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🔯 Símbolos

A serpente: um símbolo de duas faces

A serpente como símbolo: o bastão de Asclépio e o caduceu, o ouroboros de Tutankhamon, a serpente do Génesis e as mouras encantadas do folclore português.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Porquê a serpente?
  2. Egito: o uraeus e o ouroboros
  3. Grécia: a serpente que cura
  4. Na Bíblia
  5. Na Índia: a kundalini
  6. Em Portugal: mouras e cobrões
  7. Interpretações esotéricas modernas
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Poucos animais despertam sentimentos tão opostos como a serpente. É veneno e remédio, perigo e sabedoria, tentação e renovação.

Por isso a serpente é um dos símbolos mais ricos da história: aparece na Bíblia, nos templos gregos da cura, nos túmulos egípcios, na alquimia e nas lendas portuguesas.

Porquê a serpente?

Algumas características explicam o seu poder simbólico:

  • muda de pele, o que sugere renovação;
  • vive junto à terra e em buracos, o que a liga ao mundo subterrâneo;
  • é perigosa, mas alguns venenos são usados em medicina.

Egito: o uraeus e o ouroboros

  • Uraeus: a cobra erguida na coroa dos faraós, sinal de realeza e proteção.
  • Ouroboros: a serpente que morde a própria cauda. O exemplo mais antigo conhecido está num texto funerário do túmulo de Tutankhamon (séc. XIV a.C.), onde simboliza o ciclo do tempo.

O ouroboros passou à alquimia grega: a Crisopeia de Cleópatra (texto do séc. III, cópia do séc. X) desenha-o com as palavras «o Todo é Um». Mais tarde foi lido como imagem da eternidade e, por Carl Jung, da integração dos opostos.

➜ O círculo e o círculo mágico

Grécia: a serpente que cura

Símbolo Significado
Bastão de Asclépio ⚕ Uma serpente num bastão; símbolo da medicina
Caduceu ☤ Duas serpentes e asas; bastão de Hermes, deus do comércio

Os dois são muitas vezes confundidos. A confusão generalizou-se depois de o serviço médico do exército dos EUA adotar o caduceu em 1902. A Organização Mundial da Saúde usa o bastão de Asclépio, com uma só serpente.

Na Bíblia

  • No Génesis, a serpente tenta Eva no Paraíso; torna-se símbolo do mal e do demónio.
  • No livro dos Números (21), Moisés ergue uma serpente de bronze para curar o povo das mordeduras.
  • Na arte católica, a Virgem esmaga a cabeça da serpente com o pé, imagem frequente da Imaculada Conceição.

A mesma Bíblia mostra, portanto, a serpente como perigo e como cura.

Na Índia: a kundalini

No tantrismo indiano, a kundalini é imaginada como uma serpente enrolada na base da coluna. A ideia chegou ao Ocidente sobretudo com o livro The Serpent Power (1919), de Arthur Avalon (John Woodroffe).

➜ Chakras

Em Portugal: mouras e cobrões

  • Mouras encantadas: muitas lendas portuguesas falam de mouras que vivem em fontes, penedos e castros, e que aparecem em forma de serpente. Quem quebrar o encanto recebe tesouros, diz a lenda. Leite de Vasconcelos recolheu muitas destas narrativas.
  • Cobrão: nome popular da zona (herpes-zóster). Havia rezas de benzedeiras para «cortar o cobrão». É uma prática tradicional; a zona é uma doença que deve ser tratada pelo médico, de preferência logo nos primeiros dias.

A lenda de São Cipriano não inclui, nas fontes que conhecemos, um episódio em que ele «domine serpentes». Por isso não o afirmamos.

➜ Feitiçaria portuguesa

Interpretações esotéricas modernas

No esoterismo contemporâneo, a serpente representa transformação, sabedoria oculta e energia vital. São leituras que reúnem elementos de várias culturas, mas que não têm um significado único documentado.

Continue a ler

➜ Ouroboros

➜ Caduceu

➜ Alquimia

➜ Borboleta: a transformação

➜ Todos os símbolos

Fontes

  • «Ouroboros», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Rod of Asclepius», Wikipedia (caduceu, 1902) — en.wikipedia.org
  • J. Leite de Vasconcelos, Tradições Populares de Portugal, Porto, 1882
  • Bíblia: Génesis 3; Números 21,4–9

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