A Quimbanda é uma religião afro-brasileira centrada no culto de Exus e Pombagiras. É talvez a mais mal compreendida de todas: durante décadas, o próprio nome serviu de acusação, como sinónimo de «magia negra».
A história é mais complexa. A Quimbanda nasceu da mesma raiz que a Umbanda e foi, em parte, definida por aquilo que a Umbanda rejeitava.
Esta página fala da religião: a origem do nome, a história, a organização e a relação com a Umbanda. As figuras de Exu e Pombagira têm página própria.
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Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome | Quimbanda (também Kimbanda) |
| Origem do nome | Quimbundo (Angola): kimbanda, curandeiro ou adivinho |
| Onde nasceu | Brasil, sobretudo Rio de Janeiro |
| Quando | Formou-se entre o fim do séc. XIX e meados do séc. XX |
| Entidades centrais | Exus e Pombagiras |
| Sacerdotes | Tata (homens) e yayá (mulheres), segundo alguns terreiros |
| Religiões próximas | Umbanda, Candomblé, antiga «macumba» |
De onde vem o nome
Kimbanda é uma palavra do quimbundo, língua banta de Angola. Designava o curandeiro e adivinho: segundo as fontes, «aquele que comunica com o além».
O nome chegou ao Brasil com os africanos escravizados da região de Angola e do Congo, trazidos no tráfico atlântico controlado por Portugal. Em Angola, o termo continuou a designar especialistas rituais.
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Como nasceu
A «macumba»
No Rio de Janeiro do fim do século XIX e início do século XX, existiam cultos urbanos que misturavam heranças bantas e iorubás, o catolicismo popular, práticas indígenas e o espiritismo. Os de fora chamavam-lhes «macumba» — palavra também de origem quimbundo, que ganhou sentido pejorativo.
A separação
A partir dos anos 1920–1930, parte destes grupos organizou-se como Umbanda: uma religião mais próxima do espiritismo de Kardec e do catolicismo, que se apresentava como caridosa e «branca».
Segundo vários estudiosos, a Umbanda representou os aspetos «cristianizados» da macumba. A Quimbanda ficou com os aspetos rejeitados: o culto direto aos Exus, as oferendas nas encruzilhadas, o trabalho noturno.
Por isso, durante muito tempo, «quimbanda» foi sobretudo um rótulo usado por umbandistas para designar o que não queriam ser. Diana Brown registou um ditado umbandista: se não houvesse Quimbanda, a Umbanda não teria razão de existir.
Crescimento e afirmação
Com o tempo, surgiram pessoas que se afirmam abertamente quimbandeiras. Segundo as fontes académicas, a Quimbanda cresceu de forma notável a partir dos anos 1970.
No século XXI, alguns praticantes defendem que é uma religião autónoma, que rejeita as influências católica e espírita da Umbanda. Neste período, chegou também à Europa e à América do Norte, sobretudo através de livros e de grupos interessados em esoterismo.
Organização e prática
Não existe uma autoridade central. Cada terreiro tem as suas regras, o que torna difícil generalizar.
- As entidades: Exus (espíritos masculinos) e Pombagiras (femininos), chamados também «Povo da Rua», entendidos como mensageiros e guardiões.
- Os lugares: a tradição associa-os a lugares de passagem e margem, como as encruzilhadas e as ruas à noite.
- Oferendas: segundo as fontes, bebidas (cachaça, vinho), velas, charutos e cigarros.
- Iniciação: vários terreiros descrevem um batismo inicial e graus de progressão, com obrigações rituais.
As práticas concretas pertencem aos terreiros e não as descrevemos aqui.
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Quimbanda e Umbanda: as diferenças
| Aspeto | Umbanda / Quimbanda |
|---|---|
| Foco | Umbanda: orixás, caboclos, pretos-velhos e outros guias. Quimbanda: Exus e Pombagiras |
| «Direita» e «esquerda» | A Umbanda chama «linha de esquerda» ao trabalho com Exus; na Quimbanda esse é o centro |
| Influências | Umbanda: forte peso espírita e católico. Quimbanda: muitos praticantes rejeitam-no |
| Imagem pública | Umbanda: religião de caridade. Quimbanda: estigmatizada como «magia negra» |
Na prática, a fronteira é pouco nítida. Há terreiros de Umbanda com sessões dedicadas aos Exus que outros chamariam Quimbanda, e pessoas que frequentam as duas. O antropólogo David J. Hess chamou-lhes religiões «irmãs».
Uma nota sobre respeito
O estigma sobre a Quimbanda juntou o preconceito contra as religiões de origem africana à velha identificação de Exu com o diabo, que tem origem missionária.
Descrever uma religião inteira como «magia negra» é injusto para quem a pratica. Isso não impede o espírito crítico:
- Desconfie de quem vende «trabalhos» com resultados prometidos, em nome desta ou de qualquer religião.
- Pedidos para prejudicar ou dominar alguém não são aceitáveis em nenhuma tradição séria.
- Para conhecer a Quimbanda, prefira estudos académicos ou uma casa que explique antes de pedir.
Continue a ler
➜ Umbanda
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➜ Dicionário do oculto: letra Q
Fontes
- Wikipedia (inglês), Quimbanda e Umbanda
- Wikipedia (português), Quimbanda e Macumba
- Diana DeGroat Brown, Umbanda: Religion and Politics in Urban Brazil (Columbia University Press, 1994)
- Kelly E. Hayes, Holy Harlots: Femininity, Sexuality, and Black Magic in Brazil (University of California Press, 2011)