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🧙 Figuras do Oculto

Austin Osman Spare, o artista dos sigilos

Austin Osman Spare (1886–1956), desenhador londrino e ocultista: os sigilos, as ideias de Zos e Kia e a influência na magia do caos. Vida e obra.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Vida: o prodígio que escolheu a pobreza
  3. As ideias: Zos e Kia
  4. Influência
  5. Curiosidades
  6. Continue a ler
  7. Fontes

Austin Osman Spare (1886–1956) foi um desenhador e pintor londrino. Aos 17 anos já expunha na Royal Academy; aos 60 vendia quadros em bares do sul de Londres.

No ocultismo ficou conhecido por uma ideia simples que teve enorme descendência: transformar um desejo escrito num desenho — o sigilo — e depois esquecê-lo.

Décadas após a sua morte, os fundadores da magia do caos trataram-no como um precursor. Esta página conta a vida do homem; o método dos sigilos está explicado noutra página.

➜ Como desenhar sigilos mágicos

Ficha

Campo Informação
Nome Austin Osman Spare
Nascimento 30 de dezembro de 1886, Snow Hill, Londres
Morte 15 de maio de 1956, Londres
Origem Filho de um agente da polícia da City de Londres
Ocupação Desenhador, pintor, editor de revistas
Obras principais Earth Inferno (1905), A Book of Satyrs (1907), The Book of Pleasure (1913), The Focus of Life (1921)
Conhecido por Sigilos, «Zos» e «Kia», influência na magia do caos

Vida: o prodígio que escolheu a pobreza

Jovem promessa

Em 1904, com 17 anos, foi o expositor mais novo da exposição de verão da Royal Academy, em Londres. A imprensa falou dele como um prodígio.

Estudou no Royal College of Art, mas saiu em 1905 sem diploma. Nesse ano publicou o primeiro livro de desenhos, Earth Inferno.

Crowley e a A∴A∴

Em 1907 entrou na A∴A∴, a ordem mágica de Aleister Crowley. Não ficou muito tempo: não gostava de hierarquias nem de magia cerimonial. Crowley, por seu lado, acusou-o de só se interessar por «magia negra».

➜ Aleister Crowley

Guerra, revistas e esquecimento

Durante a Primeira Guerra Mundial foi artista oficial de guerra. Entre 1916 e 1924 dirigiu duas revistas de arte, Form e The Golden Hind.

Depois afastou-se do mundo artístico. Viveu décadas em pobreza, em bairros operários do sul de Londres. Em 1941, durante os bombardeamentos alemães, perdeu a casa.

Regresso tardio

Em 1947 fez uma exposição bem-sucedida numa galeria londrina. A partir de 1949 passou a expor em bares, como o Temple Bar, em Walworth Road. O público ia até ao seu apartamento, no Borough, ver e comprar quadros pendurados na cozinha e no quarto.

Nesses anos fez amizade com o ocultista Kenneth Grant e a mulher, Steffi, que preservaram e divulgaram as suas ideias.

As ideias: Zos e Kia

Spare desenvolveu um sistema pessoal, exposto sobretudo em The Book of Pleasure (1913). Usava dois termos inventados por ele:

Termo Sentido para Spare
Zos O corpo e a mente humana
Kia Uma mente universal ou poder último, comparável ao Brahman hindu ou ao Tao

O nome «Zos Kia Cultus» não é de Spare: foi criado depois por Kenneth Grant para designar a sua filosofia.

➜ Dicionário do Oculto: letra Z

Os sigilos

Nos grimórios antigos, um selo servia para identificar um espírito. Spare propôs outro uso: condensar as letras de um desejo num desenho abstrato.

Segundo ele, o desenho devia depois ser esquecido pela mente consciente, para atuar no inconsciente. Chamou ao conjunto destes sinais o «alfabeto do desejo».

É uma interpretação esotérica pessoal, sem demonstração científica. Mas foi a ideia de Spare que mais se espalhou.

A «ressurgência atávica»

Spare acreditava que o ser humano guarda memórias de espécies anteriores, dos animais de onde evoluímos. As figuras meio humanas, meio animais, com chifres, que aparecem nos seus desenhos exprimem essa ideia.

Influência

  • Magia do caos: nos anos 1970, Peter J. Carroll adaptou os sigilos de Spare em Liber Null (1978). Spare é muitas vezes chamado o «avô» dessa corrente.
  • Arte: nos anos 1930, com a chegada do surrealismo a Londres, críticos viram nele um precursor do surrealismo. Em 1964, o crítico Mario Amaya chegou a chamar-lhe um precursor da Pop Art britânica.

➜ Liber Null e a magia do caos

Curiosidades

  • Em 2016, o seu nome foi dado a uma nova rua perto de Elephant and Castle, em Londres, junto da zona onde viveu.
  • Há em Londres uma sala de museu dedicada à sua obra, no Viktor Wynd Museum.

Continue a ler

➜ Como desenhar sigilos mágicos

➜ Liber Null e a magia do caos

➜ Thelema

➜ Figuras do Oculto

Fontes

  • «Austin Osman Spare», Wikipedia (inglês): https://en.wikipedia.org/wiki/Austin_Osman_Spare
  • Phil Baker, Austin Osman Spare: The Life and Legend of London's Lost Artist, Strange Attractor Press, 2011.
  • Austin Osman Spare, The Book of Pleasure (Self-Love): The Psychology of Ecstasy, Londres, 1913 (edição do autor).

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