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🧙 Figuras do Oculto

Aleister Crowley, o mago mais famoso do século XX

Aleister Crowley (1875–1947): da Golden Dawn ao Livro da Lei, a Thelema, a Abadia de Cefalù, a passagem por Lisboa e a reputação que o perseguiu.

5 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Juventude e Golden Dawn
  3. Alpinista
  4. Cairo, 1904: o Livro da Lei
  5. As ordens: A∴A∴ e OTO
  6. A Abadia de Thelema, em Cefalù
  7. Os anos difíceis e Lisboa
  8. O tarot de Thoth e a morte
  9. Reputação e influência
  10. Curiosidades
  11. Continue a ler
  12. Fontes

Aleister Crowley é, provavelmente, o nome mais conhecido do ocultismo moderno. Foi mago, poeta, alpinista, pintor e jogador de xadrez. Fundou uma religião, a Thelema, e ficou para a história com a alcunha que a imprensa inglesa lhe deu: o homem mais perverso do mundo.

Esta página separa o que está documentado da lenda — muita dela criada pelo próprio Crowley, que gostava de provocar.

Ficha

Campo Informação
Nome Edward Alexander Crowley («Aleister» a partir da juventude)
Nascimento 12 de outubro de 1875, Leamington Spa, Inglaterra
Morte 1 de dezembro de 1947, Hastings, Inglaterra
Origem Família rica da seita protestante Irmãos de Plymouth
Ocupação Escritor, ocultista, poeta, alpinista
Obras principais O Livro da Lei (1904), Magick in Theory and Practice (1929), The Book of Thoth (1944)
Conhecido por Fundar a Thelema; «a Grande Besta 666»

Juventude e Golden Dawn

Crowley cresceu numa família muito religiosa, dos Irmãos de Plymouth. Revoltou-se cedo contra essa educação. A mãe chamava-lhe «a Besta» — e ele adotou o nome com gosto, mais tarde como «To Mega Therion», a Grande Besta 666 do Apocalipse.

Estudou no Trinity College, em Cambridge, que deixou sem terminar o curso em 1898. Nesse ano entrou na Golden Dawn. Como os membros de Londres não o queriam promover, foi Samuel Mathers quem o iniciou pessoalmente em Paris.

Em 1899 comprou Boleskine House, na Escócia, junto ao Lago Ness, para tentar a longa operação mágica do Livro de Abramelin.

➜ Samuel Mathers e a crise da Golden Dawn

➜ O Livro de Abramelin

Alpinista

Crowley foi um alpinista sério. Participou em 1902 numa expedição ao K2 e dirigiu em 1905 uma tentativa ao Kangchenjunga. Esta última acabou mal: morreram vários homens numa avalanche e Crowley foi muito criticado por não os ter socorrido.

Cairo, 1904: o Livro da Lei

Em abril de 1904, em lua de mel no Cairo com a primeira mulher, Rose Kelly, Crowley escreveu O Livro da Lei. Afirmou que lhe foi ditado por uma entidade chamada Aiwass.

É o texto fundador da Thelema, cuja fórmula mais conhecida é «Faz o que quiseres será o todo da Lei» — entendida pelos thelemitas como seguir a sua verdadeira vontade, e não qualquer capricho.

➜ O Livro da Lei

➜ Thelema: a religião de Crowley

As ordens: A∴A∴ e OTO

Em 1907 fundou a A∴A∴, uma ordem de estudo individual. Em 1912 passou a dirigir o ramo britânico da Ordo Templi Orientis (OTO), que acabou por transformar numa ordem thelemita. A partir de 1909 publicou a revista The Equinox, onde divulgou rituais da Golden Dawn — o que levou Mathers a processá-lo, sem sucesso, em 1910.

A Abadia de Thelema, em Cefalù

Em 1920 instalou em Cefalù, na Sicília, uma comunidade a que chamou Abadia de Thelema. Ali se praticavam rituais, meditação, sexo ritual e consumo de drogas.

Em 1923 morreu na abadia um jovem seguidor, Raoul Loveday, provavelmente de uma infeção. A mulher dele contou a história aos jornais ingleses, que lançaram uma campanha contra Crowley. Em abril de 1923, o governo de Mussolini expulsou-o de Itália.

Os anos difíceis e Lisboa

Crowley tinha herdado uma fortuna, mas gastou-a toda. Desde o início dos anos 1920 era dependente de heroína, que um médico lhe receitara para a asma.

Em setembro de 1930 esteve em Lisboa, onde conheceu Fernando Pessoa. Antes de sair do país, encenou com a ajuda de Pessoa um falso suicídio na Boca do Inferno, em Cascais — um caso que chegou aos jornais e que contamos em pormenor noutra página.

➜ Crowley e a Boca do Inferno (1930)

Em 1934 processou por difamação a pintora Nina Hamnett, que num livro de memórias o associara à magia negra. Perdeu, e a derrota contribuiu para a sua ruína financeira.

O tarot de Thoth e a morte

Entre 1938 e 1943, a pintora Frieda Harris pintou sob a sua orientação as 78 cartas do tarot de Thoth. O livro The Book of Thoth saiu em 1944; o baralho só foi impresso em 1969, depois da morte dos dois.

Crowley morreu em Hastings, a 1 de dezembro de 1947, pobre e quase esquecido.

➜ História do tarot

Reputação e influência

Crowley foi alvo de acusações muito graves, algumas exageradas pela imprensa, outras confirmadas pelos seus próprios diários: abandono de companheiras e filhos, consumo de drogas, desprezo pelos outros. Os biógrafos apontam também opiniões racistas e misóginas.

Ao mesmo tempo, a sua influência é enorme:

  • a Thelema e a OTO continuam ativas;
  • a Wicca de Gerald Gardner aproveitou textos e ideias suas;
  • está na capa de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, e inspirou músicos como Jimmy Page;
  • numa sondagem da BBC sobre os 100 maiores britânicos, ficou em 73.º lugar.

➜ Gerald Gardner e a Wicca

Curiosidades

  • Escreveu «magick», com «k», para distinguir a sua magia da prestidigitação.
  • Correm há muito rumores de que terá colaborado com os serviços secretos britânicos. Nunca foram totalmente provados.

Continue a ler

➜ Thelema

➜ Fernando Pessoa e o ocultismo

➜ A Golden Dawn

➜ Figuras do Oculto

Fontes

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