Doreen Valiente (1922–1999) foi uma bruxa, poeta e escritora inglesa. Muitos praticantes chamam-lhe «a mãe da bruxaria moderna» — um título que, segundo quem a conheceu, ela própria não apreciava.
Foi ela quem deu forma literária a grande parte dos rituais da Wicca. O texto mais famoso da religião, a «Carga da Deusa», é, na versão hoje mais conhecida, obra sua.
Também teve a coragem de discordar de Gerald Gardner e, mais tarde, de investigar as histórias que ele contava.
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome | Doreen Edith Dominy Valiente |
| Nascimento | 4 de janeiro de 1922, Mitcham (Surrey, Inglaterra) |
| Morte | 1 de setembro de 1999, Brighton |
| Origem | Família inglesa de classe média |
| Ocupação | Tradutora, escritora, poeta |
| Obras principais | Where Witchcraft Lives (1962), An ABC of Witchcraft (1973), Witchcraft for Tomorrow (1978), The Rebirth of Witchcraft (1989) |
| Conhecida por | Reescrever os rituais da Wicca |
Vida
Doreen interessou-se por magia ainda adolescente. Durante a Segunda Guerra Mundial trabalhou como tradutora para o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, em Bletchley Park, o centro de descodificação de mensagens.
Casou duas vezes. O primeiro marido, um marinheiro grego, desapareceu no mar em 1941. O segundo, Casimiro Valiente, era um refugiado espanhol — daí o apelido pelo qual ficou conhecida.
O encontro com Gardner
No outono de 1952, leu numa revista um artigo sobre o museu de bruxaria da Ilha de Man. Escreveu ao dono, Cecil Williamson, que a pôs em contacto com Gerald Gardner.
Foi iniciada por Gardner em 1953, no solstício de verão. Pouco depois tornou-se alta sacerdotisa do coven de Bricket Wood, perto de Londres.
A grande obra: reescrever os rituais
Os rituais de Gardner eram uma manta de retalhos. Tinham muitas passagens retiradas de Aleister Crowley, o que preocupava Doreen: temia que a má fama de Crowley prejudicasse a nova religião.
Com o acordo de Gardner, reescreveu grande parte do Livro das Sombras, substituindo esses trechos por textos seus.
A Carga da Deusa
A «Carga da Deusa» (Charge of the Goddess) é o discurso em que a Deusa fala aos seus seguidores durante o ritual.
- A versão de Gardner, do fim dos anos 1940, misturava passagens de Aradia (Leland, 1899) e de obras de Crowley.
- Em meados dos anos 1950, Doreen escreveu primeiro uma versão em verso e depois uma versão em prosa.
- É esta versão em prosa a mais reproduzida e adaptada até hoje.
O historiador Ronald Hutton considera-a o seu maior contributo individual para a Wicca.
O texto de Doreen Valiente está protegido por direitos de autor, por isso não o transcrevemos. Em resumo, apresenta as várias deusas como rostos de uma mesma divindade e trata o amor e o prazer como formas de culto.
➜ Aradia, o Evangelho das Bruxas
Escreveu também, com Gardner, a «Runa das Bruxas» (The Witches' Rune), um cântico usado nos rituais.
A rutura com Gardner (1957)
Gardner procurava a atenção dos jornais. Doreen e outros membros do coven achavam isso perigoso para o grupo.
Propuseram regras sobre o que se podia revelar a quem estava de fora. Gardner respondeu com um conjunto de «Leis da Arte» (Wiccan Laws), que dizia serem antigas e que limitavam a autoridade da alta sacerdotisa. Os membros suspeitaram que as tinha escrito ele próprio.
Em 1957, Doreen e outros saíram e formaram um grupo próprio. Mais tarde reconciliou-se com Gardner, que lhe deixou uma pequena quantia em testamento.
Depois de Gardner
Em 1964 juntou-se ao Clan of Tubal Cain, de Robert Cochrane, uma corrente que se apresentava como «bruxaria tradicional» e era hostil a Gardner. Saiu pouco tempo depois, desiludida.
Nos livros seguintes, sobretudo Witchcraft for Tomorrow (1978), explicou como uma pessoa podia praticar sozinha e iniciar-se a si própria — uma ideia que ajudou a espalhar a bruxaria moderna para fora dos covens.
Participou na fundação da Pagan Federation, a principal associação pagã britânica.
A investigadora
Doreen quis saber se «Old Dorothy», a senhora que teria iniciado Gardner, existira mesmo. Procurou documentos e provou que Dorothy Clutterbuck foi uma pessoa real. Publicou a pesquisa em 1984.
Isto confirmou a existência da senhora — não a existência de um culto antigo.
Legado
Doreen Valiente morreu em Brighton em 1999. Deixou manuscritos e objetos rituais, hoje guardados pela Doreen Valiente Foundation, criada em 2011.
Em 2013, foi colocada uma placa azul no prédio onde viveu os últimos anos, em Brighton.
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Fontes
- Ronald Hutton, The Triumph of the Moon: A History of Modern Pagan Witchcraft, Oxford University Press, 1999.
- Doreen Valiente, The Rebirth of Witchcraft, Robert Hale, 1989.
- «Doreen Valiente», Wikipedia (inglês): https://en.wikipedia.org/wiki/Doreen_Valiente
- «Charge of the Goddess», Wikipedia (inglês): https://en.wikipedia.org/wiki/Charge_of_the_Goddess