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🧙 Figuras do Oculto

Apolónio de Tiana, o filósofo dos prodígios

Apolónio de Tiana, filósofo neopitagórico do séc. I: a biografia de Filóstrato, os prodígios, a comparação com Cristo, Balinas no Islão e o Nuctemeron de Éliphas Lévi.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O que se sabe
  3. A biografia de Filóstrato
  4. Os prodígios (segundo Filóstrato)
  5. Rival de Cristo?
  6. Balinas: Apolónio no mundo árabe
  7. Apolónio e Éliphas Lévi
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Apolónio de Tiana foi um filósofo grego do século I, seguidor de Pitágoras. Em vida, e sobretudo depois de morto, ganhou fama de fazer prodígios: curar, prever o futuro, expulsar demónios.

Quase tudo o que sabemos dele vem de uma biografia escrita mais de um século depois da sua morte. Por isso, é muito difícil separar o homem real da personagem literária.

Mais tarde foi usado contra o cristianismo, como «rival» de Jesus, e no mundo árabe tornou-se um mestre da alquimia e dos talismãs.

Ficha

Campo Informação
Nome Apolónio de Tiana (grego Apollōnios ho Tyaneus; árabe Balīnās)
Nascimento c. 15 d.C. (data discutida)
Morte c. 100 d.C.
Origem Tiana, na Capadócia (atual Turquia)
Ocupação Filósofo neopitagórico e pregador itinerante
Obras Cartas atribuídas; outras obras perdidas ou de atribuição duvidosa
Conhecido por Os prodígios contados por Filóstrato

O que se sabe

A maioria dos historiadores aceita que Apolónio existiu. Seguia o modo de vida pitagórico: não comia carne, recusava os sacrifícios de animais e vivia com simplicidade.

Viajou muito pelo mundo romano e, segundo a tradição, até à Índia. Teve discípulos e foi respeitado em vários templos gregos.

A biografia de Filóstrato

A fonte principal é a Vida de Apolónio de Tiana, escrita por Filóstrato por volta de 220–230 d.C. O autor diz que a escreveu a pedido da imperatriz Júlia Domna, mulher de Septímio Severo.

Filóstrato afirma basear-se nas memórias de Dâmis, um discípulo que teria acompanhado Apolónio. Muitos investigadores pensam que essas memórias foram inventadas pelo próprio Filóstrato.

A obra é mais romance filosófico do que biografia rigorosa.

Os prodígios (segundo Filóstrato)

Estes episódios são narrativa literária, não factos comprovados:

  • Libertar o jovem Menipo de uma empusa (ou lâmia), um ser que o queria seduzir em Corinto. Esta história inspirou o poema Lamia de John Keats (1820).
  • Trazer de volta à vida, em Roma, uma jovem noiva que parecia morta. O próprio Filóstrato admite que talvez ainda tivesse um sopro de vida.
  • Ver à distância, em Éfeso, o assassínio do imperador Domiciano (96 d.C.), no momento em que acontecia em Roma.
  • Ser julgado por Domiciano e desaparecer do tribunal.

Rival de Cristo?

Por volta de 303, o governador romano Hiérocles, um dos promotores da perseguição de Diocleciano aos cristãos, escreveu O Amigo da Verdade. Comparava os prodígios de Apolónio aos de Jesus para mostrar que os cristãos não tinham nada de especial.

Eusébio de Cesareia respondeu com o tratado Contra Hiérocles, criticando a fiabilidade de Filóstrato.

Esta comparação voltou muitas vezes, até ao Iluminismo, em autores que queriam pôr em causa os milagres dos Evangelhos.

Balinas: Apolónio no mundo árabe

No mundo islâmico, Apolónio tornou-se Balīnās, mestre dos talismãs e da alquimia. Atribuiu-se-lhe o Livro do Segredo da Criação (séc. IX), onde aparece uma das versões mais antigas da Tábua de Esmeralda. O livro foi traduzido para latim no séc. XII por Hugo de Santalla.

Também em Bizâncio circularam talismãs protetores ligados ao seu nome e um texto astrológico, os Apotelesmata, a ele atribuídos.

➜ Hermes Trismegisto

➜ Alquimia

Apolónio e Éliphas Lévi

No séc. XIX, Apolónio voltou ao centro do ocultismo pela mão de Éliphas Lévi.

  • A evocação de 1854. Lévi contou que, em Londres, a 24 de julho de 1854, tentou evocar Apolónio num ritual preparado durante 21 dias. Descreveu uma figura envolta num sudário, mas admitiu que não podia provar que fosse Apolónio e que as «respostas» surgiram no seu próprio pensamento.
  • O Nuctemeron. Lévi publicou, no seu Dogma e Ritual da Alta Magia, o Nuctemeron («noite-dia»), texto que apresentou como tradução de um original grego de Apolónio. Atribui um génio a cada uma das doze horas. A atribuição a Apolónio é duvidosa e não há prova de que venha do filósofo do século I.

➜ Dogma e Ritual da Alta Magia

➜ Éliphas Lévi

Continue a ler

➜ Figuras do Oculto

➜ Simão Mago

➜ Magia grega

Fontes

  • «Apollonius of Tyana», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Apollonios de Tyane», Wikipédia — fr.wikipedia.org
  • «Sossianus Hierocles», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Éliphas Lévi, «The Magical Evocation of Apollonius of Tyana» (trad. inglesa em Theosophical Siftings) — hpb.narod.ru
  • Filóstrato, Vida de Apolónio de Tiana (séc. III).

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