O Credo é a profissão de fé dos cristãos. Não é um pedido nem um louvor: é um resumo daquilo em que se acredita, dito na primeira pessoa — «creio».
Existem dois Credos principais na Igreja Católica. Nesta página encontra o texto do mais curto, o Símbolo dos Apóstolos, a sua história verdadeira e a forma como entrou na devoção popular portuguesa.
O texto do Credo (Símbolo dos Apóstolos)
Versão em português usada em Portugal (texto católico tradicional, de domínio público):
Creio em Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do Céu e da Terra.
E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo;
nasceu da Virgem Maria;
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado;
desceu à mansão dos mortos;
ressuscitou ao terceiro dia;
subiu aos Céus;
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo;
na santa Igreja Católica;
na comunhão dos Santos;
na remissão dos pecados;
na ressurreição da carne;
e na vida eterna.
Ámen.
Os dois Credos
| Credo | Onde se usa |
|---|---|
| Símbolo dos Apóstolos (o texto acima) | Terço, batismo, catequese; pode substituir o outro na missa |
| Símbolo Niceno-Constantinopolitano («Creio em um só Deus…») | Missa de domingo e dias de festa |
O Credo de Niceia-Constantinopla é mais longo. Nasceu dos concílios de Niceia (325) e de Constantinopla (381), para definir com precisão a divindade de Cristo e do Espírito Santo.
A história do Símbolo dos Apóstolos
A lenda dos doze apóstolos
Segundo uma tradição antiga, cada um dos doze apóstolos teria escrito um artigo do Credo antes de partirem a pregar. A ideia já aparece numa carta do Sínodo de Milão, em 390.
É uma lenda, não um facto histórico. A Igreja explica hoje o nome de outra forma: o Credo chama-se «dos Apóstolos» porque resume fielmente a fé que eles pregaram.
O que se sabe de facto
- O Credo nasceu das perguntas feitas no batismo («Crês em Deus Pai?»).
- No século IV já existia o chamado Credo Romano Antigo, mais curto.
- O texto que hoje conhecemos formou-se provavelmente no sul da Gália, no século V.
- A primeira vez que aparece completo é num escrito de São Pirmínio, no início do século VIII.
- Substituiu o Credo Romano Antigo na liturgia no tempo de Carlos Magno.
A palavra «símbolo» vem do grego symbolon: um sinal de reconhecimento. Quem dizia o Credo mostrava que pertencia à comunidade.
Como se reza na tradição
- No início do terço, segurando a cruz.
- No batismo, em forma de perguntas e respostas.
- Nas rezas populares portuguesas, o Credo aparece muitas vezes ao lado do Pai-Nosso e da Avé-Maria. Em algumas benzeduras reza-se «um Credo» como proteção.
A língua guardou esse lugar: em português, «Credo!» é também uma interjeição de repulsa ou de susto, como quem afasta o mal com a profissão de fé.
Notas
- O Credo não é uma oração de proteção no sentido mágico. O texto antigo desta página dizia que criava «uma barreira espiritual» contra maldições. Isso é uma interpretação popular, não um ensinamento da Igreja.
- No Livro de São Cipriano, as orações de proteção são de forma católica e usam o mesmo vocabulário de fé.
➜ Orações de São Cipriano — todas, por finalidade
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➜ Todas as orações, por finalidade e tradição
Fontes
- Vatican News (português), Credo — Símbolo dos Apóstolos — vaticannews.va/pt/oracoes/simbolo-dos-apostolos.html
- Wikipedia, Apostles' Creed (Sínodo de Milão 390, Pirmínio, Credo Romano Antigo) — en.wikipedia.org/wiki/Apostles'_Creed
- Dicionário Priberam, credo (interjeição) — dicionario.priberam.org/credo