Um cavaleiro avança devagar num cavalo branco. Não traz lança nem espada: estende à frente uma taça, como quem vem oferecer algo.
O Cavaleiro de Copas é, na tradição, o mensageiro dos sentimentos: uma proposta, um convite, alguém que chega com intenções afetivas.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor (figura) |
| Número | Cavaleiro (12.º do naipe) |
| Naipe e elemento | Copas; água |
| Nome em Marselha / em inglês | Cavalier de Coupe / Knight of Cups |
| Palavras-chave (direita) | proposta, convite, romance, chegada |
| Palavras-chave (invertida) | artifício, engano, duplicidade |
O desenho
Waite descreve-o como gracioso, mas não guerreiro. O cavalo vai a passo, não a galope: é o oposto dos cavaleiros de paus e espadas.
O elmo e os calcanhares alados lembram Hermes, o mensageiro. Waite liga-os às graças mais elevadas da imaginação. Na túnica veem-se peixes, sinal do naipe da água, e ao fundo corre um rio.
Waite acrescenta um retrato psicológico: também ele é um sonhador, mas as imagens do lado dos sentidos assombram-no na sua visão.
Na história
O Tarot Sola-Busca, gravado em Itália por volta de 1490 e hoje conservado na Pinacoteca de Brera, em Milão, é o baralho mais antigo conhecido com todas as cartas numeradas ilustradas. Pamela Colman Smith terá visto fotografias dele no Museu Britânico depois de 1907.
Nesse baralho, as figuras da corte têm nomes. O Cavaleiro de Copas chama-se Natanabo, uma figura de sacerdote-mago egípcio. O desenho de 1909 não copia essa carta: a semelhança está no espírito de um baralho todo ilustrado.
Na Golden Dawn, os nomes das figuras mudam (Rei a cavalo, Príncipe num carro), e a correspondência exata com o cavaleiro de Waite é discutida entre autores. Por isso não indicamos aqui um decanato.
O significado na tradição
Direita
Chegada, aproximação, por vezes a de um mensageiro; avanços, proposta, porte, convite, incitamento. — A. E. Waite, 1910
Na leitura moderna mais comum, é o cavaleiro romântico: alguém que corteja, ou uma oportunidade que chega pelo lado emocional ou artístico.
Invertida
Esperteza, artifício, subtileza, burla, duplicidade, fraude. — A. E. Waite, 1910
A leitura moderna mantém o tom: promessas que não se cumprem, charme usado para enganar, ou alguém que foge ao compromisso.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar uma aproximação romântica ou uma proposta. Invertida, pede prudência com promessas bonitas demais.
Trabalho. Costuma ser interpretada como uma proposta ou convite, muitas vezes em áreas criativas. Antes de aceitar, convém avaliar os factos com calma.
Conselho. Muitas vezes lida como um convite a seguir o coração, mas a passo, sem pressa, como o próprio cavalo.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «Anuncia um pedido de casamento» | Waite fala de proposta e convite em geral, não de casamento |
| «O Sola-Busca foi o modelo desta carta» | Há influência geral do Sola-Busca no baralho, mas não uma cópia desta carta |
Continue a ler
➜ Carta anterior: Valete de Copas
➜ Carta seguinte: Rainha de Copas
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Knight of Cups» — sacred-texts.com
- Wikipedia, «Sola Busca tarot» — en.wikipedia.org
- Wikipedia, «Rider–Waite Tarot» — en.wikipedia.org
- David Cunliffe, correspondências da Golden Dawn — davidcunliffe.com