A cruz é a figura mais simples que existe depois do ponto e da linha: duas linhas que se cruzam. Por isso aparece em quase todas as culturas, desde a pré-história.
Para a maioria dos portugueses, porém, a cruz é antes de tudo o símbolo cristão por excelência. Nesta página separamos as cruzes pré-cristãs, a cruz cristã, a sua história em Portugal e as leituras esotéricas modernas.
A cruz antes do cristianismo
Cruzes simples surgem em gravuras rupestres, cerâmica e moedas muito antigas. Uma das formas mais comuns é a cruz dentro de um círculo (a «roda solar»), frequente na arte pré-histórica europeia.
Nestes casos, raramente sabemos o que significava. As leituras como «símbolo do Sol» ou «quatro direções» são hipóteses, não factos.
O egípcio ankh ☥ é por vezes chamado «cruz ansata», mas era um sinal de escrita que significava «vida».
➜ Ankh, o sinal egípcio da vida
A cruz cristã
Os primeiros cristãos usavam sobretudo outros sinais: o peixe e o cristograma (as letras gregas X e P). A cruz, instrumento de execução romano, só se tornou o símbolo principal a partir do século IV, depois de o cristianismo ser tolerado e oficializado no Império.
As mais antigas representações da crucificação são raras. Uma das conhecidas está nas portas de madeira da basílica de Santa Sabina, em Roma (c. 430).
Tipos de cruz
| Cruz | Forma |
|---|---|
| Latina ✝ | Haste vertical mais comprida; a mais comum no Ocidente |
| Grega | Quatro braços iguais |
| Tau | Em forma de T |
| De Santo André | Em X |
| Pátea | Braços que alargam nas pontas |
| De Jerusalém ☩ | Uma cruz grande com quatro pequenas |
| Crucifixo | Cruz com a figura de Cristo |
A cruz em Portugal
A cruz de Cristo
É um dos símbolos mais portugueses que existem. A Ordem de Cristo foi criada pela bula Ad ea ex quibus do papa João XXII, de 14 de março de 1319, a pedido de D. Dinis. Herdou os bens dos Templários, extintos pouco antes.
A sua cruz é uma cruz pátea vermelha carregada com uma cruz branca. Primeiro sediada em Castro Marim, a Ordem passou para Tomar em 1357. A partir de 1420, o Infante D. Henrique foi o seu administrador, e a cruz seguiu nas velas das caravelas dos Descobrimentos.
Hoje está no emblema da Força Aérea, na bandeira da Madeira e na vela do navio-escola Sagres.
Outras cruzes portuguesas
- Cruz de Avis: cruz flordelisada verde, emblema da Ordem de Avis, ligada à dinastia de D. João I.
- Cruzeiros e alminhas: cruzes de pedra à beira dos caminhos, nos adros e nas encruzilhadas.
- Sinal da cruz: na tradição popular, benzia-se o pão, a casa, os campos e as pessoas. As benzedeiras fazem cruzes durante as rezas.
A cruz no esoterismo
As escolas esotéricas modernas acrescentaram leituras próprias. Nesta interpretação moderna:
- a linha vertical liga o céu e a terra; a horizontal representa o mundo material;
- o centro é o ponto de encontro dos dois planos;
- os quatro braços são associados aos quatro elementos ou às quatro direções.
A Rosa-Cruz (séc. XVII) juntou a cruz e a rosa num emblema que ainda hoje usam várias ordens esotéricas.
Estas leituras não são o sentido cristão da cruz, e não devem ser apresentadas como tal.
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Fontes
- «Ordem de Cristo», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- «Cruz da Ordem de Cristo», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- «Christian cross», Wikipedia — en.wikipedia.org