Saltar para o conteúdo

📚 Grimórios

Book of Oberon, um grimório da Inglaterra isabelina

O Book of Oberon (Folger V.b.26, c. 1577–1583): grimório inglês da época de Isabel I, com espíritos, fadas, Oberon e amuletos do dia a dia. Edição de 2015.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha do grimório
  2. Origem real
  3. O que contém
  4. Oberon: o rei das fadas no grimório
  5. Importância para a magia inglesa
  6. Um paralelo português
  7. Onde ler
  8. Continue a ler
  9. Fontes

O Book of Oberon («Livro de Oberon») é um manuscrito de magia escrito em Inglaterra entre cerca de 1577 e 1583, no reinado de Isabel I. Está guardado na Folger Shakespeare Library, em Washington, com a cota V.b.26.

O nome não é antigo: foi dado pelos editores modernos, por causa de Oberion, o rei das fadas que aparece no texto. No catálogo da biblioteca, o manuscrito chama-se simplesmente «livro de magia, com instruções para invocar espíritos».

O seu valor está em mostrar como trabalhava um mágico prático da época de Shakespeare e de John Dee — não em teoria, mas no dia a dia.

Ficha do grimório

Campo Informação
Título Book of Oberon (título moderno)
Nome original Sem título; catalogado como Book of magic, with instructions for invoking spirits
Período c. 1577–1583, com acrescentos posteriores
Origem Inglaterra isabelina
Manuscrito Washington, Folger Shakespeare Library, MS V.b.26
Autoria Anónima; várias mãos ao longo do tempo
Idiomas Inglês e latim
Tipo Miscelânea mágica de uso prático

Origem real

Não há lenda de autoria: o manuscrito é uma compilação anónima, feita por um ou vários praticantes que foram copiando, ao longo dos anos, textos que lhes interessavam.

Ficou praticamente desconhecido até ser estudado e transcrito por Daniel Harms, James R. Clark e Joseph H. Peterson. A edição saiu em 2015, pela Llewellyn, com o título The Book of Oberon: A Sourcebook of Elizabethan Magic (585 páginas, com ilustrações).

O que contém

Os editores descrevem-no como uma miscelânea — um caderno de trabalho e não um tratado. O conteúdo inclui, em resumo:

  • Orações em inglês e latim, salmos e o início do Evangelho de São João;
  • Uma cópia do «Office of Spirits», a lista de espíritos com os seus ofícios, aparentada com o Liber Officiorum Spirituum;
  • Espíritos ligados às fadas, entre eles Oberion e a sua companheira Mycob;
  • Material tirado de outros livros: o Arbatel, o Sepher Raziel, uma versão da Chave de Salomão e uma das cópias mais antigas conhecidas do Enchiridion atribuído ao papa Leão III;
  • Desenhos a vermelho e preto de espíritos, círculos, selos e talismãs;
  • Receitas práticas para problemas do quotidiano: dores de dentes, hemorragias, proteção contra roubos, procura de tesouros escondidos.

As conjurações não as descrevemos. O interesse aqui é histórico.

➜ Arbatel

➜ Sepher Raziel

➜ Chave de Salomão

Oberon: o rei das fadas no grimório

No «Office of Spirits», Oberion surge como um rei que ensinaria o conhecimento das plantas e das pedras, tornaria os homens invisíveis e revelaria tesouros escondidos.

Oberon era já uma figura literária conhecida — veio do romance medieval francês Huon de Bordeaux — e Shakespeare usou-o pouco depois em Sonho de uma Noite de Verão (c. 1595). O manuscrito mostra que, na mesma época, o rei das fadas também era nome de espírito nos livros de magia.

Esta mistura de fadas e demónios é uma marca da magia popular inglesa: os cunning folk (curandeiros e adivinhos de aldeia) moviam-se entre religião, folclore e grimórios.

➜ As fadas no folclore

Importância para a magia inglesa

O Book of Oberon é contemporâneo de John Dee, que começou as suas sessões de comunicação angélica com Edward Kelley em 1582. Não há qualquer ligação documentada entre Dee e este manuscrito.

O contraste é útil: Dee representa a magia culta, matemática e angélica; o Book of Oberon mostra a magia prática que circulava ao mesmo tempo, feita de orações, espíritos, fadas e receitas para pequenos males.

É também um testemunho valioso de como materiais católicos (orações latinas, o Enchiridion) continuavam a circular na Inglaterra já protestante.

➜ John Dee e Edward Kelley

➜ Magia renascentista

Um paralelo português

A procura de tesouros escondidos com ajuda de espíritos não era exclusiva de Inglaterra. Na Península Ibérica, a mesma obsessão alimentou as lendas das mouras encantadas e os livros de tesouros como o Ciprianillo galego.

➜ Tesouros encantados nas lendas portuguesas

➜ O Ciprianillo galego

Onde ler

A transcrição do manuscrito Folger V.b.26, feita por Joseph H. Peterson e Dan Harms, está disponível gratuitamente no site Esoteric Archives. A edição impressa de 2015 está protegida por direitos de autor.

Continue a ler

➜ Biblioteca de grimórios

➜ Livre des Esperitz

➜ Goécia

Fontes

  • Daniel Harms, James R. Clark e Joseph H. Peterson, The Book of Oberon: A Sourcebook of Elizabethan Magic, Llewellyn, 2015 — llewellyn.com
  • J. H. Peterson e D. Harms (transcr.), Book of magic, with instructions for invoking spirits, etc. (ca. 1577–1583), Folger MS V.b.26 — esotericarchives.com
  • «Liber Officiorum Spirituum», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Recensão de The Book of Oberon, Spiral Nature — spiralnature.com

A minha nota

Escreva aqui as suas anotações. Ficam guardadas só neste dispositivo — não são enviadas para nenhum servidor.

Continue a explorar

Ver tudo em Grimórios ›