Saltar para o conteúdo

🔯 Símbolos

A Flor da Vida: um padrão antigo com um nome moderno

A Flor da Vida explicada: o padrão de círculos na Assíria, em Abidos e em Roma, o nome moderno dado pela Nova Era e os mitos a separar da história.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O desenho
  3. O que diz a história
  4. O nome moderno: Drunvalo Melchizedek
  5. Mitos a desfazer
  6. Continue a ler
  7. Fontes

A Flor da Vida é um desenho de círculos iguais que se sobrepõem, formando pétalas dentro de um grande círculo. É hoje um dos símbolos mais populares da espiritualidade alternativa: aparece em joias, tapetes de ioga, quadros e tatuagens.

Há duas histórias a separar. O padrão geométrico é realmente antigo e aparece em muitas culturas. Já o nome «Flor da Vida» e os significados cósmicos que hoje lhe dão são modernos, do final do século XX.

Ficha

Campo Informação
Nome Flor da Vida
Outros nomes Grelha de círculos sobrepostos; roseta hexapétala (a forma mais simples)
Origem mais antiga conhecida Assíria, séc. VII–VI a.C. (soleira de palácio, hoje no Louvre)
Culturas Assíria, Egito greco-romano, Roma, arte medieval e popular europeia, China
Significados Decoração; sinal de proteção em arte popular; «geometria sagrada» (Nova Era)

O desenho

Tudo começa com o compasso. Traça-se um círculo; na sua borda, põe-se a ponta do compasso e traça-se outro do mesmo tamanho; repete-se à volta.

  • Com 7 círculos obtém-se a roseta de seis pétalas (hexafólio), a forma mais antiga e comum.
  • A versão hoje chamada «Flor da Vida» tem normalmente 19 círculos dentro de um círculo maior.
  • A zona em forma de amêndoa entre dois círculos chama-se vesica piscis.

É um desenho que qualquer pessoa com um compasso descobre por si. Isso ajuda a explicar porque aparece em tantos lugares sem ligação entre si.

➜ O círculo como símbolo

O que diz a história

Assíria

O exemplo mais antigo conhecido deste padrão está numa soleira de palácio assírio do século VII ou VI a.C., hoje no Museu do Louvre. É um tapete de pedra decorativo.

Abidos, no Egito

O caso mais famoso está no Osireion, em Abidos, junto ao templo de Seti I. Há ali cinco padrões de 19 círculos desenhados, ao que tudo indica a ocre vermelho, num bloco de granito, bem acima do chão.

O ponto essencial: estes desenhos não são da época dos faraós que construíram o edifício. Estão junto a grafitos gregos e são geralmente datados dos primeiros séculos antes ou depois de Cristo, quando visitantes deixaram marcas no local. Alguns investigadores nem excluem uma origem mais tardia.

Roma e depois

  • Padrões de sete círculos aparecem em mosaicos romanos, como no palácio de Herodes (séc. I a.C.).
  • Leonardo da Vinci estudou as proporções da figura nos seus cadernos (Codex Atlanticus).
  • Na Cidade Proibida, em Pequim, o padrão aparece na bola sob a pata de um leão guardião.
  • Nos Alpes, a roseta de seis pétalas foi muito usada na arte popular dos séculos XVII e XVIII (o «Sol dos Alpes»).

Um sinal de proteção

Em Inglaterra, rosetas de seis pétalas feitas a compasso foram gravadas em casas e igrejas como marcas apotropaicas — sinais para afastar bruxas e males. É o uso tradicional mais próximo da magia que está documentado.

➜ Símbolos de proteção

O nome moderno: Drunvalo Melchizedek

O nome «Flor da Vida» é associado sobretudo ao autor norte-americano Drunvalo Melchizedek e ao seu livro The Ancient Secret of the Flower of Life (1999).

Nesse livro, o padrão é apresentado como uma chave da criação, com conhecimentos escondidos pelos antigos egípcios. A partir daqui popularizaram-se termos como «Semente da Vida» e a ligação a outras figuras da chamada geometria sagrada.

Estas ideias pertencem ao movimento Nova Era. São uma interpretação espiritual moderna, não uma tradição antiga documentada.

➜ A Nova Era

Mitos a desfazer

  • «Tem milhares de anos no Egito.» Os desenhos de Abidos são muito posteriores ao templo, provavelmente greco-romanos.
  • «Foi gravado com tecnologia desconhecida.» Circula muito online, mas não há base para isso: os desenhos foram feitos com pigmento.
  • «Os antigos chamavam-lhe Flor da Vida.» Não. O nome é do final do século XX.
  • «Cura ou energiza a água e o corpo.» Não há qualquer prova. Nenhum símbolo substitui o médico.

Nada disto tira beleza ao desenho. Apenas o põe no seu lugar: um padrão geométrico universal, redescoberto e reinterpretado muitas vezes.

Continue a ler

➜ O hexagrama

➜ A mandala

➜ A espiral

➜ Todos os símbolos

Fontes

  • «Overlapping circles grid», Wikipedia (Assíria, Abidos, Roma, Leonardo, Alpes, marcas apotropaicas) — en.wikipedia.org
  • «The "Flower of Life" motif at the Temple of Seti I & the Osireion, Abydos», Ritual Protection Marks, 2025 — ritualprotectionmarks.com
  • Drunvalo Melchizedek, The Ancient Secret of the Flower of Life, vol. 1, Light Technology Publishing, 1999

A minha nota

Escreva aqui as suas anotações. Ficam guardadas só neste dispositivo — não são enviadas para nenhum servidor.

Continue a explorar

Ver tudo em Símbolos ›