O pentagrama ⛤ é uma estrela de cinco pontas desenhada com cinco linhas retas contínuas, sem levantar o lápis do papel. Quando está dentro de um círculo, chama-se muitas vezes pentáculo.
É um dos símbolos mais antigos que conhecemos e também um dos mais mal compreendidos. Foi sinal de saúde, emblema cristão, figura geométrica, amuleto popular e, só no século XIX, sinal associado ao mal quando invertido.
A forma
- Cinco pontas, cinco linhas, um pentágono no centro.
- As proporções das linhas seguem a chamada razão de ouro (cerca de 1,618), o que fascinou matemáticos antigos.
- Unicode: ⛤ (pentagrama), ⛧ (invertido), ⛥ e ⛦ (entrelaçados).
Primeiras ocorrências
O pentagrama surge muito cedo na Mesopotâmia, em cerâmica e selos do final do 4.º milénio a.C. Aparece também como sinal na escrita cuneiforme. O seu sentido original é incerto; as leituras modernas (sinal de uma deusa, dos cinco planetas) são hipóteses.
Encontra-se ainda em cerâmica do Egito pré-dinástico e na Grécia arcaica, como motivo decorativo.
Os pitagóricos: um sinal de saúde
A primeira atribuição de sentido bem documentada vem da Grécia. Segundo o escritor Luciano de Samósata (séc. II d.C.), os pitagóricos usavam o pentagrama como sinal de reconhecimento entre si e chamavam-lhe «hygieia», saúde.
Não é magia: é um símbolo de pertença e de bem-estar, ligado ao gosto pitagórico pela geometria e pelos números.
Judaísmo, cristianismo e Idade Média
Na sinagoga de Cafarnaum (séc. II–III d.C.), o pentagrama aparece esculpido lado a lado com o hexagrama, como ornamento.
Na Idade Média cristã foi lido de várias formas:
- as cinco chagas de Cristo;
- os cinco sentidos;
- no poema inglês Sir Gawain and the Green Knight (final do séc. XIV), o pentagrama no escudo do cavaleiro simboliza cinco grupos de virtudes e é chamado «nó sem fim».
Também foi uma das formas atribuídas ao selo de Salomão, o anel lendário que dava ao rei poder sobre os demónios. A outra forma é o hexagrama.
➜ Hexagrama: estrela de David e selo de Salomão
Renascimento: o homem no pentagrama
No século XVI, Heinrich Cornelius Agrippa (De occulta philosophia, 1533) desenhou o corpo humano inscrito num pentagrama, ligando as pontas aos planetas e aos elementos. É daqui que vem a ideia do pentagrama como microcosmo, o ser humano como pequeno universo.
Éliphas Lévi e o pentagrama invertido
A ideia de que a posição da estrela muda o seu sentido é recente. Foi o ocultista francês Éliphas Lévi quem a fixou em Dogme et rituel de la haute magie (1854–1856):
- ponta para cima: o espírito a governar a matéria, sinal benéfico;
- ponta para baixo: a matéria a dominar o espírito, sinal do mal, onde desenhou a cabeça de um bode.
Esta leitura é uma interpretação ocultista do século XIX, não um significado antigo. Mais tarde, a Igreja de Satanás (fundada em 1966) adotou o pentagrama invertido com cabeça de bode, o chamado «sigilo de Baphomet».
Na magia e no esoterismo modernos
- Golden Dawn (fundada em 1888): criou o «ritual menor do pentagrama», em que a figura é traçada no ar.
- Wicca (a partir dos anos 1950): o pentáculo é o símbolo mais usado. Nesta tradição, as cinco pontas representam os quatro elementos e o espírito.
- Sinal de proteção: em muitas tradições populares europeias, desenhava-se nas portas e berços.
Estes sentidos são crenças e convenções de cada tradição. Nenhuma lhes dá um efeito garantido.
➜ Wicca
Em Portugal
Em Portugal, a estrela de seis pontas era conhecida popularmente como signo-saimão (de «signo de Salomão») e servia de sinal de proteção. O etnógrafo José Leite de Vasconcelos estudou este sinal em Signum Salomonis (1918).
No comércio esotérico atual, o pentagrama é por vezes vendido como «cinco-saimão», por analogia. Não confirmámos se este nome é antigo na tradição popular.
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➜ O pentagrama e os 4 elementos
Fontes
- «Pentagram», Wikipedia (com bibliografia) — en.wikipedia.org
- Jewish Virtual Library, Magen David (Cafarnaum) — jewishvirtuallibrary.org
- Éliphas Lévi, Dogme et rituel de la haute magie, Paris, 1854–1856
- J. Leite de Vasconcelos, Signum Salomonis — OpenEdition