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🔯 Símbolos

Sigilos: o que são e como se desenham

O que é um sigilo: da magia medieval e dos quadrados mágicos de Agrippa ao método de Austin Osman Spare (1913) e à magia do caos. Sem promessas.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Os sigilos nos grimórios
  2. Austin Osman Spare (1886–1956)
  3. O método básico de Spare
  4. O que se pode esperar
  5. Sigilos e Portugal
  6. Continue a ler
  7. Fontes

Um sigilo é um sinal gráfico que representa um nome ou uma intenção. A palavra vem do latim sigillum, «selo».

Hoje, quando se fala em «desenhar sigilos», pensa-se quase sempre no método criado pelo artista inglês Austin Osman Spare, no início do século XX. Mas a história é mais longa: começa nos grimórios medievais e renascentistas.

Os sigilos nos grimórios

Na magia medieval e moderna, cada anjo, planeta ou espírito tinha o seu selo, um desenho próprio que funcionava como uma espécie de assinatura ou «nome verdadeiro».

  • A Goécia, primeira parte da Lemegeton ou Chave Menor de Salomão (séc. XVII), apresenta os selos de 72 espíritos.
  • Em De occulta philosophia (1533), Heinrich Cornelius Agrippa publica os quadrados mágicos (kameas) dos sete planetas. Transformando as letras de um nome em números e unindo esses números no quadrado com uma linha, obtém-se um sigilo.

Nestes textos, o sigilo serve para chamar ou identificar entidades. Não publicamos instruções de invocação.

➜ A Chave de Salomão

➜ Magia renascentista

Austin Osman Spare (1886–1956)

Spare era desenhador e ilustrador londrino. No livro The Book of Pleasure (Self-Love): The Psychology of Ecstasy (1913), propôs uma ideia nova:

  • o sigilo não serve para chamar espíritos;
  • serve para condensar um desejo num desenho;
  • depois de feito, o desenho deve ser esquecido pela mente consciente, para atuar, segundo Spare, no inconsciente.

Spare interpretava a magia em termos psicológicos. As suas ideias foram retomadas nos anos 1970 pela magia do caos (Peter Carroll, Liber Null, 1978).

➜ Magia do caos e Liber Null

O método básico de Spare

Descrevemos o método como curiosidade histórica e como exercício criativo.

  1. Escreva a intenção numa frase curta e positiva, sobre si próprio. Por exemplo: «Eu durmo tranquilo».
  2. Risque as letras repetidas. De «EU DURMO TRANQUILO» ficam: E, U, D, R, M, O, T, A, N, Q, I, L.
  3. Combine as letras num só desenho: sobreponha-as, rode-as, simplifique até já não se reconhecerem.
  4. Simplifique até obter um sinal simples e equilibrado.
  5. Na tradição de Spare, segue-se a «carga», um momento de concentração intensa, e depois o esquecimento: guarda-se ou destrói-se o desenho.

O que se pode esperar

Os sigilos não têm efeitos demonstrados. Quem os usa costuma descrevê-los como uma forma de clarificar objetivos e de os lembrar sem pensar muito neles, próxima de um exercício de escrita ou de arte.

Algumas regras de bom senso:

  • faça sigilos só sobre si e as suas ações, nunca para influenciar ou controlar outra pessoa;
  • se queimar o papel, faça-o num recipiente à prova de fogo, longe de tecidos, nunca sem vigilância e com a janela aberta;
  • para ansiedade, insónia ou problemas de saúde, o sigilo não substitui um médico ou psicólogo.

➜ Como usar velas com segurança

Sigilos e Portugal

Os grimórios populares que circularam em Portugal, como o Livro de São Cipriano, pertencem à tradição dos grimórios europeus. O método de Spare é muito posterior e parte de uma ideia diferente: o sigilo como ferramenta psicológica, não como selo de um espírito.

➜ História do Livro de São Cipriano

Continue a ler

➜ Sigilos mágicos: o que são e a sua história

➜ Como fazer o seu grimório pessoal

➜ Pentagrama

➜ Todos os símbolos

Fontes

  • «Sigil (magic)», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Austin Osman Spare», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Austin Osman Spare, The Book of Pleasure (Self-Love): The Psychology of Ecstasy, Londres, 1913
  • Heinrich Cornelius Agrippa, De occulta philosophia libri tres, 1533, livro II

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