Austin Osman Spare (1886–1956) foi um desenhador e pintor londrino. Aos 17 anos já expunha na Royal Academy; aos 60 vendia quadros em bares do sul de Londres.
No ocultismo ficou conhecido por uma ideia simples que teve enorme descendência: transformar um desejo escrito num desenho — o sigilo — e depois esquecê-lo.
Décadas após a sua morte, os fundadores da magia do caos trataram-no como um precursor. Esta página conta a vida do homem; o método dos sigilos está explicado noutra página.
➜ Como desenhar sigilos mágicos
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome | Austin Osman Spare |
| Nascimento | 30 de dezembro de 1886, Snow Hill, Londres |
| Morte | 15 de maio de 1956, Londres |
| Origem | Filho de um agente da polícia da City de Londres |
| Ocupação | Desenhador, pintor, editor de revistas |
| Obras principais | Earth Inferno (1905), A Book of Satyrs (1907), The Book of Pleasure (1913), The Focus of Life (1921) |
| Conhecido por | Sigilos, «Zos» e «Kia», influência na magia do caos |
Vida: o prodígio que escolheu a pobreza
Jovem promessa
Em 1904, com 17 anos, foi o expositor mais novo da exposição de verão da Royal Academy, em Londres. A imprensa falou dele como um prodígio.
Estudou no Royal College of Art, mas saiu em 1905 sem diploma. Nesse ano publicou o primeiro livro de desenhos, Earth Inferno.
Crowley e a A∴A∴
Em 1907 entrou na A∴A∴, a ordem mágica de Aleister Crowley. Não ficou muito tempo: não gostava de hierarquias nem de magia cerimonial. Crowley, por seu lado, acusou-o de só se interessar por «magia negra».
Guerra, revistas e esquecimento
Durante a Primeira Guerra Mundial foi artista oficial de guerra. Entre 1916 e 1924 dirigiu duas revistas de arte, Form e The Golden Hind.
Depois afastou-se do mundo artístico. Viveu décadas em pobreza, em bairros operários do sul de Londres. Em 1941, durante os bombardeamentos alemães, perdeu a casa.
Regresso tardio
Em 1947 fez uma exposição bem-sucedida numa galeria londrina. A partir de 1949 passou a expor em bares, como o Temple Bar, em Walworth Road. O público ia até ao seu apartamento, no Borough, ver e comprar quadros pendurados na cozinha e no quarto.
Nesses anos fez amizade com o ocultista Kenneth Grant e a mulher, Steffi, que preservaram e divulgaram as suas ideias.
As ideias: Zos e Kia
Spare desenvolveu um sistema pessoal, exposto sobretudo em The Book of Pleasure (1913). Usava dois termos inventados por ele:
| Termo | Sentido para Spare |
|---|---|
| Zos | O corpo e a mente humana |
| Kia | Uma mente universal ou poder último, comparável ao Brahman hindu ou ao Tao |
O nome «Zos Kia Cultus» não é de Spare: foi criado depois por Kenneth Grant para designar a sua filosofia.
➜ Dicionário do Oculto: letra Z
Os sigilos
Nos grimórios antigos, um selo servia para identificar um espírito. Spare propôs outro uso: condensar as letras de um desejo num desenho abstrato.
Segundo ele, o desenho devia depois ser esquecido pela mente consciente, para atuar no inconsciente. Chamou ao conjunto destes sinais o «alfabeto do desejo».
É uma interpretação esotérica pessoal, sem demonstração científica. Mas foi a ideia de Spare que mais se espalhou.
A «ressurgência atávica»
Spare acreditava que o ser humano guarda memórias de espécies anteriores, dos animais de onde evoluímos. As figuras meio humanas, meio animais, com chifres, que aparecem nos seus desenhos exprimem essa ideia.
Influência
- Magia do caos: nos anos 1970, Peter J. Carroll adaptou os sigilos de Spare em Liber Null (1978). Spare é muitas vezes chamado o «avô» dessa corrente.
- Arte: nos anos 1930, com a chegada do surrealismo a Londres, críticos viram nele um precursor do surrealismo. Em 1964, o crítico Mario Amaya chegou a chamar-lhe um precursor da Pop Art britânica.
➜ Liber Null e a magia do caos
Curiosidades
- Em 2016, o seu nome foi dado a uma nova rua perto de Elephant and Castle, em Londres, junto da zona onde viveu.
- Há em Londres uma sala de museu dedicada à sua obra, no Viktor Wynd Museum.
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Fontes
- «Austin Osman Spare», Wikipedia (inglês): https://en.wikipedia.org/wiki/Austin_Osman_Spare
- Phil Baker, Austin Osman Spare: The Life and Legend of London's Lost Artist, Strange Attractor Press, 2011.
- Austin Osman Spare, The Book of Pleasure (Self-Love): The Psychology of Ecstasy, Londres, 1913 (edição do autor).