Alessandro, conde de Cagliostro, foi uma das figuras mais faladas da Europa nos anos que antecederam a Revolução Francesa. Apresentava-se como curandeiro, alquimista e fundador de uma maçonaria egípcia.
Para uns era um sábio. Para outros, um vigarista de talento. Acabou os seus dias numa prisão papal, condenado pela Inquisição romana.
A maioria dos historiadores identifica-o com Giuseppe Balsamo, um siciliano de origem humilde. Essa identificação vem sobretudo do processo da Inquisição e há quem a conteste.
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome | Alessandro di Cagliostro; provavelmente Giuseppe Balsamo |
| Nascimento | Junho de 1743, Palermo (Sicília) |
| Morte | 26 de agosto de 1795, fortaleza de San Leo (Estados Pontifícios) |
| Origem | Família modesta de Palermo |
| Ocupação | Curandeiro, aventureiro, fundador de ritos maçónicos |
| Obras | Ritual da Maçonaria Egípcia; Carta ao povo inglês (1787) |
| Conhecido por | Rito egípcio, caso do colar, condenação pela Inquisição |
A vida: o que está documentado
De Palermo a Londres
Giuseppe Balsamo deixou a Sicília ainda jovem, depois de problemas com a justiça. Em 1768 casou em Roma com Lorenza Feliciani, que passou a usar o nome Serafina.
O casal viajou durante anos pela Europa. Segundo as fontes, Balsamo vivia de expedientes: falsificações, remédios e amuletos, sessões ocultistas.
A 12 de abril de 1777, em Londres, foi iniciado na franc-maçonaria. A partir daí apresentou-se como conde de Cagliostro.
A maçonaria egípcia
Cagliostro criou um rito próprio, a Maçonaria Egípcia, e intitulava-se «Grande Copta». Prometia aos membros uma regeneração física e moral. Uma novidade: admitia mulheres em lojas próprias, dirigidas por Serafina.
Fundou lojas deste rito em várias cidades, sobretudo em Lyon (1784). O Egito que evocava era imaginário: a escrita hieroglífica ainda não tinha sido decifrada.
Estrasburgo e o cardeal
Em Estrasburgo tratava doentes, muitas vezes de graça, e distribuía dinheiro aos pobres. Ali conquistou a amizade do cardeal de Rohan, bispo da cidade.
O caso do colar (1785–1786)
O caso do colar foi um dos maiores escândalos do reinado de Luís XVI. Uma aventureira, Jeanne de la Motte, convenceu o cardeal de Rohan de que a rainha Maria Antonieta queria comprar em segredo um colar de diamantes caríssimo. O colar desapareceu.
Cagliostro, amigo do cardeal, foi preso com ele e passou nove meses na Bastilha. A 31 de maio de 1786 foi absolvido, mas expulso de França. A rainha nada tinha a ver com a fraude, mas a sua reputação ficou manchada.
Cagliostro seguiu para Londres, onde publicou em 1787 uma carta aberta a defender-se.
Roma e a Inquisição
Em 1789 voltou a Roma — uma decisão fatal. A maçonaria estava condenada pela Igreja. No fim de dezembro de 1789 foi preso pela Inquisição romana.
Em abril de 1791 foi condenado à morte por heresia, magia e maçonaria. O papa Pio VI comutou a pena em prisão perpétua.
Foi levado para a fortaleza de San Leo, onde morreu a 26 de agosto de 1795.
A lenda
Cagliostro alimentou a sua própria lenda. Dizia ter crescido no Oriente, ter sido iniciado no Egito e conhecer segredos milenares. Nada disto se confirma.
A imprensa da época multiplicou histórias: curas milagrosas, o elixir da juventude, a transmutação de metais. É muitas vezes posto lado a lado com o Conde de Saint-Germain: dois aventureiros de origem obscura que fascinaram as cortes do século XVIII.
➜ Alquimia
Na cultura
- Goethe, na viagem a Itália, visitou em Palermo a família Balsamo, que vivia na pobreza. Escreveu depois a comédia Der Groß-Cophta (1791).
- Alexandre Dumas fez dele personagem do romance Joseph Balsamo.
- O nome «Cagliostro» ficou como sinónimo de charlatão genial em várias línguas.
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Fontes
- Alessandro Cagliostro — Wikipedia (inglês)
- Alessandro Cagliostro — Wikipédia (português)
- McCalman, Iain. The Last Alchemist: Count Cagliostro, Master of Magic in the Age of Reason. Nova Iorque: HarperCollins, 2003.
- Goethe, Johann Wolfgang von. Viagem a Itália (Italienische Reise), 1816–1817.