderiam dirigir.

A ideia vinha do «magnetismo animal» de Mesmer e da «força ódica» de Reichenbach, teorias do seu tempo que a ciência não confirmou. É uma conceção esotérica, não um facto físico.

O tarot como livro sagrado

Lévi apresentou o tarot como um antigo livro de sabedoria ligado à Cabala. Historicamente, isto não se confirma: o tarot nasceu em Itália no século XV como jogo de cartas.

Mas a ligação que ele propôs entre arcanos e letras hebraicas foi adotada, com alterações, pela Golden Dawn e pela maior parte do tarot esotérico posterior.

➜ História do tarot

O pentagrama

Lévi deu grande importância ao pentagrama como símbolo do ser humano e da vontade. Foi dele a leitura, hoje muito divulgada, de que o pentagrama invertido — com duas pontas para cima — representaria o mal, associando-o à cabeça de um bode.

➜ O pentagrama

O Baphomet

No Ritual (1856) aparece o desenho a que Lévi chamou «o Bode do Sabat»: uma figura alada, meio humana e meio bode, com um pentagrama na testa e uma tocha entre os chifres.

Tem um braço masculino e outro feminino, com as palavras latinas solve e coagula («dissolve» e «coagula», termos alquímicos). Para Lévi, representava o equilíbrio dos contrários, não o diabo.

O nome «Baphomet» é muito mais antigo: surge nas acusações contra os Templários, a partir de 1307. A figura que hoje todos conhecem, porém, é criação de Lévi.

➜ Baphomet: dos Templários a Lévi

Influência

  • Golden Dawn (1888): usou a ligação tarot–Cabala e a teoria da luz astral.
  • Helena Blavatsky e a Teosofia retomaram a luz astral.
  • Aleister Crowley admirava Lévi e chegou a afirmar ser a sua reencarnação.
  • Papus e o ocultismo francês do fim do século XIX partiram da obra de Lévi.

➜ A Golden Dawn

Traduções

  • A. E. Waite, 1896 — Transcendental Magic, its Doctrine and Ritual, a tradução inglesa clássica (revista em 1923). Waite juntou notas, muitas vezes críticas.
  • John Michael Greer e Mark Mikituk, 2017 — nova tradução inglesa.
  • Existem traduções em português, sobretudo brasileiras.

Onde ler

O original francês e a tradução de Waite (1896) estão em domínio público. O Internet Archive tem digitalizações do texto francês.

Continue a ler

➜ Biblioteca de grimórios

➜ The Magus de Francis Barrett

Fontes

  • Éliphas Lévi, Dogme et rituel de la haute magie, Paris, G. Baillière — archive.org
  • «Dogme et Rituel de la Haute Magie», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Baphomet», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Éliphas Lévi», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • A. E. Waite (trad.), Transcendental Magic, its Doctrine and Ritual, Londres, 1896.

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