Um caminho sai de um lago e perde-se entre duas torres, em direção às montanhas. Um cão e um lobo uivam para a Lua. Da água, um lagostim tenta sair para a margem. Do céu caem gotas.
A Lua é a carta da noite da mente: sonhos, imaginação, intuição, mas também medos, confusão e enganos. Na tradição de leitura, é o momento em que não se vê bem o caminho e em que tudo parece maior do que é.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Maior |
| Número | XVIII |
| Nome em Marselha / em inglês | La Lune / The Moon |
| Golden Dawn | Letra hebraica Qoph; signo de Peixes |
| Palavras-chave (direita) | intuição, sonho, ilusão, medo, incerteza, inconsciente |
| Palavras-chave (invertida) | confusão a dissipar-se, enganos menores, instabilidade |
O desenho
Cada elemento do desenho de 1909 tem uma leitura própria:
- A Lua tem rosto e mostra-se ao mesmo tempo cheia e em quarto crescente. Waite diz que tem 16 raios principais e 16 secundários e que está do lado «da misericórdia».
- As gotas que caem, em forma de pequenas letras yod. Waite chama-lhes orvalho.
- O cão e o lobo: segundo Waite, são os medos da mente natural perante um lugar onde só há luz refletida. O domesticado e o selvagem, lado a lado.
- O lagostim (ou lagosta) que sai da água: aquilo que vem do fundo, do mais primitivo.
- As duas torres e o caminho que passa entre elas até ao horizonte.
O Tarot de Marselha tem os mesmos elementos essenciais: a Lua com rosto e gotas, dois cães (e não um cão e um lobo), duas torres e um lagostim num lago. Pamela Colman Smith seguiu o modelo e trocou um dos cães por um lobo.
Nota astronómica. A Lua não tem luz própria: reflete a do Sol. É esse facto que Waite usa como imagem, quando fala de «luz refletida». A ligação da Lua às emoções e à intuição é uma interpretação astrológica e esotérica, não um dado científico.
Na história
Nos baralhos italianos pintados do séc. XV, a Lua era uma simples alegoria. No Visconti-Sforza (Milão), é uma mulher de pé, em trajes de corte, a segurar um crescente sobre o fundo dourado. Não há torres, nem cães, nem água.
A paisagem noturna com animais surge mais tarde e fixa-se no Tarot de Marselha (Jean Noblet, c. 1650; Jean Dodal, c. 1701–1715; Nicolas Conver, c. 1760).
A Golden Dawn ligou a carta ao signo de Peixes, um signo de água. Os autores modernos usam muitas vezes essa ligação para ler a carta como imagem do inconsciente e do mundo dos sonhos.
O significado na tradição
Direita
«Inimigos ocultos, perigo, calúnia, trevas, terror, engano, forças ocultas, erro.» — A. E. Waite, 1910
Na parte simbólica, Waite escreve que a carta representa «a vida da imaginação separada da vida do espírito». E que a mensagem para a natureza animal, agitada lá em baixo, é «Paz, aquieta-te».
Waite acrescenta que a luz intelectual «é um reflexo, e para lá dela está o mistério desconhecido». A Lua, para ele, é o limite do que a razão consegue iluminar sozinha.
A leitura moderna tem dois lados. É a carta da intuição e dos sonhos, do que se sente sem se saber explicar. E é também a carta da ilusão e da ansiedade: medos que crescem no escuro, informação que falta, coisas que não são o que parecem.
Invertida
«Instabilidade, inconstância, silêncio, graus menores de engano e erro.» — A. E. Waite, 1910
Os leitores modernos costumam lê-la invertida como o nevoeiro a levantar: um engano que se descobre, um medo que perde força, a situação a ficar mais clara.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar incerteza: o que o outro sente não é claro, ou há idealização. Pode apontar para ciúmes e suposições sem fundamento.
Trabalho. É associada a informação incompleta, boatos e decisões tomadas às escuras. Sugere esperar por dados concretos antes de avançar.
Conselho. O sentido mais comum é: não decidir no meio do nevoeiro. Ouvir a intuição, mas confirmar os factos.
Se a ansiedade ou o medo forem constantes e o impedirem de viver o dia a dia, fale com um médico ou psicólogo.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «A Lua anuncia traição» | Waite fala de «inimigos ocultos»; é uma leitura simbólica de incerteza, não uma previsão |
| «O cão e o lobo sempre estiveram na carta» | Em Marselha são dois cães; no Visconti-Sforza não há animais |
| «A Lua é sempre uma carta negativa» | Os significados de Waite são sombrios; a leitura moderna inclui também a intuição e os sonhos |
Continue a ler
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «XVIII. The Moon» — sacred-texts.com; significados divinatórios — rider-waite.com
- Wikipedia, «The Moon (tarot card)» — en.wikipedia.org
- Wikipedia, «Tarot of Marseilles» — en.wikipedia.org
- «The Moon · Visconti-Sforza Tarot» — globalspiritualstudies.com
- Bill Heidrick, «Tarot Correspondence Tables» (atribuições da Golden Dawn) — billheidrick.com