A hamsá é um amuleto em forma de mão aberta, de palma virada para a frente, muitas vezes com um olho no centro. É um dos amuletos contra o mau-olhado mais populares do mundo.
Chamam-lhe Mão de Fátima, Mão de Miriam ou Mão de Maria, conforme a religião de quem a usa. É partilhada por muçulmanos, judeus e cristãos, sobretudo no Norte de África e no Médio Oriente.
Para os portugueses, tem um interesse especial: foi usada no Al-Andalus, a Península Ibérica islâmica, e é prima distante da nossa figa.
Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome | Hamsá (do árabe khamsa, «cinco») |
| Outros nomes | Mão de Fátima, Mão de Miriam, Mão de Maria, hamesh (hebraico), afus (berbere, «mão») |
| Origem mais antiga conhecida | Incerta; mãos protetoras desde a Idade do Ferro no Levante |
| Culturas | Islão (sobretudo Magrebe), judaísmo sefardita e oriental, cristãos do Levante |
| Significados | Proteção contra o mau-olhado; bênção; sorte |
| Unicode | 🪬 (desde 2021) |
O nome
Khamsa quer dizer «cinco» em árabe: os cinco dedos da mão. Em hebraico diz-se hamesh, com o mesmo sentido.
O nome «Mão de Fátima» merece uma nota. Refere-se a Fátima, filha do profeta Maomé, mas a expressão árabe equivalente é rara em textos antigos. Os investigadores mostram que se popularizou sobretudo na época colonial francesa («main de Fatma»). Não tem relação com Fátima, em Portugal.
De onde vem?
A origem não está esclarecida. Os estudiosos apontam vários antecedentes possíveis, sem certeza:
- Mesopotâmia: amuletos com a mão da deusa Ishtar, contra o mal e a doença.
- Judá, c. 800 a.C.: em Khirbet el-Qom há uma mão gravada num túmulo, geralmente lida como sinal de proteção.
- Norte de África púnico: uma hipótese liga-a ao culto da deusa Tanit, de Cartago. É especulativa.
O que se pode dizer com segurança: mãos protetoras são um motivo muito antigo no Mediterrâneo e no Médio Oriente.
Islão, judaísmo e cristianismo
No islão
O uso concentra-se no Ocidente islâmico (Marrocos, Argélia, Tunísia) mais do que no Oriente. No islão xiita, os cinco dedos são por vezes lidos como as cinco pessoas da família do Profeta (Maomé, Ali, Fátima, Hassan e Hussein).
Correntes muçulmanas mais rigoristas, como o salafismo, condenam a hamsá como amuleto proibido.
No judaísmo
Os judeus sefarditas e os judeus de países islâmicos usaram-na muito. Em manuscritos cabalísticos, a mão aparece por vezes com a letra hebraica shin, inicial de Shaddai, um dos nomes de Deus.
Há quem diga que os judeus expulsos da Península Ibérica a levaram consigo como proteção. O historiador Shalom Sabar considera a ideia difícil de provar.
Entre cristãos
Os cristãos do Levante chamam-lhe Mão de Maria. Na Granada do séc. XVI, a Igreja proibiu as hamsás como sinal islâmico (1526, proibição renovada no Sínodo de Guadix em 1554). Mas há joias da época nasrida com a mão e a inscrição «Ave Maria gratia plena», prova de que o amuleto atravessava religiões.
No Al-Andalus
Na Península Ibérica islâmica, o uso da hamsá como amuleto está documentado a partir do séc. XIII. Entre os mouriscos de Granada, eram populares medalhas com uma mão gravada e letras, provavelmente versículos do Corão.
Contra o mau-olhado
A função principal da hamsá sempre foi afastar o mau-olhado: a crença de que um olhar de inveja pode causar doença ou azar. O olho desenhado na palma serve para «devolver» esse olhar.
No Magrebe diz-se «khamsa fi ainek», «cinco [dedos] no teu olho», por vezes com o gesto de levantar a mão aberta.
Em Portugal, o gesto e o amuleto equivalentes são a figa, também uma mão, mas fechada. E o olho azul é o olho turco.
Hoje
A hamsá tornou-se sobretudo um amuleto de boa sorte, laico, em joias, porta-chaves e decoração. Está no emblema da Argélia e é muito vendida em Marrocos, na Turquia e no Egito.
Usá-la é uma escolha de crença pessoal ou de gosto. Não tem efeito comprovado. Como é um símbolo religioso vivo para muitas pessoas, merece ser tratado com respeito.
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➜ Azeviche e as figas contra o mau-olhado
Fontes
- «Hamsa», Wikipedia (com bibliografia) — en.wikipedia.org
- Shalom Sabar, «From Sacred Symbol to Key Ring: The Ḥamsa in Jewish and Israeli Societies», em Simon J. Bronner (ed.), Jews at Home: The Domestication of Identity, Littman Library of Jewish Civilization, 2010, pp. 140–162 — cambridge.org
- J. Leite de Vasconcelos, Signum Salomonis. A Figa. A Barba em Portugal (estudos sobre amuletos portugueses, incluindo a figa)