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O espiritismo em Portugal: uma história

A história do espiritismo em Portugal: mesas girantes, traduções de Kardec, a Federação de 1926, a repressão do Estado Novo e o Dr. Sousa Martins.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. O que é, em poucas palavras
  2. As mesas girantes (década de 1850)
  3. As primeiras obras e jornais
  4. Fernando Pessoa e a escrita mediúnica
  5. O Congresso de 1925 e a Federação de 1926
  6. A repressão do Estado Novo
  7. Depois do 25 de Abril
  8. O culto ao Dr. Sousa Martins
  9. Espiritismo, umbanda e outras correntes
  10. Uma nota de cuidado
  11. Continue a ler
  12. Fontes

O espiritismo chegou a Portugal quase ao mesmo tempo que nasceu em França, em meados do século XIX. Teve jornais, associações, congressos, uma federação nacional e momentos de perseguição.

Esta página conta a história do movimento espírita em Portugal. Para saber o que é o espiritismo e quais as suas ideias principais, veja a página geral.

➜ O que é o espiritismo

O que é, em poucas palavras

O espiritismo é uma doutrina organizada pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, que usou o pseudónimo Allan Kardec. A obra fundadora, O Livro dos Espíritos, foi publicada em Paris em 1857.

Os espíritas acreditam que o espírito sobrevive à morte, que reencarna e que é possível comunicar com os mortos através de médiuns. São crenças religiosas e filosóficas, que a ciência não confirmou.

As mesas girantes (década de 1850)

Antes de Kardec, a Europa viveu a moda das mesas girantes: sessões em que uma mesa parecia mover-se e responder a perguntas. A moda chegou a Paris por volta de 1853.

Segundo a Federação Espírita Portuguesa, chegou rapidamente a Portugal, trazida por famílias abastadas cujos filhos estudavam em França.

As primeiras obras e jornais

  • 1882: são publicadas em Lisboa as primeiras edições portuguesas das obras de Kardec.
  • Final do século XIX: surgem grupos espíritas e as primeiras revistas dedicadas ao tema, no Porto e em Lisboa.
  • Início do século XX: formam-se em Lisboa grupos que estudam juntos o espiritismo, o ocultismo e o hipnotismo.

Nesta época, o espiritismo interessou médicos, militares, professores e escritores, muitos deles ligados ao livre-pensamento e aos ideais republicanos.

Fernando Pessoa e a escrita mediúnica

Em 1916, Fernando Pessoa contou numa carta à tia que tinha começado a fazer escrita automática e a sentir-se «médium». Deixou muitas folhas com essas comunicações.

Pessoa nunca foi um espírita militante. Interessou-se por astrologia, teosofia, Rosa-Cruz e ocultismo em geral, e esta experiência faz parte dessa curiosidade.

➜ Teosofia

O Congresso de 1925 e a Federação de 1926

  • 15 a 18 de maio de 1925: realiza-se o I Congresso Espírita Português, no Ateneu Comercial de Lisboa.
  • 1926: é constituída a Federação Espírita Portuguesa (FEP), inaugurada a 31 de julho. O primeiro presidente foi o Dr. Afonso Acácio Martins Velho.
  • No mesmo ano nasce a Revista de Espiritismo, órgão da Federação.

A repressão do Estado Novo

O regime de Salazar desconfiava das associações que não controlava. Em 7 de dezembro de 1953, a polícia entrou na sede da Federação e apreendeu os seus bens, incluindo uma biblioteca estimada em mais de 12 000 volumes.

Os grupos espíritas passaram a reunir-se discretamente, em casas particulares, até ao fim do regime.

Depois do 25 de Abril

Com a Revolução de 25 de abril de 1974, a liberdade de associação foi restabelecida. Os grupos espíritas reorganizaram-se como associações e a Federação retomou a atividade.

Em 1998, Lisboa acolheu o II Congresso Espírita Mundial, organizado pela FEP e pelo Conselho Espírita Internacional.

O culto ao Dr. Sousa Martins

Um caso muito português é a devoção ao Dr. José Tomás de Sousa Martins (1843–1897), médico e professor em Lisboa, conhecido por ajudar doentes pobres.

Depois da sua morte, formou-se um culto popular à sua volta. Junto à sua estátua, no Campo dos Mártires da Pátria, em Lisboa, há até hoje velas, flores e placas de agradecimento. Muitos devotos acreditam que o seu espírito continua a ajudar os doentes.

É uma devoção popular, não reconhecida pela Igreja Católica. Mistura elementos do catolicismo e do espiritismo.

Espiritismo, umbanda e outras correntes

Em Portugal, o espiritismo de Kardec convive hoje com religiões de origem brasileira, como a umbanda, que também falam de espíritos e médiuns, mas são religiões diferentes.

➜ Umbanda

➜ Mediunidade

➜ Oração espírita

Uma nota de cuidado

Quem está de luto pode sentir uma grande vontade de contactar quem perdeu. É compreensível. Mas desconfie de quem cobra dinheiro prometendo mensagens dos mortos.

Se o luto está a ser muito difícil, fale com pessoas próximas ou procure o apoio de um psicólogo.

Continue a ler

➜ Espiritismo: a doutrina

➜ A Franco-Maçonaria em Portugal

➜ Teosofia

➜ Enciclopédia do Oculto

Fontes

  • Federação Espírita Portuguesa, «Resenha da história do movimento espírita em Portugal» — feportuguesa.pt
  • «Federação Espírita Portuguesa», Wikipédia — pt.wikipedia.org
  • ADEP, «História do movimento espírita» — adep.pt
  • Allan Kardec, Le Livre des Esprits, Paris, 1857.

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