Apolónio de Tiana foi um filósofo grego do século I, seguidor de Pitágoras. Em vida, e sobretudo depois de morto, ganhou fama de fazer prodígios: curar, prever o futuro, expulsar demónios.
Quase tudo o que sabemos dele vem de uma biografia escrita mais de um século depois da sua morte. Por isso, é muito difícil separar o homem real da personagem literária.
Mais tarde foi usado contra o cristianismo, como «rival» de Jesus, e no mundo árabe tornou-se um mestre da alquimia e dos talismãs.
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome | Apolónio de Tiana (grego Apollōnios ho Tyaneus; árabe Balīnās) |
| Nascimento | c. 15 d.C. (data discutida) |
| Morte | c. 100 d.C. |
| Origem | Tiana, na Capadócia (atual Turquia) |
| Ocupação | Filósofo neopitagórico e pregador itinerante |
| Obras | Cartas atribuídas; outras obras perdidas ou de atribuição duvidosa |
| Conhecido por | Os prodígios contados por Filóstrato |
O que se sabe
A maioria dos historiadores aceita que Apolónio existiu. Seguia o modo de vida pitagórico: não comia carne, recusava os sacrifícios de animais e vivia com simplicidade.
Viajou muito pelo mundo romano e, segundo a tradição, até à Índia. Teve discípulos e foi respeitado em vários templos gregos.
A biografia de Filóstrato
A fonte principal é a Vida de Apolónio de Tiana, escrita por Filóstrato por volta de 220–230 d.C. O autor diz que a escreveu a pedido da imperatriz Júlia Domna, mulher de Septímio Severo.
Filóstrato afirma basear-se nas memórias de Dâmis, um discípulo que teria acompanhado Apolónio. Muitos investigadores pensam que essas memórias foram inventadas pelo próprio Filóstrato.
A obra é mais romance filosófico do que biografia rigorosa.
Os prodígios (segundo Filóstrato)
Estes episódios são narrativa literária, não factos comprovados:
- Libertar o jovem Menipo de uma empusa (ou lâmia), um ser que o queria seduzir em Corinto. Esta história inspirou o poema Lamia de John Keats (1820).
- Trazer de volta à vida, em Roma, uma jovem noiva que parecia morta. O próprio Filóstrato admite que talvez ainda tivesse um sopro de vida.
- Ver à distância, em Éfeso, o assassínio do imperador Domiciano (96 d.C.), no momento em que acontecia em Roma.
- Ser julgado por Domiciano e desaparecer do tribunal.
Rival de Cristo?
Por volta de 303, o governador romano Hiérocles, um dos promotores da perseguição de Diocleciano aos cristãos, escreveu O Amigo da Verdade. Comparava os prodígios de Apolónio aos de Jesus para mostrar que os cristãos não tinham nada de especial.
Eusébio de Cesareia respondeu com o tratado Contra Hiérocles, criticando a fiabilidade de Filóstrato.
Esta comparação voltou muitas vezes, até ao Iluminismo, em autores que queriam pôr em causa os milagres dos Evangelhos.
Balinas: Apolónio no mundo árabe
No mundo islâmico, Apolónio tornou-se Balīnās, mestre dos talismãs e da alquimia. Atribuiu-se-lhe o Livro do Segredo da Criação (séc. IX), onde aparece uma das versões mais antigas da Tábua de Esmeralda. O livro foi traduzido para latim no séc. XII por Hugo de Santalla.
Também em Bizâncio circularam talismãs protetores ligados ao seu nome e um texto astrológico, os Apotelesmata, a ele atribuídos.
➜ Alquimia
Apolónio e Éliphas Lévi
No séc. XIX, Apolónio voltou ao centro do ocultismo pela mão de Éliphas Lévi.
- A evocação de 1854. Lévi contou que, em Londres, a 24 de julho de 1854, tentou evocar Apolónio num ritual preparado durante 21 dias. Descreveu uma figura envolta num sudário, mas admitiu que não podia provar que fosse Apolónio e que as «respostas» surgiram no seu próprio pensamento.
- O Nuctemeron. Lévi publicou, no seu Dogma e Ritual da Alta Magia, o Nuctemeron («noite-dia»), texto que apresentou como tradução de um original grego de Apolónio. Atribui um génio a cada uma das doze horas. A atribuição a Apolónio é duvidosa e não há prova de que venha do filósofo do século I.
➜ Dogma e Ritual da Alta Magia
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Fontes
- «Apollonius of Tyana», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Apollonios de Tyane», Wikipédia — fr.wikipedia.org
- «Sossianus Hierocles», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Éliphas Lévi, «The Magical Evocation of Apollonius of Tyana» (trad. inglesa em Theosophical Siftings) — hpb.narod.ru
- Filóstrato, Vida de Apolónio de Tiana (séc. III).