Um sol enorme, com rosto humano, ocupa metade da carta. Por baixo, uma criança nua, de coroa de flores, monta um cavalo branco sem sela e segura um grande estandarte vermelho. Atrás dela, um muro baixo e uma fila de girassóis.
O Sol é a carta mais luminosa do tarot. Na tradição de leitura, representa alegria, clareza, vitalidade e sucesso: o momento em que as coisas se veem às claras e correm bem.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Maior |
| Número | XIX (XVIIII em muitos baralhos de Marselha) |
| Nome em Marselha / em inglês | Le Soleil / The Sun |
| Golden Dawn | Letra hebraica Resh; o Sol |
| Palavras-chave (direita) | alegria, sucesso, clareza, vitalidade, confiança |
| Palavras-chave (invertida) | alegria diminuída, atraso, otimismo em excesso |
O desenho
A versão de Pamela Colman Smith é das mais simples do baralho, e das mais conhecidas:
- O Sol com rosto, com raios retos e ondulados alternados. Waite chama-lhe a luz direta, por oposição à luz refletida da carta anterior, a Lua.
- A criança nua: inocência, nada a esconder. Waite diz que simboliza o «mundo restaurado».
- O cavalo branco, que a criança monta sem rédeas nem sela.
- O estandarte vermelho, que a criança segura com à-vontade.
- O muro e os girassóis: um jardim fechado, protegido. Os girassóis viram-se para a luz.
O Tarot de Marselha é diferente: duas crianças (muitas vezes lidas como gémeos) estão de pé diante de um muro de tijolo, uma com a mão no ombro da outra, debaixo de um sol com rosto de onde caem gotas coloridas. O número vem escrito XVIIII, à maneira antiga, em vez de XIX.
Nota astronómica. O Sol é uma estrela, a mais próxima da Terra, e é a fonte de quase toda a luz e calor que recebemos. Na astrologia tradicional era contado entre os «sete planetas» clássicos, e é por isso que a Golden Dawn o atribuiu diretamente a esta carta, com a letra hebraica Resh. A ligação do Sol à vitalidade, ao ego e à consciência é uma interpretação astrológica, não um facto astronómico.
➜ A Lua
Na história
No baralho Visconti-Sforza (Milão, séc. XV), o Sol é uma figura quase só decorativa: um menino nu, à maneira dos putti do Renascimento, de pé num pequeno monte, a segurar um grande disco solar com rosto humano sobre o fundo dourado. Esta é uma das cartas que, segundo o museu Morgan, foram pintadas mais tarde por outro artista, atribuído a Antonio Cicognara (a atribuição é discutida).
As duas crianças junto ao muro aparecem nos baralhos franceses e fixam-se em Marselha. A criança no cavalo, com o estandarte, é uma invenção do baralho de 1909.
Na sequência das cartas, o Sol fecha o grupo de três cartas celestes (a Estrela, a Lua e o Sol), numa subida de luz: da estrela distante, para a luz refletida da Lua, até à luz direta.
Em Marselha, as três cartas celestes partilham pormenores: gotas que caem do astro, construções ao fundo (as torres da Lua, o muro do Sol) e figuras em baixo que recebem essa luz. Pamela Colman Smith manteve esta ideia de série: na Lua, um caminho que se perde entre torres; no Sol, um muro que já não esconde nada e uma criança que avança à vontade.
O significado na tradição
Direita
«Felicidade material, casamento afortunado, contentamento.» — A. E. Waite, 1910
Na interpretação simbólica, Waite vai mais longe: a carta marca «a passagem da luz manifesta deste mundo» para a luz do mundo que há de vir, e o sol é o da «consciência no espírito».
A leitura moderna é quase unânime: o Sol é a carta mais favorável do baralho. Lê-se como êxito, energia, boa disposição, verdade que vem à luz e alegria simples, muitas vezes ligada à família e às crianças.
Invertida
«O mesmo, em sentido menor.» — A. E. Waite, 1910
É uma das leituras invertidas mais curtas do livro. Os leitores modernos seguem-na: o Sol invertido continua a ser positivo, mas mais fraco. Pode indicar alegria adiada, dias nublados que passam, ou otimismo que não olha para os pormenores.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar uma fase feliz e aberta: uma relação sem segredos, entusiasmo, vontade de mostrar ao mundo. Waite fala de «casamento afortunado».
Trabalho. Associa-se a reconhecimento, a projetos que correm bem e a boa energia na equipa. É uma imagem de clareza, não uma garantia de resultado.
Conselho. O sentido mais comum é: mostrar-se como se é e aproveitar o que está a correr bem, sem complicar.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «O Sol garante sucesso» | É a carta mais positiva na tradição de leitura, mas nenhuma carta garante nada |
| «O Sol anuncia gravidez» | É uma leitura popular por causa da criança; não é um sinal fiável de nada |
| «A criança no cavalo é o desenho antigo» | É do baralho de 1909; em Marselha são duas crianças diante de um muro |
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➜ Carta seguinte: O Julgamento
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «XIX. The Sun» — sacred-texts.com; significados divinatórios — rider-waite.com
- Wikipedia, «The Sun (tarot card)» — en.wikipedia.org
- Wikipedia, «Tarot of Marseilles» (títulos e numeração) — en.wikipedia.org
- The Morgan Library & Museum, «Visconti-Sforza Tarot Cards», MS M.630 — themorgan.org
- «The Sun · Visconti-Sforza Tarot» — globalspiritualstudies.com