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🧙 Figuras do Oculto

Doreen Valiente, a «mãe da bruxaria moderna»

Doreen Valiente (1922–1999) reescreveu os rituais da Wicca, incluindo a Carga da Deusa, e rompeu com Gerald Gardner em 1957. A sua vida e obra.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Vida
  3. A grande obra: reescrever os rituais
  4. A rutura com Gardner (1957)
  5. Depois de Gardner
  6. Legado
  7. Continue a ler
  8. Fontes

Doreen Valiente (1922–1999) foi uma bruxa, poeta e escritora inglesa. Muitos praticantes chamam-lhe «a mãe da bruxaria moderna» — um título que, segundo quem a conheceu, ela própria não apreciava.

Foi ela quem deu forma literária a grande parte dos rituais da Wicca. O texto mais famoso da religião, a «Carga da Deusa», é, na versão hoje mais conhecida, obra sua.

Também teve a coragem de discordar de Gerald Gardner e, mais tarde, de investigar as histórias que ele contava.

➜ Gerald Gardner

Ficha

Campo Informação
Nome Doreen Edith Dominy Valiente
Nascimento 4 de janeiro de 1922, Mitcham (Surrey, Inglaterra)
Morte 1 de setembro de 1999, Brighton
Origem Família inglesa de classe média
Ocupação Tradutora, escritora, poeta
Obras principais Where Witchcraft Lives (1962), An ABC of Witchcraft (1973), Witchcraft for Tomorrow (1978), The Rebirth of Witchcraft (1989)
Conhecida por Reescrever os rituais da Wicca

Vida

Doreen interessou-se por magia ainda adolescente. Durante a Segunda Guerra Mundial trabalhou como tradutora para o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, em Bletchley Park, o centro de descodificação de mensagens.

Casou duas vezes. O primeiro marido, um marinheiro grego, desapareceu no mar em 1941. O segundo, Casimiro Valiente, era um refugiado espanhol — daí o apelido pelo qual ficou conhecida.

O encontro com Gardner

No outono de 1952, leu numa revista um artigo sobre o museu de bruxaria da Ilha de Man. Escreveu ao dono, Cecil Williamson, que a pôs em contacto com Gerald Gardner.

Foi iniciada por Gardner em 1953, no solstício de verão. Pouco depois tornou-se alta sacerdotisa do coven de Bricket Wood, perto de Londres.

A grande obra: reescrever os rituais

Os rituais de Gardner eram uma manta de retalhos. Tinham muitas passagens retiradas de Aleister Crowley, o que preocupava Doreen: temia que a má fama de Crowley prejudicasse a nova religião.

Com o acordo de Gardner, reescreveu grande parte do Livro das Sombras, substituindo esses trechos por textos seus.

➜ O Livro das Sombras

A Carga da Deusa

A «Carga da Deusa» (Charge of the Goddess) é o discurso em que a Deusa fala aos seus seguidores durante o ritual.

  • A versão de Gardner, do fim dos anos 1940, misturava passagens de Aradia (Leland, 1899) e de obras de Crowley.
  • Em meados dos anos 1950, Doreen escreveu primeiro uma versão em verso e depois uma versão em prosa.
  • É esta versão em prosa a mais reproduzida e adaptada até hoje.

O historiador Ronald Hutton considera-a o seu maior contributo individual para a Wicca.

O texto de Doreen Valiente está protegido por direitos de autor, por isso não o transcrevemos. Em resumo, apresenta as várias deusas como rostos de uma mesma divindade e trata o amor e o prazer como formas de culto.

➜ Aradia, o Evangelho das Bruxas

➜ Lua tripla e deusa tríplice

Escreveu também, com Gardner, a «Runa das Bruxas» (The Witches' Rune), um cântico usado nos rituais.

A rutura com Gardner (1957)

Gardner procurava a atenção dos jornais. Doreen e outros membros do coven achavam isso perigoso para o grupo.

Propuseram regras sobre o que se podia revelar a quem estava de fora. Gardner respondeu com um conjunto de «Leis da Arte» (Wiccan Laws), que dizia serem antigas e que limitavam a autoridade da alta sacerdotisa. Os membros suspeitaram que as tinha escrito ele próprio.

Em 1957, Doreen e outros saíram e formaram um grupo próprio. Mais tarde reconciliou-se com Gardner, que lhe deixou uma pequena quantia em testamento.

Depois de Gardner

Em 1964 juntou-se ao Clan of Tubal Cain, de Robert Cochrane, uma corrente que se apresentava como «bruxaria tradicional» e era hostil a Gardner. Saiu pouco tempo depois, desiludida.

➜ Bruxaria tradicional

Nos livros seguintes, sobretudo Witchcraft for Tomorrow (1978), explicou como uma pessoa podia praticar sozinha e iniciar-se a si própria — uma ideia que ajudou a espalhar a bruxaria moderna para fora dos covens.

Participou na fundação da Pagan Federation, a principal associação pagã britânica.

A investigadora

Doreen quis saber se «Old Dorothy», a senhora que teria iniciado Gardner, existira mesmo. Procurou documentos e provou que Dorothy Clutterbuck foi uma pessoa real. Publicou a pesquisa em 1984.

Isto confirmou a existência da senhora — não a existência de um culto antigo.

Legado

Doreen Valiente morreu em Brighton em 1999. Deixou manuscritos e objetos rituais, hoje guardados pela Doreen Valiente Foundation, criada em 2011.

Em 2013, foi colocada uma placa azul no prédio onde viveu os últimos anos, em Brighton.

Continue a ler

➜ Wicca: origem e crenças

➜ Gerald Gardner

➜ Paganismo

➜ Figuras do Oculto

Fontes

  • Ronald Hutton, The Triumph of the Moon: A History of Modern Pagan Witchcraft, Oxford University Press, 1999.
  • Doreen Valiente, The Rebirth of Witchcraft, Robert Hale, 1989.
  • «Doreen Valiente», Wikipedia (inglês): https://en.wikipedia.org/wiki/Doreen_Valiente
  • «Charge of the Goddess», Wikipedia (inglês): https://en.wikipedia.org/wiki/Charge_of_the_Goddess

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